CARTAS
O trabalho do menor
Antigamente existia a carteira de trabalho para menor. Quando um adolescente trabalhava era registrado como aprendiz e ganhava meio salário. Muitos menores trabalhavam durante o dia e estudavam à noite. É certo que muitos não conseguiram cursar uma faculdade, porém a maioria se tornou ótimos profissionais. Muitos destes menores aprendizes, ao atingirem a maioridade, conquistaram um lugar no mercado de trabalho graças às lições apreendidas na sua juventude.
Os aprendizes de ontem são os profissionais de hoje, em diversos segmentos, muitos se destacam em suas profissões, mecânicos, eletricistas, marceneiros, vendedores e, não raro, muitos são empresários bem-sucedidos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei nº 8.069, prevê a figura do menor aprendiz e regulamenta a possibilidade do trabalho do menor de 18 anos. Apesar disso, são poucas as oportunidades para os meninos que querem iniciar o aprendizado de uma profissão. Existem poucos incentivos que estimulem a prática. Não seria interessante a criação de um salário mínimo específico para menores aprendizes? Quem sabe a criação de incentivos fiscais para as empresas que realizassem este tipo de contratação? Outra medida que poderia possibilitar e facilitar uma maior contratação de menores seria a redução dos encargos sociais nesse caso específico.
Acreditamos que o investimento no futuro dos nossos jovens é muito importante. Devemos criar oportunidades para que eles cresçam e estejam preparados para o futuro. Muitos jovens quando atingem a maioridade não conseguem emprego, pois não estão preparados para o mercado de trabalho, que exige cada vez mais experiência e conhecimento técnico.
Mais do que o aprendizado de uma profissão, o incentivo à contratação de menores aprendizes é uma lição de vida. Pois todos os menores que tiverem possibilidade de trabalhar, aprenderão a respeitar o próximo e, consequentemente, serão respeitados.
TOCHITANE MITSI, Londrina
Cidade real
O filme Cidade de Deus está impressionando as pessoas com as cenas de violência e a organização do poder paralelo (é só um filme). Em Londrina a 10 quilômetros do centro, no Jardim Campos Verdes, chefes de família, mulheres e crianças, foram expulsos de suas casas por bandidos organizados que promoveram terror impedindo que os moradores voltassem para suas casas. Perderam mais do que tijolos e cimento, perderam seu canto. Londrina tem juízes, promotores, polícia federal, polícia militar, polícia civil, e o que essa gente fez para garantir o direito de cada cidadão que foi expulso? Isso está acontecendo aqui e é real. O resto é discurso, é balela.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário), Londrina
Tempo para Lula
Passado o susto inicial de ver o povo levar um brasileiro, um Silva, ao mais alto posto de comando deste país, os políticos de plantão já começam colocar as manguinhas de fora. É bom lembrar, no entanto, que o povo brasileiro deu a maior demonstração de politização elegendo Luiz Inácio Lula da Silva, concordando com a mudança do continuísmo. E é da mesma forma consciente que os milhões de eleitores estão atentos a tudo que se passa em volta do ''seu'' presidente eleito. Os brasileiros já sabem o que é oposição, mesmo que seja denominada de ''oposição responsável'', quando parte de velhos integrantes da política do País.
Os questionamentos começam em torno da fixação do novo salário mínimo. Há que se dar tempo, de pelo menos o novo governo assumir, se inteirar do que pode o País aguentar ou não, para depois pensar em correção do mínimo. Afinal, se o governo Fernando Henrique Cardoso pôde sacrificar o povo brasileiro por oito anos em nome da estabilidade, por que Lula, que tem o maior respaldo de votos da história do País não pode ter este tempo? De outro lado lembremos a promessa de Serra que era de R$ 300 reais para o mínimo ao longo de quatro anos. Ou seja, a cada ano aumentaria R$ 25.
Dizem que Lula terá dificuldade de implementar 10 milhões de empregos. Nós brasileiros concordamos, não somos ignorantes a ponto de não perceber as dificuldades pelas quais passa nosso país. E que para gerar empregos é preciso retomar o crescimento. E é nisso que apostamos no novo presidente. Até porque, Lula não prometeu 10 milhões de empregos. Ele diz que o Brasil precisa deste número de postos de trabalho e que tudo fará para atender a necessidade.
ILONI RODRIGUES (jornalista), Cascavel
Dúvidas sobre o poder
Lendo a Folha como faço diariamente, deparei-me com duas matérias que me chamaram atenção. A primeira foi que o nosso recém-eleito à presidência é o presidente do povão, que agora com ele no poder o Brasil terá jeito, pois é um homem do povo, e que já passou por dificuldades e quase tudo que a maioria dos brasileiros passa e um pouquinho mais, e que é um lutador, pois quem conhece a história dele sabe das suas lutas até os dias de hoje, e que o Brasil precisava de um governante do povo. Porém, virando a outra página do jornal vejo uma outra notícia, só que vinda do exterior, dizendo que Lula terá problemas para governar devido à falta de integrantes do PT no Congresso. Então, pergunto: quem irá nos ajudar? Pois mesmo com um presidente do povo se ele não terá autonomia suficiente para mudar as regras do jogo, como será então? Tem alguém neste país que possa responder?
EGLAIR MACHADO XAVIER, (estudante), Londrina
Elogio a um magistrado
Em 1993 a Justiça Federal foi instalada no antigo prédio do IBC, na Avenida do Café, nº 543, Bairro Aeroporto. Em de julho de 2001, escolhido pelo Conselho de Administração do Tribunal Regional Federal da 4 Região, dr. Gilson Luiz Inácio assumiu a direção do Foro, promovendo uma série de mudanças quanto à estrutura administrativa e funcional do prédio que conta com um auditório com capacidade para 280 pessoas, um espaço histórico e privilegiado que estava entregue ao esquecimento. Este auditório foi inaugurado em 1970 com o espetáculo teatral ''Exercício de Lewis'', com Rubens de Falco e Glauce Rocha. Dr. Gilson, ao assumir a direção do Foro, demonstrando respeito e preocupação com a preservação do patrimônio histórico e cultural, considerou importante restaurá-lo e devolvê-lo para a comunidade como mais uma opção para congressos, palestras e leilões da área jurídica e também para eventos culturais.
O auditório foi reinaugurado recentemente e uma parceria com a Caixa Econômica Federal possibilitou a instalação de ar condicionado, valorizando ainda mais a sala. A agenda do auditório promete série de atividades jurídicas e culturais, promovendo a aproximação e integração de toda a comunidade. Na qualidade de produtora cultural cumprimento dr, Gilson Luiz Inácio pela nobre iniciativa e compartilho com toda a comunidade a felicidade de contar com um juiz federal no qual, com tranquilidade, depositamos nossa confiança, respeito e admiração. Parabéns ao dr. Gilson Luiz Inácio!
VIVIANE ELOY (produtora cultural), Londrina





