Infrações do poder
público no trânsito
Se os condutores de veículos cometem infrações de trânsito, o poder público as pratica na mesma intensidade ao não manter as ruas e estradas em boas condições de tráfego, ao não colocar sinalização adequada, ao não regular semáforos, ao não postar guardas nos pontos estratégicos em determinadas horas e ao não promover estudos para solucionar os problemas do sistema viário. Se existem os motoristas imprudentes e irresponsáveis, o poder público é também um grande infrator, e reincidente, porque conhecedor das atribuições que lhe cabem mas não as executa, deixando que as consequências se repitam. E sobre ele não é aplicada nenhuma sanção, mesmo que suas negligências resultem em mortes ou danos físicos e materiais.
Reportagem publicada ontem neste jornal mostra o elevado número de infrações cometidas pelos motoristas, em Londrina, mas esta é uma cidade com sistema de tráfego ainda primitivo, misturado com modernidades, algumas mal utilizadas. Com quase trinta anos de atraso, depois que Maringá o inventou e o adotou com êxito, o semáforo de sete tempos acabou instalado em Londrina, mas está ainda fora de sincronia em seu próprio segmento, porque vai bem até quatro ou cinco quadras e a seguir é interrompido, ao iniciar-se a sequência seguinte.
Londrina ainda utiliza as antigas geringonças de três tempos, responsáveis por grande número de multas, pois o motorista não sabe o momento exato em que o sinal vai fechar. Quando o carro acabou de passar a luz já está no vermelho, e aí o guarda o multa. Estes são, em grande parte, os casos de motoristas multados por uma culpa que não têm, eis que a falha é do sistema. Às vezes ocorre de as lâmpadas dos semáforos estarem queimadas, e aí o caos se implanta, com enorme perigo. O semáforo, em certos pontos, está colocado sobre a cabeça do motorista, quando deveria estar em frente, no outro lado da rua, até por medida de economia dos cofres públicos, pois não seria necessária a duplicidade dos postes laterais.
Não existe semáforo para o pedestre em alguns pontos, que assim nunca tem a sua vez e está constantemente sujeito a atropelamentos. Os sinais ficam fechados em demasia para as ruas de escoamento, que são as vias-tronco e por isso deveriam ter o fluxo facilitado. São comuns, no horário de pico, filas paradas de até três quadras, diante do semáforo, enquanto pela transversal não há veículo nenhum. Orientadores de trânsito não existem para disciplinar o tráfego, mas eles são vistos em outros pontos com as cadernetas para multar. Faz tempo que não se faz, em Londrina, um estudo do tráfego para conhecer necessidades de fluxo, de estacionamento, de vias simples e duplas. Em face do sistema desordenado, aumenta o consumo de combustível, com tantos veículos parados diante de semáforos desregulados entre si, ou desnecessários, e também o número de acidentes. Houvesse empenho do poder público em evitar suas próprias infrações, o tráfego fluiria mais facilmente e sem tanto nervosismo e acidentes.

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