CARTAS
A vitória de Lula
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico que alcançou o posto máximo dentro da hierarquia política brasileira, sinaliza o período democrático que vivemos, ratificado pelo fortalecimento das nossas instituições. Num processo eleitoral, no qual nós, brasileiros, convivemos nas últimas semanas com a instabilidade econômica e as turbulências do mercado financeiro - dólar batendo a casa dos quatro reais - um líder oposicionista torna-se o 39º Presidente da República, com uma votação histórica, cuja vitória foi comemorada pacificamente nas principais capitais do País.
Com mais de 52 milhões de votos, Lula mostrou o quanto a organização de uma categoria pode conseguir feitos. Restrito aos pátios das montadoras na década de 80 e com um discurso totalmente parcial que beirava, em situações extremas, ao radicalismo, o PT ganhou representatividade, mas também sofreu mudanças.
Nestes novos tempos da política brasileira, em que se renovam as Câmaras de Deputados e Senado, além das novas administrações estaduais e federal, o varejo lojista de shopping center não pode ficar alheio a essas modificações. Devemos aproveitar o exemplo dado pela vitória de Lula, para mostrar o quanto a indústria de shopping centers pode e deve mostrar a sua força. Representando 26% de todo o varejo brasileiro e considerada uma das maiores geradoras de empregos em todo o País, chegou o momento de aglutinarmos forças também, a fim de acompanharmos de perto as mudanças e o impacto delas em nossa categoria.
NABIL SAHYOUN (presidente da ALSHOP - Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), São Paulo
Governo popular
Pela primeira vez na história do nosso país um torneiro mecânico, provindo da pobreza, sindicalista e lutador, chega à Presidência da República. Estamos felizes, emocionados. No domingo ensolarado, estamos meio confusos, meu Deus, esperamos que não seja tarde. Mas, nesta data histórica, como brasileiros sentimentalistas, nos pegamos em pleno choro. São lágrimas que caem de emoção ao assistir em todas televisões a figura deste Luiz da Silva, brasileirinho, baixinho, barbado, sei lá, uma figura que mexe no fundo de nosso coração, porque é um pai de todos excluídos da Nação! Que Deus te ilumine Lula. Queremos governar juntos, estar a seu lado, sendo solidários e discutindo juntos e opinando pelo melhor rumo que nossa Pátria caminhará a partir deste novo e legítimo governo popular. Que Deus abençõe o Brasil!
CÉLIO BORBA, Curitiba
Interesse nacional
Sou Lula desde criancinha. Ou melhor, sou Lula desde o momento em que ele foi eleito o Presidente do Brasil. Sou Serra e não abro, mesmo com a sua derrota nas urnas, porém apesar de não ter simpatia pelo PT, bem como pelo Lula, ele democraticamente e, por uma maioria esmagadora, foi eleito o nosso Presidente. Diante disso, temos que ser solidários ao seu governo e, não só, vamos também fazer parte de uma corrente nacional, que deve ser implementada de imediato, onde os interesses da nação brasileira deverão se sobrepor a qualquer outro. Vamos torcer para que Lula tenha um governo de pleno êxito e que oxalá, daqui a quatro anos possamos estar indo às urnas para reelegê-lo. Sucesso Brasil! Sucesso Lula!
ADONIRO PRIETO MATHIAS, Londrina
Brilha uma estrela
Domingo, o povo brasileiro mais uma vez escreveu a história de seu país, elegeu o novo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, talvez o único presidente eleito surgido do meio do povo. Começou sua carreira no ABC paulista, no movimento sindical ainda nos anos 60, porém no início dos anos 80 fundou o Partido dos Trabalhadores que, ao longo do tempo, se consagraria. É este homem com perfil diferente que governará o Brasil pelos próximos 4 anos, fica a seu cargo o futuro das pessoas, e seus sonhos, e ainda corrigir uma enorme dívida social, onde mais de 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha pobreza, cidadãos esquecidos condenados ao degredo. Se espera do Estado uma providência, caso contrário sua existência não se justificaria.
O voto em Lula também se confunde com o resgate da soberania, o resgate da dignidade perdida. O gigante sul-americano se tornou refém de mercados mundiais, o futuro de suas crianças ficou atrelado aos interesses de chantagistas internacionais. Seus velhos que o construíram, não podem ter uma velhice digna, porque se a dignidade for alcançada o sistema previdenciário quebra. Enquanto isso tem que esperar, quem já não pode mais esperar. A grande parcela da população, quer apenas trabalhar, que também se confunde com dignidade. O emprego é o equilíbrio da sociedade, através deste, o homem não busca tão só sua subsistência, mas a ocupação, daí a importância de salvar a sociedade dos imprevistos. Renovar as esperanças e acreditar num futuro justo para todos nós, e que todos resgatem a cidadania e justiça social.
SANDRO DA SILVA (estudante), Umuarama
Eleitor e consciência
Creio que nossa democracia está se mostrando consolidada e moderna, mas ela não pode parar de evoluir. Um regime democrático adequado não se resume às eleições e rapidez na apuração dos votos. É preciso que haja um real interesse em instrumentar os eleitores e fiscalizar os eleitos. As campanhas foram paupérrimas em idéias, filosofias ou compromissos concretos e riquíssimas em figurinos, aparências e cenários. Transformaram as eleições em telenovela, ou programa de auditório com platéia e tudo. Estamos sendo tratados como espectadores e não como atores neste processo.
Na esfera federal, como nunca, houve uma confrontação de idéias e não só de candidatos: Serra representou a versão, em vigor há 8 anos, do modelo político adotado há 40, baseado nos conceitos do século XVI. Lula representou a mudança, ainda que maquiada e amenizada por interesses eleitoreiros, de enfoque da política que enfatize os interesses coletivos.
Para o Paraná nos restou escolher entre dois ex-governadores malsucedidos, sendo Requião de comportamento previsível, ao contrário de Álvaro. Quantos foram os eleitores que votaram nos candidatos a vereador nas eleições anteriores analisando seus suplentes?
Passadas as eleições e independente dos resultados, devemos sair da frente dos televisores e exigir dos nossos representantes coerência e ética em suas atitudes, realizando as reformas fiscais, políticas, judiciais e sociais que tanto urgem. Esperar sentado pela ação isolada dos políticos, serve apenas para deixá-los mais livres dos compromissos e para aumentar as nossas decepções. Eleitores, abandonar os eleitos é que nos deixa órfãos.
RICARDO RALISCH (agrônomo), Londrina





