CARTAS
Carta à população
Apresentamos à comunidade londrinense e, principalmente, às famílias dos internos da Casa de Custódia de Londrina, esclarecimentos que se fazem necessários quanto à greve dos agentes de disciplinas. Estamos na luta por melhores salários e para que se cumpra o que está no contrato firmado entre a empresa e o Estado, visando, principalmente, melhores condições de trabalho, melhor atendimento nos dias de visitas, com mais efetivo e material disponível. Mesmo com a paralisação, não esquecemos de manter a segurança interna da unidade. Por isso, nos termos da lei, mantemos um terço do efetivo trabalhando. Contamos com a compreensão e com o apoio dos familiares dos internos. Vale ressaltar que só chegamos à situação de greve por terem falhado todas as tentativas de negociação com a INAP, tendo esta empresa sempre nos tratado com descaso e desinteresse na solução desse problema que já vem se arrastando por mais de um ano. Nossos objetivos são claros e só reivindicamos o que nos é de direito. Aguardamos confiantes de que nosso grito, mesmo sufocado, seja ouvido por todos aqueles que acreditam na melhoria do sistema penitenciário do Paraná e esperamos que a empresa se comprometa a cumprir o que consta no contrato firmado com o Estado.
COMANDO DE GREVE DOS FUNCIONÁRIOS DA CASA DE CUSTÓDIA, Londrina.
Deus quis
Assistindo as notícias dos últimos dias, vimos a tragédia de centenas de pessoas desabrigadas e que perderam vários entes queridos durante os temporais na região sudeste. Que Deus me perdoe, mas pior do que toda essa tragédia é ouvir destas pessoas tão abandonadas que a tragédia toda aconteceu porque Deus quis assim. Será que Ele quis mesmo? Ou será que, na falta de esperança em se achar um culpado, pela falta de moradia, pela situação em que vivem, esse é o consolo a que se apegar? Não acho que Deus queira a desgraça destas pessoas. Mas Ele não tem como evitar que um barranco despenque sobre casas na hora da tempestade. As casas é que não deveriam estar ali, a prefeitura é quem deveria julgar as regiões de risco, as autoridades são quem deveriam apoiar estas pessoas... Aí sim, Deus irá ajudar a todos viverem mais felizes...
GABRIELA COSTA, Londrina
Cerca
A cerca que separa os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da cidade de Curitiba e do conjunto de cidadãos paranaenses não é apaenas um problema do governo Roberto Requião, que prometeu derrubar a grade do Centro Cívico para restabelecer a livre circulação, o direito contemplativo, o retorno do lazer e do exercício da cidadania daquele espaço. Este problema é também de todos nós, da sociedade civil, que poderíamos ser ajudar nesta empreitada cívica, mesmo que simbolicamente, num mutirão popular. Requião, me chama que vou. Fruto da falta de diálogo com segmentos representativos da sociedade, da ausência de autoridade do ex-governador Jaime Lerner, a cerca é esteticamente de mau gosto e politicamente uma gozação. Seja em Paris, Nova Iorque ou Havana, os espaços urbanos reservados aos cidadãos são amplos e generosos, sobretudo no que trata no abrigo da vida cotidiana de uma cidade onde estão presentes as manifestações culturais e políticas, as necessidades de circulação, de lazer e do comtemplativo. A grade do Centro Cívico é um projeto pessoal do arquiteto Jaime Lerner, o urbanista. Mas a obra do cercado é do IPUC, órgão que deveria cuidar, no mínimo, da estética do mobiliário urbano de Curitiba e não endossar vaidade e intolerância e discriminação política e violência policial, quando da ocupação dos sem terra ou no movimento contra a venda da Copel. A urbe urge e a cerca ruge-ruge. Vamos todos juntos arrancar as grades do Centro Cívico. Vamos chamar nossos artistas populares para transformar parte daqueles ferros em obras de arte.
ROBERTO RODRIGUES, Curitiba
Correção
Ao contrário do que foi divulgado na edição de anteontem da Folha 2, o nome correto do empresário que teria comprado o espaço onde funciona o Bar Valentino é Eraldo Soares.





