Reforma Agrária
Nesta última campanha presidencial, os movimentos sociais, principalmente o MST, somente foi lembrado nas críticas do candidato situacionista, exatamente para atingir seu oponente com forte ligação com esse movimento. Ou seja implicitamente o que o candidato do governo queria dizer é que o MST, por exemplo, é um aglomerado de delinquentes, desordeiros, anarquistas, como se nada tivesse a ver com a exclusão social que foram submetidos a quinhentos anos.
Ao contrário do que muitos pensam, Reforma Agrária não é coisa de comunista ou, muito menos, tomar propriedade de alguém. O que boa parte da população brasileira não sabe é que muitos latifúndios existentes no interior do Brasil são terras griladas, ou seja, terras que pertencem ao Estado e que foram apossadas ilicitamente por determinadas pessoas através da violência, corrupção política, etc. E são exatamente nessas regiões que está o estopim dos conflitos entre MST e fazendeiros. O Brasil é o único País do mundo, com essa dimensão territorial, que ainda não tem uma política agrária voltada para a produção e o bem-estar da população.
O México há cem anos fez sua Reforma Agrária; no Chile ela foi executada no período Pinochet; em Israel, por exemplo, existem as fazendas estatais com trabalho comunitário produzindo em pleno deserto; na Europa raramente se encontra propriedades com mais de quinhentos hectares, assim como na Coréia, Japão, etc.
Uma Reforma Agrária séria, com infraestrutura e apoio financeiro, não irá beneficiar somente os camponeses sem-terra, mas toda a população brasileira. Pois além de corrigir uma injustiça social, com certeza diminuirá o custo de vida da população urbanaa, principalmente, no quesito alimentação.
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM, Londrina

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