Ano social
Para alguns o ano de 2003 é o ano da Cabra (calendário chinês), e embora eu não seja adepto do esoterismo, creio que no Brasil este ano deverá ter o seguinte nome: 2003 O ano do ''Cabra Macho''. Adjetivo necessário para quem quer resolver o problema social da fome. Embora pareça uma brincadeira tem seu fundo de verdade. O Nordeste é o lugar do qual se retirou o nosso presidente, onde disse que conheceu a fome e naquela região é costume nomear os homens de ''cabra''.
A fome é um problema social que, com certeza, desafia os governantes (honestos). Coincidentemente, neste início de ano o Novo Código Civil teve sua vigência iniciada, e sua linha filosófica não é mais de um individualismo limitado apenas pela própria lei, o social e a ética estão pautando tal estatuto legal.
O Novo Código Civil Brasileiro no seu artigo 421, disciplina que os limites do contrato instituto mais importante na relação entre indivíduos estão na sua função social, e segue com a ética refletida na guarda da probidade e boa-fé. Miguel Reale, grande jurista, vê sua criação firmar a também sua Teoria Tridimensional do Direito, onde fato, valor e norma se ''coexistem numa unidade concreta''.
Analisando de forma separada e fria, vemos que o projeto Fome Zero e o Novo Código Civil nada tem a ver, mas por outro lado, tais fatos nos levam a repensar o social, seja ele dentro do contexto nacional como também nas relações individuais.
Temos na sociedade em geral, alguns princípios que, cada vez mais, levam o ser humano ao individualismo egoísta: princípio do salve-se quem puder; princípio do levar vantagem em tudo; princípio toma-lá-dá-cá, etc. Vemos muitas vezes os nossos representantes eletivos fixarem aumentos em seus vencimentos de acordo com a lei, mas completamente longe do ético ou do moral (casos de legislativos estaduais que elevaram seus vencimentos tomando por base o limite de 75% do vencimento do legislativo federal Câmara).
O Fome Zero e o Novo Código Civil chegam para discutir novos paradigmas, inserindo na sociedade um pouco de responsabilidade social, resgatando o pensamento no coletivo mesmo quando tudo converge ao individualismo.
PAULO ROGÉRIO SANCHES (advogado) Londrina


Custo do Legislativo


É evidente que o desembolso financeiro para manter-se em funcionamento o Poder Legislativo (Senado e Câmara), em relação ao orçamento geral da União, que é de 1,027 trilhão de reais é insignificante. Representa 0,33%, ou 3,389 milhões. Porém, toda vez que ouço falar nas verbas destinadas aos deputados e senadores, eu me questiono: é necessário?

Cada deputado recebe hoje, por mês, R$ 56,92 mil. Este valor é composto pelas seguintes rubricas: salário, R$ 12,72 mil; manutenção de escritório nos Estados de origem, R$ 12 mil; telefone e correspondência, R$ 4,2 mil; verba de gabinete, R$ 25 mil (estuda-se um aumento para R$ 35 mil) e auxílio-moradia, R$ 3 mil. Assim, o País gasta por mês, para que os 513 deputados desempenhem as suas funções em Brasília, R$ 29,2 milhões (513 x 56,92).

Surge, então, um questionamento: é necessário que os deputados se desloquem até Brasília para desempenharem as suas funções, sabendo-se que existe um aparato tecnológico totalmente capaz de fazer com que os deputados se comuniquem de qualquer lugar do País, a qualquer hora. Isso sem falar na TV Câmara e na TV Senado, que poderiam ser usadas para que os parlamentares defendessem ou contestassem ao vivo os projetos em tramitação.

No passado, quando se tinha dificuldade de locomoção e de comunicações, era indispensável a presença dos parlamentares no Congresso. E agora? Será que as coisas não mudaram? Além disso, com o exercício da função legislativa executada de forma descentralizada, junto à região de origem e dos eleitores do parlamentar, seria mais difícil a manipulação das decisões e o trabalho dos lobistas. Haveria uma maior influência do eleitor sobre o parlamentar, fortalecendo a representatividade do sistema parlamentar.

Essa é uma idéia que precisa integrar a pauta de discussão da reforma do Poder Legislativo. Afinal, ela favorece a democracia, a justiça e o controle dos gastos públicos.


SALÉZIO DAGOSTIM (contador) Porto Alegre (RS)



Vale a pena ter qualidade ?


Um desejo comum em todos os chamados ''consumidores'' é suprir suas necessidades, escolher entre as diversas alternativas do mercado, a que mais atende suas expectativas, para em seguida chegar à compra, que representa a aceitação do produto. O consumidor deve ser considerado como o início e o fim do processo, e é pensando nele que a empresa deve produzir produtos de qualidade, que atendam às suas expectativas. Isso é nada mais que respeitar os direitos do consumidor, mas hoje, algumas empresas têm o discurso de produtos e serviços de qualidade, e se esquecem do pós-venda. É muito fácil dizer que qualidade não é diferencial, e sim obrigação, o difícil é cumprir com a obrigação.

Essa é uma visão bem conhecida no mercado, onde gerentes e diretores pensam no faturamento e se esquecem do ''algo mais'', um detalhe que faz a diferença, e melhor, aumentam o tão almejado faturamento. Talvez não estejam acostumados a se beneficiarem com qualidade, deixando-os assim sem um ponto de partida.

Uma fuga rotineira são projetos teoricamente perfeitos, que são divulgados como a garantia de qualidade, doce ilusão. Como funcionários podem buscar a qualidade se seus superiores pouco se importam com isso? Não basta vender, o contato com o cliente, saber das suas necessidades, buscar a superioridade dos produtos, acompanhar a concorrência, tudo isso demonstra a clientes e funcionários a preocupação de atender bem, quer seja o consumidor que escolhe seu produto, como o cliente que fecha grandes pedidos.

Não é preciso ser nenhum especialista para saber que clientes satisfeitos compram mais, recomendam seus produtos e serviços, deixando a empresa competitiva nesse mercado, onde os menos qualificados, tendem a perder sua fatia. O consumidor atual é bem diferente dos de anos atrás, ele sabe da sua importância, e que se um produto não o satisfaz, existem muitos outros a sua disposição. Pensando dessa forma podemos analisar como estamos e projetar para onde vamos, além de nos questionarmos: ''Minha empresa tem qualidade em produtos e serviços?''

FLÁVIO FRANCO DE MOURA (encarregado de expedição) Londrina

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