CARTAS
Pobre povo brasileiro!
A especulação financeira elevou o valor do dólar a quase quatro reais e fez o governo aumentar a carga tributária para tentar reduzir o seu déficit. Quem está pagando por isso? O povo.
Com o aumento do valor do dólar, as empresas que se beneficiam da cartelização da economia repassaram tal aumento aos preços de seus bens e serviços: gasolina, diesel, luz, água, telefone, gás, remédios, tudo. Isso porque, segundo essas empresas, o dólar é a base para a determinação de seus custos. Quem paga por esses aumentos? O povo.
O povo é um coitado que sofre duas vezes. Sofre com o governo que aumenta os seus impostos para cobrir o déficit público. Sofre com as empresas que comandam o mercado, para poder consumir os produtos dos quais todos somos dependentes. As empresas que não fazem parte da elite cartelizada não sabem o que fazer. A cada dia que passa, acumulam mais e mais prejuízos porque não conseguem repassar a seus preços esses aumentos. A economia que abastece o mercado interno entra cada vez mais em profunda recessão.
Quem sabe é a hora do Ministério Público entrar em cena e questionar se esses aumentos são efetivamente necessários ou se representam somente ganância e avidez por lucros. O aumento dos combustíveis, por exemplo, parece desnecessário. Primeiro, porque estamos além da auto-suficiência no setor de combustíveis (exportamos gasolina e óleo diesel abaixo do preço praticado internamente) e, segundo, porque a Petrobras apresentou lucros acima da média nacional no primeiro semestre deste ano.
O povo brasileiro e as empresas, que não possuem ''agências reguladoras'' que autorizem aumentos, estão pedindo socorro. Quem sabe agora, com o novo governo, as coisas comecem a funcionar de outro modo. Acreditamos que haverá uma nova postura. O governo não deixará de intervir sempre que as decisões particulares se sobrepuserem aos interesses nacionais.
SALÉZIO DAGOSTIM (contador), Porto Alegre
Pra que diploma?
Se a intenção da juíza, da 16 Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, Carla Abrantkoski Rister era de aparecer, conseguiu. Pelo menos é o que parece quando alguém mexe em um formigueiro quieto e tranquilo, e sabe que dentro dele está cheio de formigas. Pra que mexer? Assim aconteceu com os jornalistas brasileiros, que passaram um tempo de suas vidas se aprimorando na sua profissão e que de repente qualquer candidato a bom redator pode substituí-lo, porque tem ''liberdade de expressão'', como diz a juíza em sua carta. É claro, somos livres, mas é inquestionável o aprofundamento teórico, prático e ético que o jornalista tem. Um especialista em automóveis, que poderá escrever na seção de carros, mal sabe que deve ouvir fontes opostas para redigir sua matéria.
A juíza se defende, em alguns momentos, dizendo que o povo brasileiro não tem muito acesso ao curso superior, por problemas sócio-econômicos. Ao invés desse conformismo ela, bem que poderia, incentivar tais pessoas a procurarem o estudo, sugerindo algum plano excepcional que atenderia toda a demanda de estudantes do país.
O leitor merece respeito e precisa que alguém de confiança escreva matérias que ele irá ler. E isso o jornalista consegue por meio do diploma, que comprova sua aptidão.
Mas, não podemos analisar esta situação sem tirar algo de positivo. Talvez, este seja o momento em que deve-se discutir, não o diploma, e sim a maneira com que se emprega o curso de Comunicação Social nas universidades. Na verdade, quatro anos é muito tempo para formar um jornalista. Se, de repente, o acadêmico estudasse dois anos de conhecimentos gerais no jornalismo e, após isso, escolhesse uma especialização para fazer, em rádio, TV, jornal impresso, fotografia, nas áreas de cultura, esporte, policial, ou tudo, já seria um grande embasamento para entrar no mercado de trabalho que lhe daria a experiência. O problema do jornalismo enquanto estudo é que ele é muito mais prática do que teoria e o estudante precisa estar em contato com o trabalho, com o dia-a-dia.
É hora de pensar e agir, mas pensar pra frente. Há tanta coisa que precisa melhorar, se voltarmos atrás teremos trabalho dobrado até recuperar o tempo perdido. Queremos a solução e não o problema.
RAFAEL ARRUDA (estudante de jornalismo), Londrina
Ismael Salim
Na qualidade de leitor assíduo da ''Folha de Londrina'' lamento a falta de registro do passamento do sr. Ismael Salim, fervoroso torcedor e ex-dirigente do Londrina Esporte Clube não publicado por esse tradicional periódico. O sr. Salim era meu amigo nos tempos de juventude em Centenário do Sul, onde foi comerciante, atacante de futebol e era conhecido como ''Turcão''. Figura comunicativa e folclórica, era muito estimado nos meios em que militava, especialmente no esporte. Apesar de já decorrido algum tempo do seu falecimento, acredito que seria justo pelo menos um registro por parte deste jornal.
HENRIQUE GARCIA CORDOBE (aposentado), Paranavaí
Folha 54 anos
A Folha agradece os cumprimentos pelo 54º aniversário enviados por:
ÁGIDE MENEGUETTE (presidente da Faep), Curitiba; RENÉ RUSCHEL (jornalista), Curitiba; JOSUÉ CARLOS PRETTI, Carlópolis; SANDRA GRAÇA (vereadora), Londrina; GILBERTO JORDÃO (professor), Maringá; VALDIR DE CÓRDOVA BICUDO, Curitiba; SAÚDE SOBRE RODAS (Comércio de Materiais Médicos), Curitiba; MÁRCIO ARTUR DE MATOS (deputado federal), Curitiba; PERFECTA CURITIBA (Fornos e Máquinas de Panificação), Curitiba; ALESSANDRO DA CONCEIÇÃO (jogador do Atlético-PR), Curitiba; DEONILSON ROLDO (secretário de Estado da Comunicação Social), Curitiba; FRANCISCO BOSQUÊ NETO (Papresa S.A.), São Paulo; HERMAS BRANDÃO (deputado estadual), Curitiba; TIEKO KANASHIRO NAKAGAWA (diretora do Sesc), Cornélio Procópio.
Correção
- Na legenda publicada na página 7 da edição de ontem da Folha Cidade, a ordem correta das pessoas que aparecem na foto é: João Batista da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina, Omar José Gomes, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres, e Epitácio Antonio dos Santos, presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Paraná.





