CARTAS
Reforma do Calçadão
O Calçadão está aí há 25 anos: mais de um terço da idade de Londrina. É portanto, uma característica histórica, uma tradição. O ''petit pavé'', que massacra os pés e os calçados, forma os elos de uma grande corrente que se estende para os quatro pontos cardeais, lembrando a união do povo para o progresso, como tem sido desde o começo, e lembrando também o entrelaçamento das fitas de bambu ou taquara dos artigos artesanais dos índios caingangue da região. Com bela simbologia, o Calçadão já nasceu com erros: pedra branca em terra roxa, sabendo-se que a Prefeitura jamais teria como mantê-las limpas; o loteamento indiscriminado para quiosques (inicialmente padronizados) totalmente desnecessários para a população; o plantio também indiscriminado de árvores impróprias pelo porte gigante que os anos lhes dariam.
Agora, corre o rumor de que a Prefeitura pretende estender o Calçadão até a Avenida Higienópolis (a oeste) e até a Duque de Caxias (a leste) e revitalizá-lo de vez, substituindo o ''petit pavé''. Há dinheiro sobrando para fazer isso sem prejuízo de outras obras, como duplicação da Rua Humaitá, Goiás e Bahia, sem falar no viaduto da Higienópolis com JK?
Entendo que para revitalizar o Calçadão é necessário de imediato: que os consertos sejam bem feitos (veja-se que péssimo exemplo de remendo perto do Banco Real); lavar o Calçadão com frequência e menos barulho; limpar condignamente ou fazer seus causadores limparem a gordura pegajosa que vaza do lixo dos prédios; que a iluminação seja realmente mais intensa com a aposentadoria das luminárias imitando árvores, que vivem tendo suas ''copas'' destruídas e dificilmente substituídas; que as grandes árvores sejam substituídas por floreiras bem cuidadas; que se instalem mais bancos protegidos do sol, da chuva e dos passarinhos; que as bicicletas sejam realmente apreendidas; que os vendedores ambulantes de alça de silicone, de bolhas de sabão, de favos de mel, de pilhas, de redes de óculos e até de goiabas tenham a fiscalização necessária e eficiente.
REINALDO MATHIAS FERREIRA (professor), Londrina
Festa da democracia
As eleições 2002 foram de fato uma demonstração de civismo e ao mesmo tempo uma afirmação do amadurecimento alcançado pelos eleitores brasileiros. Estes conseguiram colocar numa peneira as virtudes e os defeitos dos postulantes e, com algumas peneiradas, foram tirando os oportunistas, os corruptos, os vaquinhas de presépio e todos aqueles que só trabalham em causas próprias.
Pelo resultado das eleições, vimos que a peneirada foi positiva pois o trabalho e a honestidade prevaleceram neste amadurecido critério de nosso eleitor. Alguém pode até contestar esta minha afirmação, dizendo que ainda têm muito corrupto usufruindo da política, ao que concordo plenamente, mas aos poucos, estamos corrigindo estas distorções e mais alguns coronéis já foram alijados do seus pedestais.
Dia 6 de outubro, como em todas as eleições, foi uma festa da democracia. Muitos jovens, adultos e até idosos, ganhando seu dinheirinho, distribuíam panfletos e acenavam bandeirolas com o fito de arrebanhar mais um eleitor para o candidato preferido.
Em frente aos locais onde as urnas estavam colocadas, pudemos ver e apreciar aquele tapete colorido de santinhos, atestando a beleza desta festa que só a eleição nos proporciona.
Já ouvimos muitas reclamações de pessoas que só enxergam por um ângulo, falando da sujeira nas ruas, mas esquecem que qualquer festa trás muito trabalho no dia seguinte. Portanto fiquemos com a beleza da festa e ajudemos na limpeza para que tudo volte ao normal. Valeu à pena, a festa esteve bonita e 27 de outubro vamos demonstrar novamente nosso patriotismo.
WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Parcialidade de Mazza
Causou-me muita estranheza a seguinte afirmação do colunista Luiz Geraldo Mazza, publicada na última quinta-feira: ''O indiscutível maior preparo de Serra é o diferencial...'' para justificar uma ''fuga'' dos debates por parte de Lula, tal como foi feito por FHC e Lerner. A opinião pessoal do jornalista não retrata a realidade.
O candidato petista à Presidência compareceu a todos os debates do primeiro turno, ao contrário de FHC, Lerner e Collor. Compará-los é ignorar os fatos. O não comparecimento de FHC em 1994 e 1998, por exemplo, caracterizava ''um indiscutível maior preparo'' de Lula, em detrimento de FHC?
Segundo pesquisa do Datafolha, ao contrário da opinião pessoal e sem fundamentos do Sr. Luiz Geraldo Mazza, para 45% dos consultados, Lula foi o que se saiu melhor no debate e, para apenas 11% o melhor foi Serra. Por outro lado, Serra foi o pior para a maioria e, Lula para a minoria.
Conforme essa pesquisa, que somou inúmeras opiniões e não simplesmente tentou ''empurrar'' uma, Lula é o mais preparado para governar o Brasil. Esse fato deve ser respeitado por todos, inclusive por aqueles que têm antipatia pessoal contra ''A'' ou ''B''.
Cabe ressaltar que a parcialidade injustificada do autor não retrata o compromisso da Folha de Londrina com a verdade e a informação de qualidade.
Flávio Henrique Caetano de Paula (estudante), Londrina
- N.R.: A fuga ao debate é um fato, não uma opinião do jornalista e até justificável para os que estão na frente das pesquisas como se deu com Lerner e FHC . A questão está em saber como o público encara essa alternativa. Nos debates Lula x Collor no primeiro o petista levou a melhor e no segundo tomou um ''banho'' agravado pela edição facciosa da Globo. De lá para cá Lula melhorou muito na visão do Brasil e sua inserção mundial. Pessoalmente acho o Serra muito mais preparado e isso não desqualifica a informação/análise.
Correção
- A foto que ilustra a reportagem ''Oktoberfest resgata tradições alemãs'', na edição de ontem, página 5 do Caderno Cidade, foi publicada erroneamente como sendo do desfile de Rolândia. A foto é do desfile da Oktoberfest de Blumenau (SC)





