Justiça para Estela!
As entidades abaixo-assinadas vêm a público manifestar indignação diante da morosidade da Justiça em esclarecer os fatos que levaram à morte da professora de música Maria Estela Corrêa Pacheco. Há exatos dois anos no dia 14 de outubro de 2000 , a professora teve seu corpo jogado do alto do Edifício Diplomata, no centro da cidade.
O principal suspeito do crime, Mauro Janene Costa, declarou à polícia que ela havia se suicidado e depois mudou a versão dizendo que ela havia caído por acidente. Pelo exame do corpo e a análise da trajetória da queda, ficou claro que Estela já estava morta quando foi lançada pela sacada do apartamento. Dois anos depois do crime, a impunidade segue triunfando.
As entidades organizadas de Londrina exigem que a Justiça cumpra a sua parte na garantia do direito à vida e na aplicação das penalidades previstas em lei. O caso Estela não pode repetir a história de outras mulheres que foram assassinadas em Londrina enquanto seus algozes continuam impunes. Queremos Justiça!
CÁSSIA MARIA CARLOTTO (presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Londrina), Londrina. Assinam a carta outras 19 entidades.
Poluição em Arapongas
Folha de Londrina de domingo. Fico à espera no sábado e a leio madrugada adentro. Em meu bairro centro de Arapongas ficam indústrias de rações, canjiqueiras, farinheiras, silos, metalúrgicas... um verdadeiro arsenal sonoro noturno e diurno. Afortunados, os que conseguem dormir tamanho a barulheira nas madrugadas. Então leio a Folha e outros jornais.
De início o artigo de José Fiori ''O estresse e o câncer''. No decorrer do tempo vi o meu futuro e de todos os cidadãos desse bairro, afetados que somos por tanto barulho e poluição. Durante minha leitura estive acompanhada pelos acordes das indústrias no trabalho noturno. Um barulho comparado a uma centrifugação gigantesca com um sibilo estorvante.
No caderno Folha Gente leio a matéria de Nuno Cobra, que pode ser resumida em suas próprias palavras ''cultivar o sono em primeiro lugar'' ''o estresse não faz parte do homem''. E para que isso? Para o bem-estar humano.
Duas matérias ou estudos frisando um mesmo malefício, há parecer de médicos oncologistas. No entanto, creio que órgãos responsáveis, Justiça e empresários desconhecem essas normas, não sabem ou fingem não saber.
E estamos aqui nos bairros Aratimbó, Industrial, Baroneza, etc, sentindo já os efeitos desses barulhos diuturnos. Estamos adentrando na fase da surdez irreversível e outros males oriundos dessa tortura sonora. Crianças na faixa etária de 3 a 5 anos não querem mais visitar ou permanecer na casa dos avós, bisavós, amigos etc. desta região. Quando inquiridos pela recusa dizem que ficam com ''dor de ouvido'', de menor idade na plenitude da graça respondem ''fico dodói''.
E as indústrias não param anos a fio, nem aos domingos, quando muito permanecem num ponto morto e sibilos insuportáveis. Nem os cães toleram; uivam; pobres cães! Poder-se-ia dizer que essa tortura afeta todo o município de Arapongas, uma vez que colégios e escolas aqui existentes o representam em seu corpo discente.
Terminando a leitura da Folha (3h30) reli o artigo de José Fiori, não fiquei com os olhos marejados como os avós, bisavós... ao sentirem a ausência dos netos. Repensando em tudo e na morosidade da Justiça, ouvindo a terrível centrifugação a poucos passos de minha casa, sentindo seus efeitos confesso: - Debrucei-me sobre a Folha de Londrina e ... Chorei! Chorei!
SUAMÍ DE SOUSA (professora aposentada), Arapongas
Educação, família e sociedade
A primeira instituição social de ensino na qual nos deparamos quando nascemos é a família, porque esta é a que nos transmite os valores morais para que possamos viver como cidadãos na sociedade, ou seja, conhecendo nossos direitos assim como também nossos deveres. As diferenças de aprendizagem no âmbito escolar são causadas por diversos fatores, mas principalmente, pela desestruturação da família que sempre será a base fundamental para tudo o quanto a criança irá levar em sua bagagem cultural para a sua vida adulta.
O problema, porém, é que a falta de um governo sério, competente e realmente preocupado com os anseios sociais, aliado também à falta de representação política por parte dos parlamentares, tem causado a miséria de milhões de pessoas que não possuem nenhuma oportunidade para a sua realização profissional e deste modo poder exercer sua cidadania com plenitude e dignidade. Isto significa que a desestruturação da família como instituição social é causa e consequência da falência de outras instituições, como o governo, o estado.
Se tudo isto não bastasse, é imprescindível mencionar sobre as redes de televisão que se incumbem de deturpar os verdadeiros valores morais por meio da transmissão dos piores programas da atualidade. Entendo, no entanto, que uma campanha nacional de educação com a participação de toda a sociedade civil organizada, com o objetivo de boicotar esses programas poderia chamar a atenção de nossos governantes para o problema em questão. Afinal de contas, temos que ter pelo menos o direito de poder escolher o que é melhor para nossos filhos assistirem.
JOÃO VITORINO DA COSTA, Londrina

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