CARTAS
Alcoolismo e vício
Todas as pessoas responsáveis se preocupam com os jovens e as drogas ilícitas. Eu estou preocupada com uma droga lícita chamada bebida alcoólica, que está sendo cada vez mais usada e cujos efeitos são tão devastadores quanto os das drogas ilícitas. Pelo fato de o álcool ser liberado, parece que ninguém nota seu consumo, até o vício estar instalado e os prejuízos físicos e morais afetarem toda a família e os amigos.
O alcoólatra muda completamente os valores morais; não reconhece que precisa de ajuda e, mesmo que esteja sóbrio, só consegue ver o lado dele das coisas. Quando alguém tenta conversar com ele, chamá-lo à razão, para que honre os compromissos que sempre assume ao beber, se revolta e aproveita a desculpa para sair e beber novamente.
O que poucos sabem é que o vício decorre de um defeito genético e, portanto, trata-se de uma doença. Tanto no caso do álcool como das outras drogas, mais seguro seria não experimentar, pois ninguém sabe se possui ou não esse defeito genético e a consequente propensão ao vício.
OLIVIA APARECIDA SIQUEIRA DE SOUZA, Londrina
Pra que servem os partidos?
Passado o primeiro turno das eleições, começamos a analisar os grupos políticos-partidários no tocante aos seus ideais. Os partidos políticos não são mais um grupo de pessoas em defesa de um ideal, e sim um grupo de pessoas em defesa de interesses momentâneos e de ocasião. O eleitor, o cidadão brasileiro já escolhe seus candidatos pelas qualidades individuais e não por ideais partidários. As constantes mudanças de partido por parte dos políticos ''profissionais'' é prova disso, sem respeito ao voto do cidadão. Sendo assim, então, para que servem os partidos políticos no Brasil?
CLEVERSON ROBERTO DA SILVA (estudante), Apucarana
Propaganda enganosa
A Prefeitura de Curitiba brinca com o povo ao montar uma propaganda oficial de mal gosto qualitativo que tenta transparecer através de uma ''câmera escondida'' que a saúde pública municipal é mil maravilhas. Sabemos, nós usuários (descontentes) que o Sistema Único de Saúde no Brasil, em Curitiba e aqui em Fazenda Rio Grande é um sistema arcaico, moroso, de médicos e funcionários pouco eficientes, que não há estrutura, medicamento e atendimento humano. Taí uma boa idéia que o departamento de marketing nós dá, flagrar com câmeras escondidas a vergonha nacional que se encontra o sistema de saúde e atendimento nos postos de saúde, 24 horas, PS e PAS da vida...e da morte. Dignidade na saúde pública, já!
CÉLIO BORBA, Fazenda Rio Grande
Não esqueçam do Norte?
Desejo lembrar a qualquer um dos candidatos que se eleger ao cargo de governador, que o Norte do Estado se constitui, por carradas de razões, merecedor de uma atenção especial por parte dos órgãos de planejamento do Estado. Não tem acontecido. No plano rodoviário do atual governo, que vem cumprindo dois mandatos (quase sete anos de período administrativo), houve de início um empolgamento com o anel rodoviário.
Como desde priscas eras, quando nossos caminhos se dirigiam para o Porto de Paranaguá passando pela Capital, nós os interioranos com raízes no Sul, ficávamos eufóricos. Sim, agora vamos ter um acesso facilitado por uma via duplicada, no trecho de Mauá da Serra. Ao início da fase duplicada, que começa em Ponta Grossa, seriam mais ou menos 200 quilômetros.
Perguntamos, na ocasião, a um dos engenheiros responsáveis quanto tempo levariam para atender à nossa região tal duplicação? Ele avaliou que ''uns cinco anos''. Acontece que decorreram quase sete anos, e até agora a empresa encarregada do trecho (Mauá da Serra-Ponta Grossa) atacou apenas uns 20 quilômetros no máximo.
Deixamos aí o lembrete ao provável sucessor, seja ele quem for, para que não nos esqueça. Ou não olvidem a região mais produtora do Estado, com esse ''gap'' na que consideramos rodovia mais importante do Paraná.
JOÃO DIAS AYRES (médico), Londrina
Monocultura forçada
Segundo o dicionário Aurério, o termo monocultura refere-se ''a cultura exclusiva de um produto agrícola''. No Brasil isto ocorreu ao longo de sua história, tais como monocultura da cana-de-açúcar e monocultura cafeeira. Evidentemente que esses ciclos não significam que houve nesses momentos somente a produção desses produtos, havia também paralelamente a produção de outras culturas secundárias.
Isto continua acontecendo em vários lugares do Brasil devido a fatores localizados. Por exemplo, na região onde residem meus pais (Borrazópolis, localizada na região central do Paraná), existe o predomínio do binômio soja-trigo, através do sistema mecanizado utilizando o plantio direto.
Ocorre que para esta maneira de cultivo utiliza-se agrotóxico para dessecar e matar as ervas e não atrapalhem a soja ao nascer. Ocorre que esses agrotóxicos são à base de (2,413), produto criado para ser utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1959-1975), objetivando matar a vegetação daquele país onde se escondiam os vietnamitas. Esse agrotóxico tão prejudicial ao meio ambiente que já é proibido seu uso em diversos países desenvolvidos.
Este produto ao ser aplicado numa propriedade acaba se espalhando para propriedades vizinhas por meio do vento e erosão. Culturas mais sensíveis ao agrotóxico como frutas ou legumes ficam fadadas ao desaparecimento. Pois se a planta não produz, os proprietários se adaptam ao cultivo de uma agricultura comum, no caso, soja-trigo, ou vendem sua propriedade para quem está interessado na produção dessas culturas.
Portanto, a questão da monocultura no Brasil contemporâneo não é facultativo e sim uma questão de sobrevivência no local onde ele tem uma história de vida e não ter de abandonar forçadamente sua região.
DAVID TEIXEIRA DE SOUSA (funcionário público estadual), Colorado





