CARTAS
Calçadão, por que mudar?
Em 1978, o Secretário de Obras, engenheiro Romeu Dematê, incumbiu a mim, Hely Brêtas, de projetar o desenho do piso do Calçadão de Londrina, com pedras do tipo ''petit pavê'', preto e branco, em partes iguais. O desenho criado, embora parecer repetitivo, significa união, uma corrente com elos entrelaçados. Este tipo de obra, não pode ser executado por qualquer pessoa. Exige-se técnica apropriada. Com remendos feitos há algum tempo, podemos concluir que não foi executado por pessoas capacitadas.
Agora, morando no Rio de Janeiro, recebi informações de pessoas de minha inteira confiança de que, a Prefeitura, irá mudar o piso do Calçadão. Será que na cidade não existe uma obra mais importante do que essa? A concretagem das calçadas fora da área do calçadão, por exemplo? De onde virá o material que vai substituir o piso do calçadão? Sabemos que a Prefeitura não possui recursos financeiros sobrando, para uma obra dessa natureza. Como será feito o pagamento do novo piso? Sairá do holerite dos aposentados, do qual faço parte?
Podemos perceber que são inúmeras as dúvidas, para poder compreender tamanho disparate. Espero que o Secretário de Cultura, Bernardo Pelegrini, tenha argumentos quanto à memória de nossa cidade. Assim como os desenhos dos pisos de Copacabana, Ipanema, Leblon, São Paulo e Fortaleza, o Calçadão de Londrina é também muito conhecido como é mostrado no livro ''Quadro do Paisagismo no Brasil'', de Silvio Soares Macedo, ele apresenta uma visão conjunta do desenvolvimento da arquitetura paisagistica nacional nos últimos 200 anos.
HELY BRÊTAS BARROS (arquiteto aposentado), Rio de Janeiro
Cachorros no Zerão
O Zerão e a barragem do Lago Igapó, certamente o local mais aprazível e bonito de Londrina, local onde o cidadão londrinense busca em suas manhãs e finais de tarde para aquela caminhada tranquila, para contemplar a singeleza da natureza, estão seriamente ameaçados pela presença dos ''senhores'' cachorros.
Nada contra o animal, mas sim contra o irracionalismo e exibicionismo de seus possuidores, que em total afronta ao verdadeiro espírito de cidadania, vêm pondo em risco o direito e a liberdade do cidadão comum de apenas caminhar em seu espaço de lazer, sem a presença amedrontadora dos ''senhores'' cachorros guiados por seus amáveis e fiéis donos. Sim, porque decerto pensam eles, ''os irracionais'', que o fato de estarem perto de seus cachorros é o quanto basta para transmitir segurança e tranquilidade às demais pessoas que estão a caminhar ou correr.
Impossível acreditar que somente através da Norma Legal e da aplicação de sanções punitivas, poderá alguém entender que local público, onde transitam milhares de pessoas, a presença de animais não é aconselhável; que a simples possibilidade de ameaça ou constrangimento pelo medo, em si, já seria suficiente para justificar sua proibição.
Assim, inexistindo bom senso e respeito para com o direito do cidadão comum, e diante a total negligência e descaso de nosso poder político constituído, em garantir este mínimo de tranquilidade, só nos resta entender que efetivamente o Zerão, passou a ser um lugar bonito pra cachorro.
MESSIAS GOMES PEREIRA (advogado), Londrina
Voto da ignorância
Parece que o eleitorado brasileiro perdeu e vem perdendo as aulas de História. Recentemente vivemos um dos períodos mais tenebrosos de nossa história, a ditadura militar. E, por incrível que pareça, nomes envolvidos diretamente com a repressão militar, hoje, estão livres por aí. E, pior ainda, são candidatos e alguns até eleitos para órgãos públicos. Será que o povo não teve aulas de História? Impossível falar em ditadura sem que grandes nomes da política atual brasileira não sejam citados. Hoje se fazem de ''santos'', mas por de trás de toda ''santidade'', existe um pavoroso passado, onde vidas inocentes foram tiradas, onde não existia a liberdade de expressão, onde a tortura foi a lembrança dos que não se calavam e lutaram pelos seus direitos. Atualmente, retomamos a república democrática e democracia é o poder do povo. Cada cidadão tem em suas mãos a poderosa arma de ataque a essas injustiças do passado, que ainda deixam marcas e não se apagam. Brasileiros, é hora de rever alguns conceitos, não é o Brasil que tem que mudar e, sim, a nossa ignorância na hora de escolher aqueles que irão nos representar. Vamos usar essa poderosa arma nesse 6 de outubro, essa é a hora em que temos o poder nas mãos, não nos deixemos levar por falsas promessas, dinheiro, dentaduras e festas.
Lutamos tanto por essa democracia, pelo direito de exercer a nossa cidadania. Antes de dizer: ''Vou votar em branco'', pense um pouco no nosso passado e, principalmente, no futuro.
EDER WILLIAN DE CAMPOS (estudante), Ibiporã
Quem são os terroristas?
Passado as ''homenagens'' do 11 de setembro, onde alguns adeptos do regime talibã, denominados terroristas, derrubaram há um ano atrás o símbolo da supremacia americana (as torres gêmeas), matando cerca de 2.800 pessoas, o mundo se questiona quem são os verdadeiros terroristas. Os americanos, aqueles hoje liderados por Bush, há 57 anos lançaram a bomba atômica, pulverizando uma cidade inteira, Hiroshima, devastando cerca de 9 km2 e acabando com cerca de 70.000 pessoas que sequer sabiam o que estava acontecendo. Hoje o número de mortos através da radiação e suas complicações somam mais de 350.000 mortos.
Na guerra do Vietnã, um dos mais sangrentos e violentos atos pela disputa do poder, houve cerca de 2.000.000 de mortos, onde os americanos tiveram uma enorme parcela de culpa. A hipocrisia que cercou as homenagens do 11 de setembro chegou a dar arrepio de tanta falta de consideração com as vidas retiradas pelas mãos americanas, sempre visando esse imperialismo que ultrapassa todas as leis existentes, onde o que interessa é o poder custe o que custar.
Em uma época em que o mundo clama por paz e dignidade, os americanos homenageiam os mortos no atentado e ao mesmo tempo estimulam o cidadão a honrar o país em uma guerra que está por vir, a guerra contra o Iraque. É preciso pregar a paz, chega de guerra, superioridade e atentados.
HUGO APARECIDO GRODISKI (estudante), Londrina





