CARTAS
Planeta Água
Mesmo conscientes de que a disponibilidade de água está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e social, a história é testemunha de que há tempos os rios, o solo e as florestas foram maltratadas, devido ao desmatamento que é uma das causas, que influenciaram até nas mudanças das chuvas. Deveriam criar leis mais rígidas que protegessem os reflorestamentos, pois é uma questão de vida ou morte de um planeta onde o oxigênio é tão necessário a toda forma de vida.
É urgente tomar medidas que reduzem o desperdício. Uma alternativa tem muito a ver com a forma que se cobra a taxa mínima. Paga-se uma certa quantia e se pode gastar até um limite, logo, a pessoa que não tem noção do perigo da escassez imagina se paga por 10 metros cúbicos por que irei gastar 5 metros cúbicos? Imagina se a pessoa pagasse somente o que gastasse, seria uma forma com certeza de se preocupar em poupar.
Temos que achar soluções que coloquem o desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente, para isso é necessário que o governo, e todo mundo se organize, e principalmente possa contar com a ajuda de cada um de nós, interferindo de maneira positiva transformando este planeta em um lugar melhor par se viver.
JAQUELINE DE MELLO CASTRO (secretária), Assis Chateaubriand
O silêncio das bruxas
Passadas as eleições e o insustentável marketing eleitoral engalanado de bandeiras desferindo pendões e bordoadas no pedestre ao vento e sol de quase dezembro, vejo vias e esgotos entupidos de lixo reciclável, escuto o som poluente dos caminhões-tanque voltando para casa. Bruxas ainda demonizam vencedor e vencido do pleito desvairado. Coveiros do babilônico mercado eleitoral nunca trabalharam tanto ou foram tão requisitados nesses dias de ira na Salém democrática.
Resta agradecer aos garis templários por recolherem as cinzas de Fênix insepulta. Resta refletir sobre a esperança, a virtude teologal, nesses tempos de advento eclesial. Como numa quarta-feira de cinzas de carnaval em Santa Fé, agora deixamos de consumir, ou pelo menos reduzimos, por dogma do jejum sazonal, certos bens e serviços espalhados pelos marketeiros do novo Brasil jacobino.
Os caminhos políticos para solucionar os problemas do futuro não fazem parte do medo apocalíptico trombeteado sem arte por Regina Duarte, com direito à réplica da Paloma (Pomba) com arte, à tréplica de outra atriz murmurante, mas na recomposição ambiental do planeta desconcertado em decibéis uivantes, na desafinação fanhosa do coral sem maestro, na bateria dos pratos vazios do bumbo inflado, na fome de empregos no mercado do ausente deus-mercado. Onde está o Deus verdadeiro que não respondes?
O mito do consumo insiste na equivalência entre o tamanho da carteira de um homem e o seu valor como pessoa. Mentalidade, míope, tacanha, rastaquera, perversa, que precisa ser mudada. Não que deveríamos parar de consumir de poções de esperança, que realizam o feed back digestivo. O equilíbrio está, porém, ''ser'' e ''ter'', na ética global e planetária que respeite a ética individual na dimensão micro e macro do ecossistema sustentável.
Que os governantes se preocupem mais com o meio ambiente, que não apenas a água poluída, o ar irrespirável, a flora e a fauna devastadas, mas também com a poluição sonora amplificada, as vozes inextricáveis que impedem ouvir o silêncio dos surdos, os gestos melódicos da comunicação sustentável. Falo da necessidade de um projeto para coibir o marketing barulhento com a implementação de uma ecologia acústica, a redução decibelimétrica do ruído insustentável.
JOSÉ FIORI (jornalista), Curitiba
Arrogância americana
Quero parabenizar o senhor Lincoln Brasil e Silva, Itamar Franco, brasileiros como eu e tantos outros que ficam indignados com a arrogância e prepotência do governo americano e seus ''tagarelas de plantão '', como o senhor Paul O'Neill (secretário do Tesouro dos Estados Unidos). É oportuno nós brasileiros e, em especial, nossos governantes nos manifestarmos com dureza contra todas as provocações que nos fazem, mostrando a eles que quem manda aqui somos nós!
Vimos há alguns meses o constrangimento que passou nosso embaixador ao ser revistado dos pés à cabeça para entrar nos EUA. Quando vêm ao Brasil nem suas bagagens são revistadas! Sugam tudo que é nosso, como alguns projetos enrustidos de ecológicos na Amazônia, levando nossas plantas e depois nos vendem como remédios pelo preço que querem! Parabéns, Lincoln Brasil. A esperança do povo brasileiro está depositada nas mãos de Lula e sua equipe, pessoas conscientes, sãs, sabedores de suas responsabilidades, e ninguém de outro país prejudicará os nossos sonhos, mesmo aqueles que estão ''atrás da moita''.
EMILIO FELIPE DE MELO (professor), Cambé
Méritos de FHC
Como forma de antecipar uma justificativa para a eventual incapacidade e insucesso do futuro governo petista em governar o País e fazê-lo crescer e, consequentemente, de uma forma geral atender as necessidades e anseios de toda a população, o editorial da Folha, como não poderia deixar de ser - pois como todo jornal é sim tendencioso e, portanto, se opõe ou fica favorável ao atual governo -, mais uma vez condenou, de forma desequilibrada e inconsequente, a gestão de 8 anos do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O editorialista parece não ter a memória das melhores e, por isso, não se recorda, me desculpem o termo, do ''inferno'' que foram as èpocas de inflação no País, anteriores à administração FHC. Não reconhece os avanços que o Brasil teve sobretudo durante os primeiros quatro anos de seu governo. Procura distorcer de maneira perversa a imagem de FHC e de seu governo, que embora não tenha alcançado tudo que necessitamos, assim como nenhum outro irá alcançar, pois nem Jesus Cristo conseguiu agradar e satisfazer todo mundo, ao menos foi, na opinião de muitos e inclusive na minha, o melhor governo que o País já teve.
Somente o controle da inflação, ou melhor, o fim daquela perversa época inflacionária, confere inédito e inabalável mérito ao sr. Fernando Henrique Cardoso. Comparando em especial a vida de muitas daquelas pessoas simples que tive a oportunidade de conhecer e observar, incluindo também a de minha família e amigos próximos, e a vida que passamos a desfrutar após o combate à inflação, realizado com todo o mérito por FHC, devo fazer justiça a esse grande presidente que tivemos o imenso privilégio e orgulho de ter ao longo desses 8 últimos anos.
E, detalhe, de maneira consciente e convicta, votei em Lula porque acredito na necessidade de alternância de poder, e também por acreditar que todos de boa vontade mereçam crédito para demonstrar o que são capazes de realizar para que nossas vidas sejam cada dia melhores. Não votei para condenar o governo de FHC, pois seria para a minha consciência uma grande injustiça e hipocrisia.
RICARDO ALEXANDRE GARCIA, Londrina





