CARTAS
Reforma política
O artigo publicado ontem na Folha de Londrina do eminente professor, Gilberto Jordão, sobre o voto obrigatório é sem dúvida um assunto da maior importância, e que ficou claro a necessidade de uma urgente reforma política.
A independência dos poderes constituídos precisa ser respeitada, bem como a Constituição Federal, não pode ficar ao sabor dos governantes de plantão. Cabe ao executivo adaptar-se às leis e não às leis ao executivo. A Constituição cidadã, soberana e bem elaborada não pode ser vítima do casuísmo. Há que haver perenidade e respeito ao direito das pessoas, em se tratando de matéria Constitucional.
Sobretudo o Congresso Nacional deverá exercer com tranquilidade, imparcialidade, independência, o seu papel de legislar e fiscalizar o poder executivo, na aplicação das Leis. Os governantes são passageiros, porém as instituições permanecem, logo as suas regras de funcionalidade devem ser respeitadas.
ANTONIO PEREIRA, Londrina
Olhos bem abertos
As eleições do dia 6 de outubro revelaram como o cidadão brasileiro está mais atencioso e crítico. Embora se tenha conhecimento que ainda existem pessoas que vendem, trocam, emprestam, financiam os seus votos, o resultado das eleições surpreendeu até mesmos os políticos que estariam convictos da vitória. Fazendo uma breve análise dos candidatos eleitos, muitos daqueles que votaram a favor da venda dos órgãos públicos, concessão de pedágios, leis que favoreciam a eles mesmos estão agora ''chupando dedo''. O que representa isso? Que o povo está atento e de olhos bem abertos com aqueles que os representam na administração pública do País.
Outro fato curioso e interessante é a respeito da sujeira, do lixo que os candidatos atiraram nas ruas e calçadas, cerca de 50 toneladas de papéis somente em Londrina, com o objetivo de abocanhar eleitores indecisos. Pelo que pesquisei e pude conferir, a maioria não conseguiu se eleger e obtiveram uma resposta em número de votos extremamente desagradável. Com isso fica para os políticos a lição: o povo não é bobo e está de olhos abertos. Qualquer deslize pode ser fatal.
HUGO GRODISKI (estudante), Londrina
Uso da Máquina
Na última terça-feira o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que não usará a ''máquina'', sob o seu comando, para beneficiar o candidato a presidente apoiado por ele. Disse ainda que isto é coisa do passado. Alguém acredita nesta afirmação presidencial? Ou seria mais uma asserção politicamente estratégica?
A Folha de 8/10, Caderno Economia, página 2, anunciava que a gasolina pode subir até 20% depois do segundo turno das eleições. Com certeza subirá. O dólar, a cada semana, alcança valores recordes em reais, nunca subiu tanto, e paralelamente, nunca se aumentou tão pouco combustíveis e tarifas públicas. Até 6 meses atrás, combustíveis pareciam indexados ao dólar, e agora, estranhamente, o preço está estagnado. Está mais do que evidente o uso da máquina pública para beneficiar alguém. Seria desastroso para José Serra se o seu padrinho político autorizasse aumentos em momento tão crucial: o 2º turno das eleições.
A esperança tem que estar sempre acesa no coração de todos. Entretanto, o que espera a população no pós-eleições, seja quem for o vencedor, é uma carga pesada de aumentos. O governo vai cobrar depois o que está bancando agora. A ''máquina'', sempre tão onerosa à população, não vai deixar barato. Apenas adia a conta sob critérios políticos. Daqui 30 dias os critérios serão outros. Quem viver verá!
ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS (padre), Londrina
Eleitos e 'des-eleitos'
Estava buscando os nomes dos eleitos para deputados federais e estaduais, e na hora, me lembrei do Millor, quando me percebi em uma salada mista de conhecidos eleitos pela primeira vez, de reeleitos e de 'des-eleitos'. Foi uma sinfonia de ohs! Se por um lado a democracia foi bem servida ao se constatar que uns 40% foram 'des-eleitos', por outro lado a cega senhora também deixou passar uma meia dúzia de reeleitos que faça-me o favor.
É claro que não topo esse arreglo de segundo turno, que é uma maneira malandra e pouco esperta de fazer um ''curral'' muito antidemocrático, em que se maquia e se negocia os votos em um modo que nada tem a ver com a verdade. Coisa assim como zerar o primeiro tempo, reiniciando o segundo num acordo entre os cartolas e o caixa, que para variar, são quem manda no jogo.
Claro, ficamos livres de certas almas, mas outras foram criadas, já que o processo eleitoral do voto é limpo e cristalino hoje em dia, mas só Deus sabe (e os interessados) como se dão as escolhas e ''otras cositas más'' nos diretórios de todos os níveis.
Se não fosse a seriedade do voto e das intenções da maioria dos eleitores, os nomes seriam bons para uma comédia, das de costumes. Afinal, convenhamos que linguiça de circo, enfermeiro fulano de tal, baixinho da motoca, menino, índio, japonês, coxinha, baiano d'água, o repórter, só praias, magrão, fulano do cajuru, cá entre nós, não podem refletir um bom momento de democracia, só por serem possíveis. Entre os 'des-eleitos' e alguns reeleitos para pasmo geral, e mesmo para outros eleitos, além da turma acima, haja oh!
LINCOLN BRASIL E SILVA (médico), Londrina
A droga e a guerra experimenal
Enquanto revistas 'pseudo-científicas' aqui no Brasil preocupam-se em provar por ''A+B'' que a maconha não é uma droga, que é natural e que até faz bem à saúde ou, em edição mais recente, quer provar, talvez pela mesma lei alegórica, que o espiritismo é a religião perfeita, o resto do mundo se degladia com a questão (de honra) para o ego soberano dos norte-americanos, reafirmando assim seu poder bélico, garantindo seu petróleo até o ano 2111, e ainda mostrando para o mundo que loucos são os ambientalistas do Greenpeace ou esses presidentezinhos que vão a Johannesburgo fazer não sei o que para com a natureza, que eles, é claro, nada têm a ver com isso.
O ser humano é realmente engraçado, quer encontrar a paz a qualquer custo, onde quer ela esteja, mesmo em lugares tão medonhos: como as drogas e as 'Guerras para alcançar a Paz!'. Mesmo que essa paz venha à força, que haja paz. Omitindo números, publicando mentiras, aliciando, comprando meio mundo (ou o mundo inteiro se for preciso). O ser humano, apesar de ser o único ser pensante que habita nosso semidestruído planeta, também comete erros, às vezes em torno de si mesmo. Confunde o ego com a paz. O bem-estar comum com a satisfação pessoal, quase sempre mesquinha.
EDNEI DE SOUZA LEAL, Curitiba





