CARTAS
Jornalismo
Será que a juíza Carla Abrantkoski Rister imagina como estão se sentindo os alunos dos diversos cursos de jornalismo espalhados pelo Brasil? O que eles devem estar pensando? Estamos gastando dinheiro e tempo num curso que não tem mais nenhuma finalidade. E quem está quase se formando? Como é que fica? O fato é que a ''distinta'' juíza achou que, para ser jornalista, não é mais preciso ter diploma. Com esta decisão, qualquer pessoa que queira pode requerer seu registro como jornalista, sem sequer ter passado por uma Universidade. Imagino que a sociedade deve estar preocupada com este retrocesso. Como será a qualidade e credibilidade das informações despejadas pelos meios de comunicação? Como o leitor, ouvinte ou telespectador vai poder confiar naquilo que estiver recebendo, se quem está produzindo as notícias serão aventureiros, sem a mínima qualificação para isso. É o mesmo caso de alguém com dor de dente procurar um açougueiro para se tratar. Ainda bem que essa decisão ''inteligente'' cabe recurso. Acredito que numa instãncia superior prevaleça o bom senso. Não é só o diploma que está em jogo, mas principalmente a dignidade de quem ama esta profissão e não a encara como um bico ou hobby. O trabalho jornalístico é muito sério e precisa ser respeitado. Quem afirma que o curso de Jornalismo não serviu para nada provavelmente ficou todo o tempo jogando sinuca ou fumando na frente da faculdade. Os cursos estão decaindo, sim, todos sabemos disso. Existem professores despreparados, óbvio. As condições não são as melhores, etc. Mas isso não é motivo para simplesmente acabar com os cursos ou afirmar que são inúteis. Talvez ninguém aplique os conhecimentos de semiótica ou teoria da comunicação para fazer um lead, mas a faculdade serve como um tempo para refletir sobre a profissão e suas práticas, conhecer diferentes profissionais que já passaram por ela e, mais que isso, desenvolver uma análise crítica das práticas que ainda estão em uso.
JOSÉ AUGUSTO VIANNA, Curitiba.
Seguro-apagão
Se o sr. Paulo Pimentel quiser ajudar o povo paranaense, como presidente da Copel, que começe pela extinção do Seguro-Apagão no Paraná. Com toda essa chuvarada, no Brasil inteiro, as represas com certeza já estão novamente cheias, não havendo mais motivo para racionamento. Mas continuam cobrando o maldito apêndice monetário.
OSVALDO FIDELIS DE CASTRO, Cruzeiro do Oeste.
Diferenças
A diferença que faz o governo americano tratar a Coréia do Norte e o Iraque de forma tão dispare é a bomba. Enquanto os norte-coreanos dominam a tecnologia para, em pouco lapso, construir artefatos nucleares; o Iraque faminto e em ruínas capenga para diminuir a fome de seu povo e já não sabe mais o que fazer para matar a curiosidade do ''inspetores'' da ONU. Que devem estar com a paciência esgotada de encontrar apenas pó, ogivas vazias e restos destruídos de armas de guerra no país de Saddam. Aliás, o momento é propício para o Brasil aprender e praticar, do mesmo modo que os gringos, essa política de pequenas diferenças. E, dessa forma, repensar o seu posicionamento para a América Latina e para o Mundo; mudar e assumir um discurso do tamanho de sua grandeza e, sobretudo, incentivar e investir em pesquisas que ajudem a dominar por completo a tecnologia do átomo. Nesse sentido, será dado o primeiro grande passo para conquistar, de fato, nossa soberania e ficarmos livres de pressões de organismos internacionais e purgantes da Pátria. Aumentando nossa capacidade defensiva e inserindo o Brasil, pela porta da frente, no contexto de um mundo dominado por países ''bagres ensaboados'', onde as pequenas diferenças acabam ditando o rumo das coisas.
ANTONIO SERGIO NEVES DE AZEVEDO, Maringá
Música clássica
Tenho observado que a ''Folha'' tem restringido muito os assuntos referentes à cultura de modo geral, contando com poucas inserções nesse sentido. Lembro que, há alguns anos, havia uma coluna regular de música clássica, tema que está simplesmente legado ao ostracismo. Como leitor assíduo deste diário, far-lhes-ia a sugestão de apresentar artigos sobre esse tema, não só sobre música piopular, sertaneja, etc, pois o número de pessoas interessadas no gênero tem aficionados em todas a classes. Trata-se de um ''refinamento'' de redação pois somos obrigados a adquirir outros jornais de fora, São Paulo no caso, para termos alguma informação a respeito.
JANOS KODAK, Londrina
Nota da redação: Como o leitor deve ter observado, no período das festas de final de ano a Folha reduziu o caderno de Cultura para quatro páginas, a exemplo de outras publicações. Só agora voltamos a circular com seis páginas diárias. Vamos considerar sua sugestão sobre música clássica enfatizando, no entanto, que faremos o possível para publicar críticas de discos lançados, como fazemos como outros gêneros, produzidas por vários jornalistas e não colunas assinadas por um único responsável. As colunas ou páginas semanais e exclusivas de artes plásticas, literatura, cinema, gastronomia e cultura pop continuam circulando, contemplando um público amplo e diversificado.





