CARTAS
Museu faraônico
A mídia, a Folha inclusa, foi extremamente superficial, injusta mesmo, no enfoque ao NovoMuseu de Curitiba. O que se deu ali, foi um encontro histórico da maior grandeza, dois fatos raros: a aurora do tempo novo, no ocaso de reinados inesquecíveis. De um lado, o faraó de todos nós, eterno prefeito do único primeiro mundo do terceiro mundo, inaugurando sua ''grande casa''(faraó quer dizer exatamente isso em egípcio antigo). De outro, o rei-sol, mal contendo as lágrimas pela perda das mordomias e inacabáveis viagens em que explicava as coisas ao mundo. No meio, o olho implacável do museu, fitando desprezivelmente todos nós, incuráveis borocoxôs, ignorantes pagadores de míseros 14 milhões de dólares, resmungantes e rezingantes, a chiar sobre alunos amontoados em salas de aulas desumanas em meio a 432 escolas fechadas (por falta de alunos), estradas com 14 milhões de buracos. Ainda bem que o palácio faraônico é caolho, tem só um olho. Se o faraó resolve fazer a coisa a la binóculo, mais vacas iriam para o brejo.
LINCOLN BRASIL E SILVA (médico), Londrina
NovoMuseu
O NovoMuseu custou só US$ 14 milhões de dólares (R$ 49 milhões)! Este custinho daria certamente para readequar boa parte das rodovias intransitáveis. Só irresponsáveis fazem afirmações tão descabidas e constroem pirâmides em momentos tão delicados quanto o que estamos vivendo. Espero que o museu em forma de olho tenha o propósito de alertar os brasileiros para nunca mais votarem em homens do naipe dos senhores FHC e Lerner.
UESLEI TEODORO (professor), Maringá
Indignação governamental
Sou admiradora das artes e da cultura brasileira que é riquíssima, no entanto, considero inadmissível um gasto de US$ 14 milhões para a construção do NovoMuseu. Penso que o sr. governador do Paraná está mais preocupado em resgatar a sua popularidade do que em sanar problemas sociais considerados prioritários como a fome e o desemprego. De acordo com o estudioso agrônomo Mauro Del Grossi, ''existem quase dois milhões de paranaenses abaixo da linha da pobreza'' e isso parece não sensibilizar as autoridades. Fome para valer! Desemprego e desespero! Infelizmente é o que vemos hoje no Paraná e no Brasil.
ELOISA BALAROTTI (odontopediatra), Londrina
Padre Dirceu
Foi com muita perplexidade que li na seção de cartas deste jornal sobre a nomeação do padre Dirceu Luiz Fumagalli para a Secretaria do Meio Ambiente. Lamentavelmente, constatei que ainda há concepções equivocadas que somente vem para contribuir e reforçar uma visão dualista: céu e terra, profano e sagrado, igreja e sociedade, fé e política, o que não ajuda em nada na formação de um novo homem, de uma nova mulher, e de uma nova sociedade, mais integrada em suas dimensões e valores. Quanto ao padre viver do dízimo, há um equívoco: quem tem condições de avaliar são seus próprios paroquianos. Os que o conhecem em sua militância sabem que seu trabalho e sua atuação estão presentes em diferentes espaços.
ROGÉRIO NUNES DA SILVA (coordenador paroquial da pastoral de juventude da Paróquia Jesus Cristo Libertador e estudante da UEL), Londrina
Padre na Sema
No dia 24 a leitora Marcia Caroline Portela Amaro escreveu carta contestando a nomeação do padre Dirceu Fumagali para a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) de Londrina. Conhecemos a atuação do padre Dirceu à frente da Comissão Pastoral da Terra, da Central Única dos Trabalhadores e da Associação Projeto de Educação Assalariados Rurais Temporários Apeart. O meio ambiente é preocupação cotidiana de sua atuação. Aliás, está na pauta do dia na agenda nacional do PT, prova disso é o prêmio mundial conquistado pela prefeitura petista de Maringá. Ter um padre, como o Dirceu, na Secretaria não nos revolta, enche-nos de esperanças.
ROBERTO DE PAULA (estudante), Londrina
Correção
- Na matéria ''Dez menores são apreendidos em um dia'', publicada ontem no Caderno Cidades, uma informação saiu truncada. Na verdade, os cinco jovens acusados de assaltar um salão de beleza no Conjunto Parigot de Souza (zona norte) foram localizados porque a bicicleta utilizada no crime estava numa casa no jardim Alto da Boa Vista (zona norte), e não porque um roubo havia sido cometido nesta residência.
- Diferentemente do publicado na matéria sobre o Canal da Música, na edição de quinta-feira da Folha2, o órgão não é uma Organização Social de Interesse Público (Osip) e a secretária Monica Rischbieter não acumula a presidência. A Associação Canal da Música, sociedade civil sem fins lucrativos, destinada à promoção da música e da cultura no Paraná, desde o final de setembro, é administrada por um Conselho presidido pela produtora Ragnhild Borgomanero.





