Vera e Nitis
A sensibilidade da professora Vera Mussi como conhecedora das questões culturais do Paraná aliada à arrojada e irrompedora Nitis Jacon, sem sombra de dúvida, marcarão o início de um novo ciclo no âmbito cultural em nosso estado. Após um interminável período (não somente do último governo) de concentração de recursos para a capital, nossa expectativa é que, finalmente o interior tenha hora e vez. Nosso otimismo baseia-se em fatos. Quando da nossa gestão à frente da Fundação Cultural de Ibiporã (1987 a 1991) participamos de diversos encontros, juntamente com representantes municipais do interior, na Secretaria de Estado da Cultura, onde se debatia a valorização dos movimentos culturais no Estado. Enfrentamos forte resistência de representantes da capital, principalmente os do Teatro Guaíra que, na época, absorvia perto de 80% do orçamento da Secretaria. Lembro-me bem dos protestos e da indignação desse grupo, quando propusemos à então secretária Gilda Poli, a municipalização do Teatro Guaíra, já que servia apenas à capital. Obviamente, nem a secretária aplaudiu a nossa proposta, mas ela e os agentes da capital entenderam que o Guaíra teria que abrir suas portas para o interior. Assim, conseguimos espaço para estágios gratuitos a diversos funcionários da Fundação. Conseguimos também a primeira parceria e apoio oficial ao (saudoso) Festival de Dança de Ibiporã, graças à atenção da então diretora-geral da Secretaria, professora Vera Mussi. A partir daí, Grupos de Ballet do Teatro Guairá, Grupos de Teatro e a Orquestra Sinfônica do Paraná propiciaram belos espetáculos no Cine Teatro Padre José Zanelli. Naquela mesma época, conseguimos ainda uma auspiciosa parceria com o FILO, desta vez, graças à sensibilidade e visão da sua idealizadora e diretora Nitis Jacon, presenteando Ibiporã com, nada mais nada menos, que 23 espetáculos internacionais, que levaram ao teatro aproximadamente 11.500 pessoas e atraindo expressivo público nas apresentações de rua e nas escolas. Ibiporã viveu dias de verdadeiro delírio cultural com grupos vindos de todas as partes. Um banho cultural, na melhor expressão. Por estas e tantas outras razões, não poderíamos deixar de nos congratular com a sociedade paranaense pela feliz escolha do seu nome com a missão de comandar o processo de estadualização do Centro Cultural Teatro Guaíra e, por conseguinte, a integração cultural em nosso estado. Finalmente alguém que entende que o ''maior teatro da América Latina'' pertence a todos os paranaenses.
JOSÉ L. PETRI, Ibiporã.
Água de Ponta Grossa
Não é verdadeiro o título da matéria publicada ontem (12.1.03) pela Folha de Londrina, ''Ponta Grossa consome água contaminada''. A afirmação improcedente está provocando grande preocupação entre os moradores da cidade e estimulando uma crise de credibilidade quanto à qualidade da água distribuída pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Como a água distribuída para abastecimento é produto que tem relação direta com a saúde pública, solicitamos que seja publicada nova matéria retificando a afirmação equivocada. Apenas na última frase do texto aparece a informação neste caso de extrema importância que ''a água para consumo não oferece riscos, por ser tratada pela Sanepar''. Para entender o caso: Em 27 de janeiro de 2002 a Sanepar, de forma transparente, comunicou as autoridades, imprensa e seus clientes que a Represa de Alagados - principal manancial da cidade - estava apresentando a proliferação de algas. Desde aquela época, a empresa vem atuando de forma intensiva para continuar garantindo a qualidade da água distribuída à população. As algas são removidas durante o processo de tratamento e a água produzida analisada para garantir a qualidade dentro dos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde; para remover as algas, a empresa mudou o processo de tratamento desde a captação na Barragem até a saída na Estação de Tratamento de Água (ETA) e tomou uma série de outras medidas, orientadas, inclusive, por consultor externo; diariamente é feito controle da qualidade da água bruta (no Represa) e da água distribuída à população; a proliferação das algas decorre da contaminação da bacia do Alagados. O Nucleam de Ponta Grossa entregou em novembro de 2002 o estudo encomendado pelo Ministério Público sobre as causas da contaminação do manancial. O estudo aponta como causas atividades como agricultura, suinocultura, produção leiteira, gestão inadequada de aterro sanitário de municípios vizinhos, desmatamento e outras causas - nenhuma delas de responsabilidade da Sanepar. As algas podem provocar dermatites em pessoas que eventualmente utilizem a água bruta dos Alagados. No entanto, não é responsabilidade da Sanepar fiscalizar as atividades desenvolvidas no lago da Represa e tampouco no seu entorno. A Sanepar esclarece ainda que a empresa, nesta crise, é tão vítima quanto o meio ambiente que vem sendo desrespeitado. Porém, a companhia mantém sob controle as ações necessárias, garantindo totalmente a responsabilidade quanto à qualidade do produto que distribui e assumindo todos os custos, que apenas no ano passado ultrapassaram a soma de R$ 600 mil. Comunicação Social da Sanepar, Curitiba.

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