CARTAS
Biodiversidade
Desde há muito se fala de crescimento com desenvolvimento sustentável e cumprimentos firmados no Rio há dez anos (ECO 92), com a Agenda 21. O documento acordado que deveria ser feito a curto e longo prazo para este século para resolver ou, pelo menos, amenizar os problemas que ocorrem com a degradação da ''biodiversidade'', que os governantes fizeram até hoje com o descaso em relação ao saneamento básico (tripé - água, lixo e esgoto), crise ecológica (desmatamentos predatórios) e a pobreza nas periferias das cidades em geral.
Da ECO 92 para cá deveria ter havido um envolvimento de 0,7%, o que não passou de 0,2% dos países desenvolvidos, entre eles os Estados Unidos que são responsáveis por 1/4 do carbono liberado na atmosfera.
Só haverá melhoria no planeta, se os grandes países emissores de gases poluidores - ocasionando o ''efeito estufa'' - tomarem iniciativas de tal contenção, e se os Estados Unidos que são os maiores poluidores voltarem atrás na assinatura do Protocolo de Kioto, no qual não aderiram, para assim também, podermos ter um crescimento com desenvolvimento sustentável.
MARCELO GONÇALVES (economista e escritor), Arapongas
Plebiscito antidemocrático
Semana passada fui abordado em meu trabalho por dois jovens que insistiram para que eu manifestasse meu posicionamento com relação à participação do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Me prontifiquei, ressaltando a necessidade de que nossos governantes, a partir de janeiro, sentem à mesa de negociações com os mandatários norte-americanos. Surpreendentemente os jovens tentaram desqualificar meu posicionamento com a retórica de dizer não à Alca, ao FMI, à Bush e a sei lá quem mais. A alternativa que me impuseram era assinalar, à maneira deles, três não, isto é, não ao tratado da Alca, não às suas negociações e não à cessão da base militar de Alcântara, no Maranhão, aos EUA.
Eu posso perfeitamente ser contra o aluguel da Base de Alcântara porque consultei a imprensa escrita sobre o assunto e concluí que o acordo seria desfavorável ao Brasil. O mesmo não posso dizer com relação à Alca. Para nos envolvermos com o fato é imprescindível discutirmos os fatos e as consequências. Resta saber se essa forma inescrupulosa de ''coletar opiniões'' foi adotada em todo o País pela CNBB ou foi um mero (eu diria grave) despreparo dos dois jovens. Se essa metodologia foi aplicada em âmbito nacional é bem provável que se trate de manobra política. Em favor de quem?
EDUARDO BATISTA DE ALMEIDA (funcionário público estadual), Apucarana
MP 66: mais um engano
Às vezes fico pensando: quem nossos governantes e tecnocratas querem enganar? Afinal, eles brincam e duvidam da inteligência de todos, editando medidas como a famigerada MP 66 que não agradou, absolutamente, ninguém. O País anseia por justiça fiscal e nossos ''fazedores'' de leis, a cada dia, criam mais e mais ''armadilhas tributárias''. Quando todos tinham plena convicção que era chegada a hora da racionalidade, da simplicidade - todos sabíamos que a carga tributaria não diminuiria - eis que nossos ilustres -''fazedores'' de leis - criam esta maravilha que, dentre outras coisas, deve retirar, somente do setor agrícola, 16,5 bilhões de reais.
O mais surpreendente nisto tudo é que estão chamando a MP 66 de ''Minirreforma Tributária'', quando, na verdade, é uma farsa eleitoreira cujo resultado, com certeza, será nefasto. A MP 66 está usando - de novo - a tese do SCC ou SPP: ''Se colar, colou'' - ''Se pegar, pegou''.
Neste País, por conta de absurdos como a edição da MP 66, temos o seguinte ''desenho'': o governo finge que legisla e que governa; a grande maioria dos empresários finge que paga seus tributos; aqueles que guardam o cumprimento das leis, fingem que guardam e enriquecem; o povo finge que come, que tem saúde, segurança, educação e sobrevive ou morre. Não se assustem se, na ânsia de ''consertar'' os equívocos cometidos, seja editada Instrução Normativa tão ou mais esdrúxula que a própria MP 66.
ANTONIO VALERIANO LOPES (economista), Londrina
Outras vítimas
Lamentável os atentados de 11 de setembro de 2001, principalmente por terem ceifado vidas humanas, às quais, de forma justa, se prestam homenagens. Entretanto, por uma questão de justiça, devem ser lembradas e também homenageadas muitas outras vítimas de atentados sob máscaras diversas, liderados por outros ''Bin Ladens'', que também matam e geram sofrimentos cruéis. Do Brasil lembro as centenas de milhares de trabalhadores brasileiros que sobrevivem com um salário mínimo mensal; os doentes que marcam consultas médicas para serem atendidos um mês depois; as famílias vítimas de sequestros, assaltos, homicídios e de constante insegurança; etc...
Em nível internacional vale lembrar as 24.000 pessoas que por hora morrem de fome; os convivas afegãos que, numa festa de casamento, foram assassinados por soldados americanos que os confundiram com terroristas; o povo iraquiano que, além da miséria, sofre um terrorismo emocional e mental diante da iminência de um ataque americano sob pretexto de combate ao terror; todas as vítimas de um sistema político/econômico que diviniza o mercado e subjuga a pessoa humana, que cria reféns dos interesses do FMI e da prepotência americana; a natureza, afrontada pelos que se declaram ''guardiões do mundo'' mas que não assinaram o protocolo de Kioto; etc.
Infelizmente as imagens de aviões se chocando com prédios que desabam fazem muito mais barulho e impressionam mais do que o grito dos que passam e morrem de fome e vivem em pobreza absoluta. Com isto boa parte do mundo globalizado se acostumou e por isso é indiferente. Quem se importa com gente que vive em submundo, que mal e mal se conhecem os nomes, a cor, a raça e a bandeira? É uma pena. Enquanto oficialmente homenageia-se uns poucos mortos, faz-se quase nada pelos muitos ainda vivos.
ROMÃO ANTONIO MARTINI MARTINS (padre), Londrina
Correção
A frase correta do texto do artigo ''O Produtor Rural e a Medida Provisória nº 66'', escrito pelo advogado Romeu Saccani e publicado ontem, na página 2 (1º Caderno - Espaço Aberto, parágrafo 1º) é: ''Com razão os líderes das classes produtoras do País verberaram a disposição contida na Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto último.''





