CARTAS
Política e religião
Refletindo sobre o que diz Rubem Alves (''Que a religião cuide das realidades espirituais, porque das coisas materiais a espada e o dinheiro se encarregam.''), indagamos se esta conclusão é a da maioria das pessoas. Parece que não. Neste tempo de eleições, a construção de conceitos sobre política, tem mais a ver com a lealdade das pessoas envolvidas. No passado, a religião representava o conhecimento em meio a uma organização social e política derrotada. Hoje a burguesia, a ciência aliada aos vitoriosos do capitalismo, manipulam os caminhos, ditando a finalidade das coisas. Religião e prática (praxis), religião e capitalismo estão separados? Nada mais tem rigorosa objetividade. Os que enxergam as diferenças, submetem a maioria. O discurso político apresentado (nem sempre compreendido) ampara esta conlusão: são discursos que podem ser classificados como engodos conscientes. Ou melhor, os que ouvem sabem que estão sendo religiosamente enganados e se submetem. Os que os proclamam, o fazem pela ''espada e pelo dinheiro'', nunca pela consciência religiosa dele. Porque hoje, infelizmente, a religião foi aquionhada com a administração do mundo. Padres e não padres, pastores evangélicos ou não, são candidatos a regerem essa nova sinfonia cultural. São os que melhor proferem discursos sobre as probabilidades econômicas. Surge aí uma nova profissão: o político. E essa concretização há de ser vista como gesto que possui eficácia em si mesmo, porque o sagrado nao é uma eficácia inerente às coisas, a política sim. Hoje fazemos política e religião ou, pelo menos, envolvemo-nos com as duas coisas, porque a cultura (impregnada como verdade indispensável) surge no lugar onde o homem cria o objeto desejado: o dinheiro. E a economia liquida de vez com o sagrado.
ROSIMEIRE A. ZAMBOLIN (professora), Alvorada do Sul
Bola de cristal
Como um vidente, previ o centésimo assassinato em Londrina ainda no mês de setembro. Já passamos esse número, mas a maioria das pessoas está mais preocupada em comemorar a nova prisão de Fernandinho Beira-Mar, a captura de Elis Maluco e a não vinda para Londrina de policiais com pé na lama. Afinal o que estamos comemorando? Será que a prisão desses dois elementos trará a paz para os morros e para a cidade do Rio de Janeiro? Será que os policiais que respondem por falta grave não vêm para Londrina? E como um vidente volto a ditar o futuro: para cada bandido que vai para a cadeia, surgem outros cinco para tomar seu lugar, sem contar que o que está preso continua mandando de dentro de uma cela. Sim, os maus policiais vêm para Londrina e daqui vão para outra cidade, num processo interminável. Nesse processo os bandidos ficam cada vez mais fortes, os policiais cada vez mais corruptos e a sociedade cada vez mais abandonada. E boa parte disso acontece, porque a maioria dos responsáveis ou ditas ''autoridades'', está mais preocupada em fazer o seu caixa de campanha ao invés de exercer a função para a qual foi nomeado.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário), Londrina
Descrença
O nosso povo é pacífico e otimista, acredita ainda que podemos chegar ao primeiro mundo. A nossa história demonstra isso, quando muitos doaram em 1964 seus pertences em ouro, seus adornos como sua própria aliança, brincos, pulseiras... tudo isso para a furada campanha ''Ouro para o Brasil''. Hoje percebo que nosso País é muito mais rico do que percebemos, do que minha querida professora de primário imaginava desde aquela época, basta ver nossa cobiçada Amazônia. Até daqui quanto tempo ainda a teremos? Hoje, na realidade, são poucos os políticos que nos restam acreditar: os que estão iniciando. Mas até quando vamos acreditar neles? Até quando eles não se deixarão se corromper nos seus ideais? E esses ideais são verdadeiros, de fato, trazem nele a prosperidade para a sua nação? Até quando teremos que aguentar estes fatos? Quando aparecerão políticos verdadeiros que amem de fato este Brasil? Não vejo esperanças para os meus filhos, talvez para os meus netos!
DEORANDE GUAPO (comerciante), Santa Fé
País de leis
Sou assinante da Folha de Londrina e tenho verificado que vez por outra são abordados assuntos atinentes aos contribuintes tais como impostos, pardais, segurança, política, etc. Acredito que tudo isso só irá entrar nos eixos quando o consumidor brasileiro for realmente respeitado. Quando as autoridades constituídas - que ali estão por força de uma eleição ou mesmo nomeação - se conscientizarem que estão ali para servir ao povo e não a uma meia dúzia de apaniguados aos quais devem favores. Se houver o devido respeito ao contribuinte - peça fundamental na ânsia incontida de arrecadação dos governantes - não mais veremos reclamações quanto à aplicação de multas, cobrança de impostos, cobrança daquilo que não foi consumido como é o caso das empresas de telefonia, água e luz. Acredito que cobrar pelo que não foi consumido não só é ilegal como é um roubo. Afinal de contas se eu não usei, não consumi, não posso pagar. Isso está escrito no Código de Defesa do Consumidor. Infelizmente, no Brasil, país de tantas e tantas leis, o que menos se cumpre são as leis e quando as cumprem é destinada apenas à imensa minoria desvalida. Por outro lado, no tocante à segurança, a meu ver, o Brasil está sem autoridade. Se a polícia age, a imprensa mete o pau dizendo que os policiais cometeram abusos e logo vemos imensas notas sobre os direitos humanos o qual, a bem da verdade, só existe para os algozes nunca para as vítimas.
EDMILSON ASSIS DOS REIS, Londrina
Correção
O delegado Leonyl Ribeiro é delegado-geral da Polícia Civil do Paraná e não da 10 Subdivisão Policial de Londrina, como publicado na edição de ontem, na página 4 de Política.





