Voto e conscientização

Quem observa o Brasil de longe seria capaz de supor que ele é uma das nações mais evoluídas democraticamente. Tem um sistema eleitoral informatizado e não parece contaminado pela crise econômica que assola países latinos como Argentina e Uruguai. No entanto, quem convive a conturbada realidade brasileira é submetido a uma inexorável verdade: o País investe muito pouco na educação de seu capital humano, e isso tem efeitos catastróficos na escolha de seus governantes.
Portanto, é preciso promover a educação de qualidade e conscientizar a população a respeito da importância do voto e da pesquisa a respeito das propostas e qualidades dos candidatos; o problema é como fazer uma multidão de desvalidos acreditar que o seu voto é, na verdade, uma folha em branco com sua assinatura embaixo, ou seja, o candidato poderá, sob sua permissão, preencher essa folha com o que quiser e bem entender durante o seu longo mandato e escrever mais um capítulo de nossa corrupta história.
Com a conscientização será possível a escolha de governantes adequados que promovam mudanças que beneficiem a população e quebrem a alternância elitista que toma conta do poder. Só assim o voto deixará de ser uma insídia para se tornar uma arma nas mãos do eleitor.


RENATO FORIN JÚNIOR (estudante), Ibiporã


Meu voto por uma resposta

Faltando apenas alguns dias para o primeiro turno das eleições, percebi que ainda não decidi em quem votar para presidente. Todos os candidatos parecem ter soluções para todos os problemas que afligem o País. Entretanto, nem sempre fica claro como será possível implementar as práticas propostas, deixando em aberto perguntas como: Como serão identificadas as suas causas? De onde virá o dinheiro? Quem serão os responsáveis? Quais serão as estratégias? Em caso de falha, o que acontece? Quais são as metas (prazos e indicadores)?
Com tantas dúvidas, decidi que o candidato que melhor responder uma única pergunta terá o meu voto. Mas a resposta deverá ser precisa, franca, prática e convincente, sem suposições absurdas e sem os ''achismos'' tão comuns às campanhas eleitorais. A pergunta que vale um voto é: como pode ser possível, com um mandato presidencial de apenas quatro anos, reverter a atual realidade do País? Qualquer candidato à presidência da República que conseguir me convencer com sua resposta tem a minha palavra (e não promessa política) de que votarei nele.

MÁRIO SÉRGIO AZEVEDO RESTA (zootecnista), Londrina


Cuidado com estereótipos

Longe de mim querer decidir em quem outra pessoa vai votar. Também, no momento atual, nem sequer ouso fazer propaganda ou discursar a favor ou contra tal ou tal candidato. Mas ainda assim, devemos colocar um pouco de bom-senso em nossa decisão. As idéias que se vendem contra ou a favor de cada candidato não coadunam com a possibilidade ou não de que ele, se eleito possa governar nosso País.
Rechaçar ou escolher uma pessoa somente porque sua aparência física lembra a de outra pessoa que no passado já foi descartada, por ser ou não membro professo desta ou daquela religião, por ter ou não formação acadêmica, por ter ou não trabalhado anteriormente para a ordem política estabelecida, não é uma atitude sábia. Essas informações somente podem ser relevantes se aplicadas no conjunto de informações que formam a biografia de cada candidato.
Afinal, o presidente que for eleito, não poderá ser apenas presidente da minoria da qual primariamente faz parte. Ele terá que governar e representar um país multifacetado. Se você como eleitor busca num presidente a possibilidade de que sua minoria seja hegemônica perante às outras pessoas, por favor, mude de país. Esse não é o espírito da democracia. Uma idéia minoritária, ou mesmo majoritária governando de forma excludente todo um conjunto de pessoas, é a descrição plasmada da ditadura.

LÍLIA SENDIN MARTINS (advogada), Londrina


Rumo à terra prometida

Amanhã é o dia que definirá a eleição dos representantes políticos do povo, os quais atenderão todas as necessidades do País: choverão empregos aos montes, a segurança se estabelecerá num passe de mágica, os salários serão elevados, a educação e a saúde desenvolverão novos (?) projetos, a Reforma Agrária que até hoje não foi adotada, será imediatamente cumprida sem os obstáculos da burocracia; não haverá mais sem-terra, nem sem-teto, nem sem-universidade, não haverá nada que impeça a viabilidade do desenvolvimento do Brasil em todos os sentidos: econômico, social, cultural ....
Para tanto não será preciso desacomodar a concentração de renda acentuada, os corruptos reconhecerão que não vale à pena usar esse subterfúgio e voluntariamente se contentarão com seus salários e outros benefícios, preferindo aplicar o capital no próprio País, aceitando até descontar no imposto de renda, favorecendo obras sociais.
Pode parecer utópico mas essas conclusões foram tiradas de plataformas políticas apresentadas em propagandas neste período cômico que antecede as eleições. Quem não estiver acreditando muito, ainda dá pra fazer uma escolha por eliminação, uma vez que as opções não estão muito fáceis. Afinal, insistir num erro pela 2 ou 3 vez... E que Deus ilumine a escolha e o gesto de todos os cidadãos brasileiros, cujo voto ético e consciente determinará o futuro do seu país.

ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA (professora), Londrina


Eleição e esperança

Há novos ventos soprando no ar! O momento atual mostra que há sinais claros de que a nossa sociedade está cansada com o atraso de soluções sempre prometidas nos discursos das elites, mas nunca cumpridas. Devemos dizer ''não'' à política neoliberal proposta pelo FMI. Quem está mandando na política econômico-financeira do Brasil tem sido, de fato, o FMI e seus funcionários. Este é o momento de nos manifestarmos contrários a este modelo que tem levado a consequências iníquas. Devemos reagir a tudo o que de mal tem sido feito e que continua sendo proposto para o nosso povo. Os projetos humanos são historicamente condicionados, o que nos leva a crer que não são absolutos. Vamos buscar outras formas de viver e organizar a nossa sociedade. Devemos ter esperança!

JOSÉ DEVANIR DE OLIVEIRA, (auditor fiscal do INSS), Londrina

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