Política e honra
Lamentavelmente, os homens públicos que assumem o poder não se pautam pela ética nem pela honradez. Na verdade, não são líderes, pois imploram por votos e são produtos de marqueteiros. Um dia, dizem horrores dos adversários, dizem que estes são ladrões corruptos, incompetentes e outros péssimos adjetivos. No outro dia, estão juntos trocando elogios. A grande verdade é que os políticos querem ser servidos pelas regalias, pelas benesses do poder. Deveriam ser patriotas, mas não. São, isto sim, desavergonhados, por isso não têm o respeito do povo. Poder sem honra, sem dignidade não é poder. A legislação eleitoral é tendenciosa, beneficia os mariolas.
A história registra os competentes e os incompetentes, os honestos e os ladrões. Os familiares, os descendentes, herdam a fama. A mídia deve mostrar à sociedade os bandidos punindo-os sem dó. Os verdadeiros políticos, os estadistas, devem ser reverenciados, são muito raros. Políticos inescrupulosos e incompetentes são a trava do Brasil.
FRATERNO MARIA NUNES (aposentado), Campo Mourão
O Brasil de Elias Maluco
Um dos mais famosos traficantes de drogas dos últimos tempos, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, 36 anos, preso pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, nada mais é do que um produto resultante do descaso com que são tratadas as questões que envolvem a enorme distância que separa as classes econômicas mais privilegiadas das menos favorecidas.
O contingente muito grande da população brasileira (são 53 milhões de pessoas, segundo as últimas informações divulgadas) que vive abaixo da linha da pobreza, cria terreno fértil para o aparecimento de tantos outros Elias Malucos, tornando o aparelho policial ineficaz para combater a rede de criminalidade criada dentro desses bolsões de pobreza.
Aliada à existência desta classe menos favorecida, a concentração urbana, decorrente da falta de política de desenvolvimento regional, faz nascer um verdadeiro encrave territorial habitado por essa classe social. Encraves territoriais que lembram muito o território dominado pelas Farc, na Colômbia. A realidade que não queremos admitir, nós mesmos a classe formadora de opinião, os intelectuais, as classes empresariais, os políticos da direita e os políticos da esquerda. Todos somos culpados desta situação.
E por último, sobre o episódio da captura de Elias Maluco, devemos considerar como vitória da sociedade, o lado do bem sobrepondo o lado mal, ou encarar como derrota do aparelho policial e do governo, que levou tanto tempo para prender um simples traficante de drogas? Devemos comemorar a vitória de quinhentos policiais contra um bandido ou sentir na pele a derrota por recentes episódios largamente noticiados, como o do presídio de segurança máxima Bangu 1?
O Elias Maluco, pelo menos, nos faz refletir sobre o futuro do Brasil, justamente na época que estamos para escolher o próximo dirigente do País.
OSAMI SAKAMORI (engenheiro civil), Curitiba

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