Cenário Econômico
A Folha de Londrina publicou ontem alguns cenários possíveis depois das eleições. É muito interessante essas informações. ''Com a dívida pública de R$ 650 bilhões, juros básicos de 21% ao ano, dólar a quase R$ 4,00 fica muito pequena a margem de manobra a curto prazo para a próxima administração''.
Com mais otimismo, e sem esperar do próximo governo atitudes radicais, o dólar deverá recuar a patamares civilizados, abaixo de R$ 3,00. Juros básicos de 21%, não condizem com a realidade, uma vez que poupadores e investidores já recebem quantias líquidas inferiores a 11% ao ano. Poupança em torno de 8,5%.
Acho que há pleno consenso de que os juros não deverão ficar acima dos lucros obtidos no setor produtivo, contudo não poderá ser inferior à inflação. Supomos que diante desse cenário, o futuro presidente irá assessorar-se de bons matemáticos, que irão equacionar e propor solução a esse tipo de problema, cuja dívida pública brasileira pela equivalência PIB, é menos da metade de muitos países ditos de primeiro mundo.
ANTONIO PEREIRA, Londrina
Juros sem inflação
Definitivamente não entendo o critério adotado neste País com respeito aos juros cobrados pelas instituições financeiras, com o aval dos nossos sábios todos-poderosos economistas do governo globalizado. O cidadão brasileiro tem uma vida econômica difícil. Se sobrar alguns trocados, aplica no grande investimento ''poupança'' tão decantada pelo governo, com rendimeto de 0,90 ao mês ou 12% ao ano.
Se por infelicidade precisar por doença ou outras razões usar o cheque especial, paga no mesmo período 120% a 180% de juros. Argumento principal dos bancos sobre estes valores, com a concordância dos nossos governos: contrato de riscos, inadimplência, etc, entenderam?
Vejam o contraste! Num país pobre a classe de banqueiros privilegiados é gritante. Notamos que em todas as privatizações, os bancos são os candidatos em potencial às aquisições. Aplaudidos pelo governo, tirando de nós, confirmando sua exploração em cima de quem precisa e, ainda sobre o pretexto de crise em nossa economia, o governo ajuda banqueiros corruptos, fugitivos do País, acobertados pelos nossos poderes constituídos.
Também não entendo este tipo de financiamento quanto mais se paga mais se deve. Fazendo coro à esperança, e sabendo que Deus é brasileiro, espero que ele bata na mesa e ilumine os governantes para mudarem este critério, dando mais alento à grande classe de sofridos brasileiros.
BENEDITO SILVA GIGLIO, Sertanópolis
Temos medo!
Realmente o leitor Marcelo Stopa não deixa de ter razão diante dos dias de tensão que estamos vivendo neste país, mas tanto quanto, não podemos deixar de salientar os medos e incertezas que suscintam o candidato do PT, com seu discurso totalmente renovado e sua experiência administrativa inquestionável. Sim, inquestionável, pois é fato que o sr. Luiz Inácio Lula da Silva não possui nenhuma experiência.
Tenho medo de que, há alguns meses, não ouço falar em nenhuma invasão de terras pelo MST, não há mais greves pelo País e, por isso, o medo se instala em minha pessoa, pelo fato de o PT, aliado histórico do MST, não ter moral nenhuma para segurar as invasões arbitrárias e ilegais às terras produtivas e de legítimo direito, como temos insistentemente visto nos noticiários, exceto nos últimos meses.
Tenho medo dos sindicatos e suas exigências, às vezes necessárias, porém não condizentes com a realidade das empresas, muitas vezes coerciva e terrorista com as empresas imputando prejuízos enormes às mesmas. Isto não é democracia nem diálogo .
Tenho medo, tenho motivos e, principalmente, tenho todo o direito do mundo e não será o PT, seus correligionários, partidários e políticos, com seus e-mails intimidantes fartamente distribuídos a todos os endereços do País, ou mesmo com matérias e discursos mais acalorados em tom fanático que irão me tirar este direito. Tenho medo sim e pronto! Agradeço muito a sra. e digníssima Regina Duarte por ter tido a coragem de dizer: ''Eu tenho medo!''
OSMAEL CHIAVELLI PUGA e MARÇAL SANTUCCI, Apucarana
Reforma agrária
Confesso que nunca votei no senador Osmar Dias. Mas tenho de concordar com suas afirmações na ''Folha de Londrina'' de que no modelo de reforma agrária adotado pelo governo Fernando Henrique, 40% das famílias assentadas abandonam seus lotes. Realmente, ninguém dá notícia da produção agrícola dos assentamentos. Ninguém sabe, ninguém viu. E sabemos que essa aventura já havia custado ao erário, até 2001, dezesseis bilhões de reais. Todos nós, contribuintes, pagamos nossa cota nesse imenso desperdício. O senador acaba propondo uma ação governamental semelhante à realizada aqui na região pela nossa Companhia Melhoramentos: vender a terra, a longo prazo, às famílias vocacionadas para a lavoura. Nada como um choque de bom-senso no meio de tanta tirada demagógica!
ÊNIO JOSÉ TONIOLO (Professor), Londrina
Crime da Copel
Comentando a matéria editada ontem, no Caderno Cidade, pág. 5, ''Copel vai responder inquérito por homicídio culposo'', gostaria de colocar que a pessoa jurídica não pode figurar como sujeito ativo em processo criminal pois, não possui capacidade para delinquir. Por ser o delito ação humana, não há dúvidas de que o sujeito ativo só pode ser o homem, ou seja, aquele a quem pode ser atribuída a prática de ação ou omissão que tem a configuração legal do delito. A pessoa jurídica diferencia-se da pessoa física por ser criação da lei e não da natureza, portanto, falta a essa os requisitos psíquicos da imputabilidade, não tendo esta a consciência e nem a vontade própria; por esse fato a pessoa jurídica não tem a capacidade penal, assim não podendo cometer crime. Ora, como poderia ser uma pessoa jurídica condenada a dois anos de prisão? O correto é dizer que será apurado o responsável pelo acidente; esse sim pode responder por homicídio culposo!
RICARDO AUGUSTO PASSARELLI FLORES (estudante), Londrina
N.R.: O leitor tem razão. A reportagem se baseou nas declarações do delegado-adjunto de Maracanã, Messias Antônio da Rosa, para escrever o texto. Mas ontem, em consulta a advogados, a reportagem confirmou que uma pessoa jurídica não pode responder a processo criminal, apenas civil.

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