CARTAS
Datas magnas
Que é que está acontecendo com a indiferença que campeia atualmente as nossas datas magnas? Onde estão as nossas escolas, os nossos professores, os nossos cursos, conhecido como 2º ciclo, hoje ensino médio, o nosso antigo curso ginasial, as nossas universidades, o Tiro de Guerra? Que é que está acontecendo? Será que a proximidade das eleições está polarizando todas as atenções do nosso povo?
Não acredito nesta hipótese. Mas esta indagação precisa ser respondida. Se tomarmos como exemplo, o ardor cívico de nossa cidade, em anos anteriores, constataremos que, talvez, em quartéis tivesse sido ouvido aquele toque de alvorada, pelos clarins da respectiva banda.
Nossos colégios desfilavam, com as crianças, jovens e adolescentes, do 1º ao 5º ano primário, e as fanfarras em disputas pelos primeiros lugares, pelo garbo e entusiasmo de nossa juventude e as mestras e professores, orgulhosos de suas respectivas corporações. A população correndo aos passeios das calçadas e às ruas, em atitudes respeitosas e festivas, aplaudindo e reverenciando a nossa maior data cívica.
Onde ficou e permaneceu numa frustração, as famílias, os pais, as mães, irmãos, parentes, enfim a população em geral, que dava mostras de alegria, veneração e profundo respeito e que transparecia, descobrindo-se quando o Hino Nacional era tocado, ou quando passava o nosso Pavilhão Nacional? Onde ficou tudo isso? Será que as crianças ainda sabem cantar o Hino Nacional e o Hino da Bandeira, o ''salve símbolo augusto da paz''? Respondam por favor, pois nós os mais antigos - e os nem tão antigos assim - queremos entender o que está ocorrendo.
JOÃO DIAS AIRES (médico), Londrina
Beira-mar
A situação de Fernandinho beira-mar em relação à sociedade, não fosse trágica seria cômica. De um lado a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro sem saber para onde enviá-lo, de outro a inércia do Judiciário e a indiferença do Governo Federal, e no meio, um delinquente desafiando as autoridades. O que vemos é que a culpa não é só do Judiciário como diz o exmo. Sr. Presidente da República, mas dos outros dois Poderes, pois há na Legislação desde 1984, dispositivo legal para tal situação.
Para que não ocorra mais situações como esta, é imperativo que o Estado destine, verba para construir novas penitenciárias, recuperar as já existentes e manter um quadro de servidores bem treinados e bem remunerados para se assegurar o bom funcionamento do estabelecimento, afastando o fantasma da corrupção. Infelizmente, devido a situação econômica do Brasil, não é possível a realização desta prioridade.
Nosso país mal consegue manter serviços essenciais como saúde e educação, e não implementa políticas públicas, na área social, redutoras da violência e da criminalidade alegando falta de verbas. O que diríamos então do sistema penitenciário nacional? O governo só investe neste sistema quando não há mais saída, quando não tem outra alternativa. Então, deve-se cobrar da administração federal uma solução para estes problemas, bem como perguntar aos candidatos ao cargo de presidente da República, se eles têm essa solução.
MANOEL CARLOS NUNES PINTO, Nova Londrina
À Laila e aos injustiçados
Pôr a público a revolta, é um ato de coragem e determinação. Muitos brasileiros têm este sentimento preso na garganta. Vítimas da falta de ética, incompetência e negligência se calam. Se todos abrissem a boca, emudeceriam os incompetentes que tentam seduzir e deter o poder pela palavra escrita e falada. O pior analfabeto é aquele que domina o código e o utiliza desta maneira. Estamos nas mãos destes analfabetos da moral: insultam a nossa inteligência e desafiam a nossa crença na Justiça. Gostaríamos que todos tivessem a coragem da Laila, e denunciassem a cada tentativa de abuso do poder. Por um Brasil ético!
ANA TEREZA GÔNGORA DE LUCA (professora que assina a carta com outros seis professores), Londrina
Wando esclarece
Tendo em vista o uso indevido e deturpado de imagem e desvirtuamento maldoso e intencional de minhas atividades artísticas, venho a público esclarecer ao povo do Estado do Paraná: 1. Não sou político! Sou cantor popular brasileiro e compositor profissional. O conjunto de minha obra é reconhecido em território nacional e internacional; 2. Estou fazendo um trabalho no Paraná nesta época de campanha política - onde tenho, com a graça de Deus, incontáveis amigos e admiradores; 3. Como condição de trabalho, não permito interferências em meus shows. Afinal, é a própria Constituição Federal Brasileira que assegura esse direito; 4. Assim, a forma como organizo meus espetáculos é direito exclusivamente meu e daqueles que gostam da minha obra. Não posso admitir desrespeito nem que se use indevidamente minha imagem e obra para tentar, levianamente, atingir o grupo com o qual estou colaborando como ocorreu no horário político; 5. A advertência que faço é que aqueles que não respeitam a liberdade de expressão do artista e usam indevidamente imagem de pessoas, certamente não respeitarão, entre outras, a liberdade de imprensa, a de locomoção ou a honra das pessoas, mesmo as liberdades de culto. Isto representaria um perigo de retrocesso do Brasil ao tempo da censura; 6. Inclusive, dentro do grupo político para o qual estou trabalhando nesta campanha tem quem, em parte, discorde da minha arte, mas existe respeito pelo trabalho do artista, coisa que do outro lado não está acontecendo; 7. Esse pessoal falso moralista que, de maneira rasteira, está tentando deturpar meu trabalho, deve ser também contra a distribuição de camisinhas e as campanhas educativas de prevenção da Aids, contra a obra de Nelson Rodrigues, novelas atuais mais realistas etc; 8. Não vou permitir que utilizem meu trabalho para criar um ''Ferreirinha musical''. Por isso, estou constituindo o advogado Dr. Elias Mattar Assad para buscar na Justiça uma indenização pelos danos morais causados.
WANDO (cantor), Curitiba
Correção
- Ao contrário do que foi divulgado em matéria publicada no último dia 24, em texto referente ao Projeto Folha Cidadania (pág. 4 do Caderno Cidade), a Shell Brasil não faz parte do pool de combustíveis recentemente multado pelo Ministério Público de Londrina.
- As fotos dos textos-legendas publicados ontem, no Folha Cidade, página 4, saíram trocadas. O texto que traz o título ''Prejuízo'' é referente à foto do advogado Cássio Tanaka, que teve um pneu de seu carro danificado devido a um buraco na Rua Gomes Carneiro, em Londrina. A foto da placa ''pendurada em cabos telefônicos'' refere-se ao texto ''Risco''.





