CARTAS
Veículos que oferecem perigo
Depois de arrombada a porta coloca-se a tranca diz o ditado popular. O ensinamento não faz jus à sabedoria, que recomenda constante vigilância e as medidas de prevenção, para evitar consequências desastrosas. Depois da tragédia com o ônibus de turismo, que deixou 5 pessoas mortas e 36 feridas, houve um despertamento para as precárias condições em que centenas desses veículos circulam, no Paraná e de resto em todo o Brasil transportando passageiros comuns, turistas e escolares. No último caso, as prefeituras adquirem a baixo custo ônibus já sucateados e os colocam a serviço do transporte de estudantes, inclusive no horário noturno, quando o perigo aumenta. Foi preciso o sacrifício de vidas para uma tomada de consciência dos poderes encarregados da fiscalização.
Mas não são apenas os ônibus e sim também caminhões, sobretudo de transporte doméstico de cargas e os utilizados na zona rural, onde também bóias-frias são transportados, como frequentes casos de tombamentos, assim como outros veículos que fazem serviço de frete e uma enorme quantidade de automóveis que, pelas condições de risco em que se encontram, deveriam ser retirados de circulação. Em alguns países, veículos nesse estado são proibidos de trafegar, e para eles não é mais concedida licença. No Brasil, onde o automóvel passou a contemplar também a classe média-baixa que pode comprar carros baratos surgiu paralelamente o problema do risco que esses veículos oferecem, sobretudo pela insuficiência de potência, de freios e dos comandos de direção.
O que passou a ser um benefício e uma realização pessoal para quem sempre desejou ter um carro, converteu-se também em perigo para os próprios condutores e passageiros e para outras pessoas, se esses veículos são velhos demais. Por acréscimo, essas sucatas causam transtorno para a fluidez do tráfego, pelos constantes enguiços e muitas vezes por falta de combustível, face à situação econômica do proprietário. Se o primeiro passo é a fiscalização rigorosa sobre os ônibus que fazem o transporte escolar, passageiros regulares e turistas, a ação seguinte deverá ser a invalidação dos veículos que não oferecem segurança. Numa era de popularização do veículos automotor, que foi um sonho acalentado por aqueles que imaginavam nunca possuir um, há que rever as consequências e disciplinar o uso de uma máquina que pode ser mortífera. Se o Brasil tem, no geral, uma população de poder aquisitivo baixo, não se justifica a circulação de veículos inseguros só porque baratos e de alcance das camadas populares. Proteger os cidadãos é dever do Estado, e se leis pertinentes não existem, elas devem ser criadas e adotadas com rigor.





