CARTAS
ILS para que?
Era uma vez uma cidade progressista que tinha um aeroporto acanhado, pequeno mas aconchegante com vôos à vontade para todos os cantos do país. Mas, certo dia acharam que o aeroporto deveria ser aumentado, afinal de contas por lá circulavam empresários exigentes, turistas ávidos por conhecer a terceira cidade do Sul do país com apenas 70 anos, trabalhadores que necessitam cruzar os céus rapidamente para atender seus clientes e, principalmente, políticos desfilando seus belos ternos (Armani?).
Reforma quase concluída e eis que uma tradicional companhia aérea resolve reestudar sua malha aérea e conclui que vôos diretos na rota Londrina/Curitiba/Londrina com mais de 70% de ocupação dão prejuízo! Que pena, mas acho que a equipe que fez a reestruturação deve trabalhar na concorrente principal, só pode ser!
Mas não terminou aí. A companhia aérea que teoricamente ficaria com os seus vôos em melhor situação em função da saída da concorrente, resolve aposentar alguns aviões - antes tarde do que nunca por sinal - e pronto, o aeroporto que tinha entre estas duas companhias sete opções de horários para Curitiba, disporá a partir de segunda-feira somente um horário!
ILS para que? Aonde estão os senhores políticos, empresários, trabalhadores, ACIL, Câmara de Vereadores, Sindicatos, indústrias, jornais e principalmente o Prefeito que nada estão fazendo para reverter esta situação?
E, definitivamente, terminadas as obras de reforma poderemos transformar o aeroporto em um belo museu, o que vocês acham?
ALFREDO LUIZ GARCIA LOPES CANEZIN (empresário), Londrina
Calar a imprensa
Tentar calar a imprensa sempre foi atitude dos ditadores. Infelizmente, ainda presenciamos a tentativa de amordaçá-la através de vários artifícios. Uns, através de leis, outros, através do poder econômico e, realmente, todos preocupados com o mais sério poder da democracia: a informação.
Esquecem, os senhores detentores de cargos públicos angariados através do povo, que a imprensa é, sem dúvida, o veículo mais importante e fundamental de todo o mundo.
Recentemente foi veiculado pela imprensa que alguns deputados estavam coléricos em virtude de descontos de seus dias faltosos nas seções da Assembléia, para onde foram eleitos, quando, na realidade, deveriam dar exemplo e concordarem com tais descontos. Acontece que, neste domingo, o editorial deste jornal demonstra que, através do porte financeiro, tentam amordaçar a imprensa.
O que seria de nós, como eleitores, se não houvesse a imprensa?
Quando a classe política transforma-se numa casta poderosa envolvida em uma redoma opaca, o eleitor incauto e desavisado poderá cometer erros que só através da imprensa e da informação correta teremos sem dúvida representantes dignos e ilibados em todas as esferas políticas: vamos votar sim, procurando e observando os candidados que acreditam também na imprensa livre e democrÁtica.
ANTÔNIO SAMPAIO DE ANDRADE (comerciante), Londrina
Amazônia
Toda vez o poder central e a mídia falam que a Amazônia está em chamas, sendo exterminada de forma irracional e irresponsável. Interessa ao mundo com certeza, uma região que, segundo estatísticas, tem 20% da água potável do Planeta. Pode interessar ao mundo, uma região que possui mais de 200 espécies de árvores por hectare, 30% da biodiversidade da Terra e é reconhecida como a maior fonte natural para produtos químicos e farmacêuticos do Planeta?
Pode interessar ao mundo, uma região que tem debaixo do solo uma diversidade mineral de grande potencial, estimado em bilhões de dólares, sendo que diversas riquezas encontradas são escassas no resto do Planeta? Pode interessar ao mundo, uma região que tem mais de um terço das florestas tropicais da Terra? Pode interessar ao mundo, uma região com a extensão de 45% do território brasileiro, enquanto que na área vários países da Europa juntos, onde moram quase meio bilhão de pessoas, habitada por menos de 10 milhões de pessoas e que produzem menos de 5% do PIB brasileiro, enorme vazio econômico e demográfico? Pode interessar ao mundo, uma região imensa que faz divisa de fronteiras com sete países, três deles contaminados por narcotráfico?
É evidente que a soma dessas questões à omissão, ao descaso e ao silêncio do governo brasileiro e da sociedade em relação à Amazônia poderá encorajar o já existente processo potencial de interesse internacional, transformando-o em problema real. O Estado do Amazonas não está em chamas. Ao contrário mantém mais de 98% de suas florestas intactas. Esse percentual é fruto do modelo econômico e da renúncia econômica dos amazonenses. A Amazônia espera por um programa nacional.
ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
Sugestão a FHC
Quando o Sr. Fernando Henrique assumiu o governo em janeiro de 1995 ele disse, no discurso de posse, que a prioridade nº 1 do seu governo era o combate à pobreza. Fiquei tão empolgado que escrevi a ele algumas linhas parabenizando-o e fazendo um alerta: para diminuir a fome no País ele tinha apenas duas saídas: distribuir as terras dos seus amigos latifundiários ou aprender a fazer o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.
Agora, no final do mandato, verificamos que ele não fez uma coisa e nem outra. No entanto, pensamos que ele ainda pode fazer algo pelos nossos 50 milhões de famintos: importar folhas de coca em quantidade suficiente para toda essa gente. Como é sabido, a coca tira a sensação de fome. Sugerimos que o próprio presidente e seus ministros e assessores mastiguem também algumas folhas. Quem sabe elas tiram também a sensação de fracasso?
Coitado do Fernando henrique. Logo ele que imaginou que era fácil governar o Brasil. Pensamos que o Brasil nunca mereceu tanto o título de ''país de merda'' dado por Darcy Ribeiro, como agora nesse melancólico final de governo social-democrata.
GERALDO GONÇALVES, Buritis (RO)





