Fome zero
  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convicto em zerar a fome e que os brasileiros tenham pelo menos 3 refeições diárias. Ora, até acredito que é possível. Se os deputados não fossem absortos de egoísmo e tão abúlicos em pôr a mão nos próprios bolsos. É hilariante o que acontece na Câmara dos deputados e assembléias estaduais. Contristece-me muito saber que os deputados sem a aprovação e votação da Casa tiveram um aumento de 71,42% de verbas indenizatórias. Deveriam doar 30% de suas verbas indenizatórias para o fome zero. Com tanto disperdício, a fome só tende a aumentar. Haja criação de tantos mais impostos para sustentar tantas regalias: sustentar esses que os brasileiros deram seus votos de confiança para um Brasil melhor.
MARIA GENNY BELEMTANI (secretária) - Londrina
Enchentes
  As alterações climáticas que ocorrem no mundo todo são conseqüências do efeito estufa provocado pelo desaparecimento da camada de ozônio, que envolve nosso planeta. Ficou bem claro: as enchentes ocorrem com freqüência após chuvas torrenciais. O aglomerado populacional, em regiões de cidades que cresceram desordenadamente, é vítima de um país com cidades de fantástico desenvolvimento onde têm ocorrido tais catástrofes. Pequenos cursos de água se transformam em caudais e, eventualmente, rios que atravessam regiões urbanizadas não pedem licença para sua invasão e levam tudo pela frente.
  Por qual razão nossa Constituição não determina aos nossos prefeitos o cumprimento de uma medida lógica e básica, qual seja a adoção obrigatória do Plano Diretor, de engenharia sanitária para regiões urbanas que não o tiverem?
  Causas? Ignorância dos deveres das Câmaras Municipais? Ou acomodação ao ‘‘status quo’’ de interesses de loteamentos irregulares? Imaginamos que seria de grande utilidade profilática que a mídia se movimentasse no sentido de alertar a necessidade de tomar providências no sentido de que o Plano Diretor fosse cumprido obrigatoriamente pelas prefeituras.
JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina
O côncavo e o convexo
  Fato curioso é o ser humano. Ri e chora, sofre e tem prazer, vive e morre. Trabalho no setor público já há quase vinte anos, e outro dia me surpreendi com uma situação que ficou gravada em mim. Estava de plantão juntamente com um outro funcionário, quando fomos solicitados a acompanhar um adolescente de 12 para 13 anos até o Pronto-Socorro Municipal, pois ele estava apreendido em uma certa Delegacia de Polícia, aguardando decisão judicial por prática de furto, e estava com muita febre.
  Durante o trajeto da delegacia para o hospital, comecei a conversar com aquele menino franzino, desnutrido, mas com uma petulância fora do comum. Então, perguntei a ele o motivo de estar naquele lugar, qual o delito que ele tinha cometido, no que para minha surpresa, respondeu: entrei numa casa e apavorei todo mundo, meti os cano, levei tudo. Que arrogância daquela criança, que machismo, banditismo, sei lá o quê. Mas, ao chegar no hospital, a enfermeira disse que ele teria de tomar uma injeção. Pronto, acabou o ‘‘bandidão’’. Naquele momento, o menino começou a chorar e espernear, e tivemos que juntamente com uma outra enfermeira, segurá-lo fortemente, para que a injeção fosse aplicada.
  Naquele momento, vi o quanto aquele menino era carente de pai, mãe, amigos, escola, amor, carinho, de tudo. Senti até vergonha, pois também sou pai e, às vezes, esquecemos de dar mais carinho aos nossos filhos, pois ficamos preocupados em dar tanta coisa a eles, que esquecemos do mais importante: conversar, transmitir a eles o que é a vida.
  Aquele menino sequer sentou em algum banco escolar, pois tão cedo teve que enfrentar a vida, e o mundo lhe ensinou o caminho errado. A culpa não é dele, e sim, do sistema em que vivemos, da desigualdade social, onde o ‘‘rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre’’. É a cadeia hereditária.
  Não vamos ficar esperando que alguém faça algo pelas nossas crianças não, vamos fazer a nossa parte. Cada um de nós coloque em mente a nossa função de educador, começando pelos nossos filhos; dando a eles mais atenção, amor e carinho, não esquecendo da educação escolar, pois só assim, teremos a certeza que em um futuro bem próximo, teremos um novo modelo de sociedade, que será mais justa, honesta e mais digna.
PAULO ALVES DA CRUZ (funcionário público estadual) - Bandeirantes
Correção
n Por erro de digitação, a palavra ‘‘questionam’’ saiu grafada errada no título de primeira página da edição de ontem da Folha referente à reportagem dos usuários da Sanepar que criticam o aumento nas contas de água. Também na primeira página de ontem, a palavra ‘‘tem’’ foi grafada de maneira indevida na frase de destaque abaixo da manchete principal.

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