Salários dos deputados (I)
É um fato realmente revoltante abrir o jornal e ler o ''módico'' aumento concedido pelos deputados federais, adivinhem? À população? Não, infelizmente ainda não chegou a nossa vez. A eles mesmos. Fato mais admirável então foi a forma como este aumento foi votado. Faria inveja a muitos atletas de renome a rapidez na tal votação. Digna de menção no Livro dos Recordes. Outro ponto surpreendente foi como, às vésperas do Natal, conseguiu-se quórum para aprovação de tão vergonhoso projeto. Pergunto-me onde está a vergonha na cara e a consciência destes parlamentares que, durante todo o ano, não aprovaram projetos vitais para nossa sociedade como as já tão citadas Reformas Tributária e Administrativa, ou ao menos um aumento decente para o salário mínimo, pois passaram grande parte do ano discutindo a possibilidade de aumento do salário mínimo para o ''polpudo'' valor de R$ 240,00. Enquanto os ''pobres coitados'' não se contentaram em já estar ganhando R$ 8 mil com que, convenhamos, é realmente ''impossível'' sobreviver. Agora o que faremos nós com esta imensa fortuna de R$ 240,00? Questiono-me ainda, onde estavam os nossos representantes paranaenses? Alguns reeleitos, inclusive, e que deveriam rechaçar tal indecência como um aumento deste patamar. É com grande desapontamento que vejo como todos ficaram oportunamente calados e consentiram no aumento. Não há outra palavra para exprimir tamanho sentimento de revolta. Talvez seria a hora de os parlamentares pedirem ao ''Papai Noel'' neste Natal um frasco tamanho família de vergonha na cara. Com certeza, com R$ 12 mil, será possível comprá-lo.
LIDIANE CLAUDIA SIMÕES, Londrina
Salário dos deputados (II)
Assim como eu, acredito que grande parte de nossa nação está indignada com a decisão dos Deputados e Senadores em aumentar os seus próprios salários. Num momento em que a sociedade demonstra o anseio por mudanças, visto o último resultado das urnas, isto é inadmissível. Ao mesmo tempo em que se fala em combater a fome no País, estes ''elementos'' que se dizem políticos simplesmente aumentam em 50% os seus já elevados salários, numa votação simbólica que durou menos de 2 minutos. Mal se lembram que, ano passado, os professores das Universidades Federais e algumas estaduais (incluindo a UEL) tiveram que lutar durante seis meses pela mesma causa e que, além de não atendida, ainda tiveram de ouvir de deputados da região que o aumento exigido pela classe era demasiado. É difícil acreditar que estes mesmos ''elementos'' voltam à mídia para dizer que não há verba para aumentar o salário mínimo para mais de R$ 240,00. Não é somente uma questão de valores, é uma questão de moral, de ética. Aproveitam-se de um momento em que a sociedade está desarticulada (fim de ano) e que as atenções voltadas para a questão política são pequenas. Pergunto: Por que este aumento ou, ao menos, a discussão, não se deu antes das eleições? Por que esta discussão não se deu num cenário de greve dos professores? Será que é por medo, ou por pura má-fé? Certamente não é por motivos legais, pelo simples motivo de que são eles quem fazem as leis. Agora, além da questão moral, também existe a questão dos valores. Somado os aumentos dos deputados federais, senadores, dos deputados estaduais e vereadores (que certamente não deixarão por menos), num cálculo aproximado, isto representará um gasto adicional de R$ 150 milhões por mês (conforme divulgado no Jornal da Globo que foi ao ar no dia 18/12/2002). O que daria para se fazer com isto???
MARCIO CRUZ, Londrina.
Salário dos deputados (III)
Os ''canalhocratas'' do Congresso Nacional se apressaram em lhes outorgar um aumento salarial de 54%, no apagar das luzes do Governo FHC. Sequer cogitaram que o funcionalismo público amarga um jejum salarial de oito anos, tripudiando sobre a aviltada Constituição Federal! As centenas de emendas do orçamento, que regurgitam com afinco, são para cevar seus currais eleitorais, usando o erário público para garantir sua reeleição ''per omnia seculo seculorum...''. Assim, não posso de deixar de sentir o mais solene asco do Congresso Nacional. Não passa de um refinado Clube de Canalhocratas! Um balcão de negócios para se locupletarem ano a ano, enquanto o povo deste País amarga o resultado das falcatruas que lá acontecm, descaradamente, à luz do dia, com a mídia trombeteando para quem quiser ouvir, sem o mais ínfimo resquício de decoro!
ANTONIO DONATZ RIBEIRO DA SILVA, Curitiba

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