Alca, sim ou não?


O brasileiro mudou para melhor. Após eleger o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva com 60% dos votos para a presidência da República, a população externou explicitamente o estado desta mudança. Sem entrar no mérito da discussão partidária, o voto maciço num líder de esquerda é um ótimo indicativo da maturidade política que visa dar oportunidade a todos, seja doutor ou metalúrgico. Enquanto o povo trabalha se volta ao PT na esperança de alcançar a verdadeira soberania nacional.
A soberania nacional é um dito muito valorizado no primeiro mundo. Significa um poder supremo sem restrição ou neutralização interna. Baseado neste conceito é que 10 milhões de brasileiros disseram não à inclusão da Nação à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em plebiscito realizado no início de setembro em todo o País pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). O resultado das urnas reflete uma posição consensual entre os diversos setores da sociedade de que a Alca, pela maneira imposta, é altamente prejudicial ao Brasil.
Para os defensores, a Alca traria o fim da restrição à circulação de mercadorias, serviços ou capitais. Mas os produtos importados mais baratos acarretariam dificuldades ainda maiores para as fábricas e empresas brasileiras. Segundo estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria, caso o Brasil entre na Alca sem exigir um tratamento igualitário, tais como tarifas e legislação sanitária comum, é inevitável a queda anual de US$ 4 bilhões na exportação de produtos agrícolas para os Estados Unidos.
Para cada bilhão de dólares exportados, o País gera 60 mil empregos. Com a perda de US$ 4 bilhões anuais na pauta de exportação haverá 240 mil empregos a menos, agravando ainda mais a nossa frágil situação. Propõem-se a revisão dos termos das tarifas externas abusivas, dos mecanismos compensatórios, das exigências da legislação sanitária e do protecionismo dos subsídios agrícolas.
Para o presidente Fernando Henrique e os ministros Celso Lafer e Sérgio Amaral, o Mercosul é um destino e a Alca uma mera opção, podendo não ser concluída caso as concepções americanas não mudem e concessões não sejam feitas. O presidente eleito Lula manifestou opinião semelhante.
Hoje a Alca nada mais seria que uma extensão da hegemonia norte-americana no Brasil. No tempo em que se passa pela fase de estabilização econômica, deve-se optar negociar com o Mercosul e com a União Européia. Ao futuro governo a promessa de que a sociedade civil será ouvida nas decisões. A ela o direito de dizer: por enquanto não.

LUIZ BALBINO DA SILVA JÚNIOR (estudante), Maringá



Ser ou não oposição


Lideranças do PMDB, PSDB e PFL dizem que serão oposição liberal, responsável e sistemática. Entendemos que ser oposição é apenas um substantivo e não oposição com adjetivos. Percebe-se que, na verdade, estes adjetivos são apenas sinais de quem está esperando apenas algum sinal do novo governo para ganhar algum cargo ou retorno e ajudar na sustentação do novo governo federal. É notório e sabido que os partidos políticos não têm controle sobre seus parlamentares. Exemplo disso são deputados que já mudaram de partido por diversas vezes em direção ao poder, como naquela frase do falecido deputado paulista ''é dando que se recebe''.
Ouvi um líder do PFL dizer que o Lula será um PFL muito antes que povo imagina. Mas pelo passado do PFL entendo ser bem ao contrário, pois este partido sempre foi poder.
Já no PMDB, existem três no Brasil: o da Executiva Nacional, que sempre foi poder; o do senador (agora eleito governador) Requião, com a linguagem do PT; e o do senador José Sarney, que é do partido apenas por casuísmo, pois na verdade ele é e sempre foi PFL.
Por outro lado não sabemos quais os rumos a serem tomados pelos integrantes do PSDB, que ficarão fora do novo governo e todos no fundo gostariam de ser Lula-lá.
Nota-se agora as humilhações de deputados estaduais, pedindo arrego para fazer parte do poder, demonstrando não ter compostura nem ideologia própria. Os eleitores que neles votaram são apenas um detalhe!

NELSON CARLOS FERREIRA (servidor público estadual), Barbosa Ferraz



Ganância infecciosa


Não sei se alguém ainda se lembra da frase na qual o ex-ministro Sérgio Motta usou pela primeira vez a expressão ''masturbação sociológica''. Acho que ninguém definiu melhor do que ele o blablablá desse pessoal que estuda e pretende resolver as questões básicas dos direitos humanos, travando longas discussões sobre o salário-mínimo, a qualidade de vida, a segurança e a saúde pública do nosso povo, nos círculos oficiais ou em certas rodas acadêmicas. Só com palavras. Ele dizia que esse pessoal não ia resolver nada, estava apenas praticando uma espécie de ''masturbação sociológica''.
Agora, o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, resolveu denunciar os verdadeiros culpados pela miséria que assola o nosso planeta: trata-se dos gananciosos. E, com a autoridade que tem, resolveu também classificar esse tipo de ganância. É uma ganância infecciosa, uma doença que contamina a todos em todo o mundo.
Lembrei a ''masturbação sociológica'' porque define perfeitamente o gesto erótico dessas pessoas que se contentam em apenas discutir ou até mesmo denunciar a situação de miséria em que vive a grande maioria do povo brasileiro. Sérgio Motta deve ter se referido, principalmente, àqueles que têm obrigação de planejar e executar as ações do governo.
Mas quem leu a declaração do presidente do Banco Central norte-americano e o artigo do professor Lester Thurow, publicado na imprensa mundial, sabe agora que todas essas necessidades das populações miseráveis jamais serão resolvidas se dependerem do arrefecimento dessa ganância infecciosa que, infelizmente, não é só dos banqueiros, industriais e especuladores norte-americanos, mas de todos os gananciosos que exploram a vida e a boa-fé da população pobre em todos os países.
E no Brasil, as denúncias feitas, os processos abertos, as condenações sentenciadas, os banqueiros que receberam dinheiro público para não falir, os políticos que enriqueceram ilicitamente e os empreiteiros que confundiram seus negócios com as negociatas oficiais já demonstram que a ganância é mesmo infecciosa e atinge todos os escalões da sociedade.

VALDIR DE CÓRDOVA BICUDO, Curitiba


Correção

- Diferentemente do que informou a edição da Folha do Consumidor do último sábado, a telefonista Márcia Adriana Fernandes Leonel, que perdeu R$ 2.400,00 ao adquirir uma falsa carta de crédito contemplada do Consórcio Tedesco, reside em Rolândia e não em Arapongas como foi noticiado.

- Ao contrário do que foi publicado na edição de ontem do Plantão de Esporte, o Coritiba venceu o Paraná Clube por 2 a 0.

mockup