ILS, eis a questão
Venho acompanhando a celeuma do ILS para o aeroporto de Londrina. Não sou ''expert'', mas tenho algum conhecimento sobre o assunto. O equipamento ILS, necessário para a aproximação e pouso de aeronaves por instrumentos, foi desenvolvido na época da 2 Grande Guerra para ajudar os pilotos dos caças e bombardeiros nos pousos em suas bases.
Existem hoje três categorias para o ILS: ILS-Cat 1, ILS-Cat 2 e ILS-Cat 3. Os ILS-Cat 1 e 2 já estão obsoletos. O ILS-Cat 3 ainda tem utilidade, desde que seja utilizado o ILS-Cat 3-Charlie, pois somente este possui capacidade de pousar uma aeronave por instrumentos e com visibilidade totalmente nula, ou seja, ele traz a aeronave ao solo sem a intervenção do piloto, que fica a postos, para uma eventual falha no sistema.
A empresa Rio-Sul/Varig, desenvolveu, com o apoio do Ministério da Aeronáutica, a navegação, aproximações e pousos por instrumentos, através do sistema de GPS (Sistema de Posicionamento Global), capacitando e homologando suas aeronaves e tripulações para tais procedimentos. Hoje, no Brasil, Rio-Sul/Varig e a TAM, estão aptas a tais procedimentos.
Acontece, que o sistema GPS possui vantagens sobre o sistema ILS, sendo estas: 1-) maior confiabilidade, uma vez que não existem interferências (rádios-piratas, clima, elevações no terreno); 2-) maior precisão; 3-) necessita que as aeronaves possuam instalados os instrumentos necessários, sendo que os aviões mais modernos já saem de fábrica com os mesmos, e que seja instalada em terra apenas uma antena (antena GPS-D, ''D'' de diferencial) na cabeceira que servirá para pousos por instrumentos, antena esta, que calibra os sinais dos satélites para erro 0 metros, pois como é de conhecimento geral, o GPS tem os sinais dos satélites descalibrados entre 10 a 300 metros, atendendo uma exigência dos militares americanos.
Os custos de instalação de tal antena são ínfimos comparados com os custos de instalação de um equipamento ILS-Cat 3-Charlie, e o melhor, não necessitando mais as desapropriações no terreno da fábrica da empresa Carambeí.
Acredito, que a insistência, por parte do Ministério da Defesa, em instalar o ILS em Londrina seja para atender os interesses da fábrica do equipamento que, como fora dito, está obsoleto, e, portanto, a fábrica deva estar com estoques encalhados dos mesmos, e, agora, procura no 3º mundo, através de preços convidativos, de países interessados em desovar seus estoques. Com a palavra as autoridades.
LUIS HENRIQUE AMADEU (funcionário público estadual), Londrina
Ditadura por tempo limitado
Já se definiu o regime presidencial como ''uma ditadura por tempo limitado''. A cada quatro anos elegemos um representante, o qual não sabemos exatamente como vai se comportar, e confiamos uma Nação em suas mãos.
Oito anos atrás, ninguém poderia imaginar que o ditador escolhido conseguiria se manter mais quatro anos no poder. O que foi chamado pela imprensa de ''mudar as regras no meio do jogo'' pode ser considerado, usando-se termos de geopolítica, ''golpe de Estado''.
Mas, como até mesmo os pesadelos têm fim, o ''regime FHcista'' encontra seu desfecho num processo eleitoral que envolveu uma discussão muito mais densa, profunda e, ao mesmo tempo, próxima da base. O chamado médio eleitorado estava bem melhor informado do que nas duas últimas duas eleições.
O regime FHcista desempenhou com maestria seu papel neoliberal subserviente. Atraiu capital estrangeiro especulativo, ajudou instituições bancárias, reduziu investimentos na educação, entregou nossa mais lucrativa estatal (e, por conseguinte, a extração de minérios numa região riquíssima) a estrangeiros...tudo como manda o FMI.
Assim, a dívida social nesse período cresceu enormemente, com um sistema de saúde que não somente foi derrotado por doenças endêmicas, como permitiu que epidemias já esquecidas voltassem a figurar em prontuários médicos onde há tratamento, com a queda na qualidade de instituições de ensino público e seu gradativo processo de privatização; e, finalmente, com o aumento da criminalidade em todos os níveis.
No atual quadro geopolítico, o Brasil ora pode se afirmar como emergente liderança de centro-esquerda na América Latina, ora aderir a uma coalizão de esquerda com Cuba e Venezuela. De qualquer maneira, a ditadura que assumir em janeiro de 2003, com muito trabalho, pode até amortizar a dívida social. Para isso, deverá ter sempre em mente que essa dívida não permite moratória. Pois quem tem fome tem pressa, quem está morrendo no corredor do hospital não pode esperar, e as crianças que deveriam estar na escola, mas pedem esmola no sinal já não têm toda uma vida pela frente.
ULISSES TASQUETI (estudante), Londrina
Lixão de luxo
Urbano x rural, uma relação de explorado, desprezo e ignorância pelo mais fraco. A forte cidade, além do parasitar o ambiente rural, o usa como elo final do seu tubo digestivo. Moscas, esgotos, chorume, gases poluindo a fonte de alimento e a água de todos.
O aterro sanitário de Rolândia, com pouco mais de um mês de uso, para a disposição do lixo urbano, já está se tornando um autêntico ''lixão de luxo''. Luxo só na entrada do aterro. Entrar no aterro de Rolândia significa passar por entraves burocráticos e controle das visitas. Fotografar e filmar é proibido! O que há de tão terrível para ser escondido?
Moradores da região do aterro reclamam do aumento das moscas o do lixo levado pelo vento para a roça. Revoadas de pássaros se alimentam do lixo não aterrado levando para longe a contaminação. Milhões de litros da água da chuva acumulada nas lagoas de tratamento estão condenados.
Poucos insistem em chamar atenção, em vão pelo que parece. Afinal um ''lixão de luxo'' longe no ambiente rural que afeta poucos é melhor do que um ''simples lixo'' perto, que afeta muitos na cidade. Porém, esse raciocínio miope usado por órgãos submissos e aceito por uma população indiferente faz do lixo um monstro cada vez maior.
Vamos esperar ele acordar? Além de uma reciclagem de lixo que aparentemente deixa o monstro lixo dopado, pode cada um fazer sua revolução pessoal. Que tal tirar o alimento do monstro lixo e deixá-lo morrer de fome? Constituem desafios consumir sem sujar, consumir diferente, não produzir lixo em vez da aparente reciclagem que mantém aberta a torneira do lixo e conhecer e mudar os ''lixões de luxo'' para que no futuro cidade e campo vivam em harmonia.
DANIEL STEIDLE (ambientalista), Rolândia

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