CARTAS
Ser e ter
Quando pequenas, os pais sempre questionam as crianças sobre o que elas querem ser quando crescer. E sempre as induzem às profissões bem remuneradas como médicos, dentistas, advogados, empresários. Passam para os filhos que é preciso ter dinheiro e bens para serem felizes e realizados na vida. Quando crescem, passam a ser pessoas materialistas, procurando obter lucro em quase tudo que fazem e sempre visando o status quo e o individualismo. Claro que a culpa não é dos pais, pois eles também passaram pelo mesmo processo ideológico. Isso vêm do perverso sistema capitalista em que estamos inseridos. Quem sabe, um dia, nossas crianças cresçam e aprendam que ser é mais importante do que ter. Acredito que, com isso, o mundo e a sociedade seriam mais fraternos e as pessoas, menos gananciosas. Creio também que, para quem busca a felicidade, o dinheiro acaba sendo consequência. Precisamos refletir sobre nossas atitudes e olhar por trás das máscaras ideológicas pois, a cada dia, estamos sendo menos humanos e mais alienados pelo consumo.
PAULO AUGUSTO DA FONSECA, Londrina.
Fome Zero
O projeto Fome Zero vai dispor de R$ 150 milhões neste mês. Destes, R$ 110 milhões já estão na Suíça matando a fome e as vaidades dos corruptos, que estão pilhando o governo. Este absurdo acontece na barba do governo carioca e, pior, na cara da Justiça brasileira. Se os responsáveis pela Justiça no Brasil e, digo todos de promotor a ministro da Justiça , ''não ficassem acomodados'' (o autor usou termo chulo) na poltrona, arregassassem as mangas e trabalhassem, o governo Lula viabilizaria o programa Fome Zero, além de diminuir a corrupção, que é um câncer na sociedade.
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina
Brasil autêntico
O ano de 2003 começou com muita expectativa e otimismo, levando-se em conta que livramo-nos do ''feitor imperialista'' em nosso País. Porém, isto não significa que os brasileiros encontrarão aberta a trilha do progresso. Os danos causados pelo maremoto que engolfou todo o território, em função da abertura da economia nacional, só serão reparados após algum tempo, mais precisamente quando os dotes incomparáveis com que o Criador brindou o País retornarem às mãos de pessoas integradas à comunhão nacional. Imprescindível à nacionalização progressiva da economia, até para viabilizar o combate à fome, é deveras importante que o Professor Lessa (comandante do BNDES) sinalize o novo rumo, que deverá trilhar, com a deflagração de ações que produzam repercussões imediatas. Adquirindo paulatinamente as ações de empresas controladas por estrangeiros, o BNDES estará contribuindo para a redução das remessas de lucros, em moeda forte, ''praga'' que, juntamente com os juros decorrentes das dívidas interna e externa, neutraliza qualquer esforço nacional voltado para a melhoria do padrão de vida dos brasileiros. Eis aí, Professor Lessa, atitudes ansiosamente esperadas pelos verdadeiros nacionalistas, aqueles cidadãos que não são destros, nem tampouco sinistros, mas, brasileiros, como prenúncio de bom êxito da sua administração à frente do futuro banco nacional de investimentos, até a pouco usado para entregar aos estranhos o patrimônio dos compatriotas.
ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu.
Gol de placa
Começamos o ano de 2003 com o pé direito. Na Economia o dólar despenca de R$3,75 para R$3,28; o risco Brasil cai de 1978 para 1298; Lula visita os municípios assolados pela fome e miséria, onde nenhum dos outros presidentes que o antecederam pisaram. As coisas irão melhorar, sim. No esporte, um recorde mundial: o gol de um jovem na Copa SP, aos três segundos e dezessete centésimos, e do meio de campo aquele que o Rei Pelé tanto sonhou em marcar e não conseguiu. A outra notícia pode-se também considerar, em nível nacional, como a melhor para a natureza e a vida: enquanto os secretários de Meio Ambiente ainda preparam suas agendas e propostas de governo, o nosso secretario Luiz Eduardo Cheida, determinou o cancelamento definitivo do contrato que autorizava o Paraná a receber o lixo tóxico de Cubatão, que tem nome de pentaclorofenol, o famoso ''pó da China'', com cerca de 20 mil toneladas que seriam depositadas aqui, em Curitiba. Nessa luta contamos ainda com o trabalho dos incansáveis vereadores que ajudaram nessa vitória, que é de todos, inclusive das gerações futuras. A todos os que propiciaram essas fantásticas ações, a natureza e a vida lhes agradecem. Esse é o Brasil que queremos e sempre sonhamos.
JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba.





