Paz no trânsito
  Celebrar a paz, como proposta desta semana nacional de trânsito, é iniciativa importante que deve se incorporar à nossa prática diária. A paz, versejada, festejada e apregoada por todos, tornou-se aquela enorme bandeira branca, que agasalha nossa noção de conforto, de bem-estar coletivo, de felicidade. Infelizmente esconde também noções distorcidas, em que a paz se define por oposição à guerra, à violação de direitos, em nome de várias justificativas.
  A enormidade da violência, da brutalidade que chega até nós diariamente pela imprensa não pode, sob nenhum pretexto, amortecer nossa percepção do detalhe, torná-lo insignificante. Violência não é só desviar o trânsito e derrubar torres, avançar sinais e atropelar o outro, exceder a velocidade e ameaçar várias vidas. Os grandes acidentes de trânsito, frutos da imperícia, desatenção, imprudência, que recheiam lamentavelmente as estatísticas, merecem todo o nosso cuidado e a atenção das autoridades. Devem ser prevenidos, coibidos, eliminados do nosso cardápio de convivência com o indesejável.
  A paz, que começa em nós, se estende pela casa, ao bairro, à cidade, é uma idéia capaz de fazer diferença. Tente. Ceda o passo, escute o outro, atente para o detalhe! Não buzine, não grite, não pegue a caminhonete prata do papai e saia de madrugada, com o som à toda acordando o bairro com sua serenata de gosto duvidoso. Vamos tomar esta responsabilidade como nossa.
  Você, responsável pelo planejamento, execução, educação, controle do trânsito, com autoridade conferida pelo povo, carregue a paz como bandeira! Seus atos profissionais se refletem na comunidade que conta com a sua competência para ter conforto e segurança.
  Se trabalharmos juntos, movidos pelo único interesse de promover plenamente o bem-estar do outro, seu direito de transitar com segurança, vamos poder nos dizer: vá, e venha, em paz.
IARA STROBEL, Londrina
Moralização política
  Lamentavelmente, com raríssimas exceções, o vocábulo político virou sinônimo de bandido. O que existe de políticos desonestos e corruptos, dá para lotar algumas penitenciárias. Muitos aventureiros se candidatam para desfrutarem da imunidade parlamentar e tê-la como escudo para encobrir os seus crimes. Quem discordar que ponha a carapuça que lhe cairá sob medida.
  Felizmente com a nova lei acabando com tais regalias, algo de bom poderá acontecer. Mas ainda é pouco. O ideal seria existir uma lei que todo indivíduo, sem exceção, perdesse em definitivo o seu título profissional ou patente, quando processado e condenado, após o que jamais poderia voltar a exercer a sua profissão, mesmo depois de cumprida a pena.
  Se tal acontecesse, passaria a ser um indivíduo comum e acabaria o previlégio de cadeias especiais e o mesmo seria recolhido junto aos demais bandidos. E os corruptos que desviarem dinheiro, deveriam ser recolhidos em celas/solitárias, incomunicáveis, inclusive com relação aos seus familiares, até devolverem tudo o que roubaram. Seria a maneira mais prática e objetiva para entregarem o ouro. Será que haverá algum político inteligente e corajoso para apresentar determinado projeto a ser transformado em lei? Quem conseguir tal façanha, será consagrado pelo povo brasileiro.
  Portanto, nada de voto nulo ou branco - e abstenção, nem pensar! -, para não se dar chances aos caçadores de votos e futuros corruptos.
ANTÔNIO BARBOSA (corretor de imóveis), Londrina
Campanha circense
  ‘‘Careca!’’, eis o ataque de um candidato à presidência do Brasil a um de seus adversários, quem sabe um diplomata que irá nos representar nos próximos quatro anos mediante mar de intempéries econômicas, guerras comerciais para tentar ‘impor’ nosso produto lá fora. Com que cara? Será que nosso representante geral da nação vai, por alguma fatalidade, chamar algum outro presidente de outro país de ‘Careca’ ou de ‘seu bêbado louco’, vai acabar destruindo o mundo?
  Será que nosso chefe-geral vai chorar e fazer birra, ou mostrar a língua para alguém caso tal acordo não seja de seu jeito? Ah! Também tem aquele outro que, se por acaso um órgão qualquer não lhe assinar um empréstimo bilionário ele pode chamá-lo de ‘burro’, ‘facínora’, ‘grileiro’ e, arriscando um golpe fatídico: ‘agiota incompetente’! Já pensaram, nosso ilustríssimo sair por aí (ou por lá) chamando estadista de ‘oh! seu judeu ignorante!’, ‘negro não pode ter tantos direitos’! Ia ser tão engraçado quanto trágico.
  Essa pode não ser a mais fascinante das eleições mas é, certamente, uma das mais engraçadas. Onde o povo olha perplexo as ladainhas em pleno século XXI, meu Deus! As promessas absurdas já não colam mais: a erradicação da miséria eterna ou extinção da bandidagem nacional, que perdura séculos a fio na nossa cultura, mas que só hoje é tratada com certa seriedade nos meios. Quem sabe não um presidente (homem), um messias. Nem Conselheiro, nem Cristo nos tira desta cruz! Talvez a agressão verbal, primeiro, depois os casos mais sérios como as promessas de bater no adversário (não parece birra de moleque de quinta série?). Tudo para ilustrar mais uma grande marmelada eleitoral: ‘panis et circenses’, e o povo ainda custa crer que seu dia de respeito e dignidade chegue.
EDNEI DE SOUZA LEAL , Curitiba
Violência no jornal
  Gostaria de sugerir à Folha, a elaboração de um caderno próprio, como o Caderno de Classificados, para condensar os assuntos relacionados às ocorrências policiais e essas notícias que vampiro gosta, sangue. Dessa forma, pouparia o leitor, que quisesse, se horrorizar com as tragédias e violências do dia-a-dia, deixando de estragar o seu dia, ou poderia escolher o pior momento do seu dia para a pior leitura.
  Durante a leitura da Folha, não sei se rio ou se choro. Veja só a mistura de assuntos. Ao lado da charge de Ivo Akio, ‘‘Garoto de 14 anos mata dois por um par de tênis’’.(17/09/02); ‘‘PUC já pode começar a construir seu campus’’ - ‘‘Presidiário vai para casa e morre em acerto de contas’’ ; Cena/Carona, pai carregando o filho - ‘‘Idoso mata mulher e tenta suicídio’’.
  Não sei se seria possível em jornalismo separar o joio do trigo, não é minha área, mas que seria bom, seria.
JOSÉ SCHELLER, (bancário), Cambé
Correção
  Na matéria ‘‘Morre rapaz ferido em troca de tiros com a PM’’, publicada na edição de ontem, página 4 do caderno Folha Cidade, o último parágrafo traz uma informação truncada. O correto é: ‘‘A morte de Elias é a terceira provocada por confrontos com a polícia, em apenas uma semana’’.

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