Transporte coletivo
  Não é novidade para quem precisa do transporte coletivo encontrar problemas como ônibus lotados, motoristas mais preocupados em ‘‘cumprir seus horários’’ do que com a segurança dos passageiros, cobradores desatentos. Infelizmente não pára por aí. Moro em Ibiporã e me surpreendi há algumas semanas com algumas mudanças de horários e itinerários de várias linhas do transporte metropolitano. Linhas que eu costumava usar todos os dias ou algumas vezes por semana simplesmente sofreram mudanças sem nenhum aviso ao usuário. Depois de ter que andar vários quarteirões, chegar atrasada ou esperar meia hora a mais para chegar em casa, ainda tive que aturar respostas mal-educadas dos cobradores, como se tivesse que adivinhar as mudanças. Isso sem falar na linha Ibiporã-Jardim Ana Elisa.
  Os estudantes da UEL do período vespertino não contam com o transporte da prefeitura de Ibiporã. Assim, tem-se o transtorno de ter que esperar dois ônibus e pagar dois passes diferentes. Que me perdoem os profissionais competentes, mas acho que já passou da hora das empresas de transporte coletivo deixarem de pensar que estão prestando um favor a seus usuários. É preciso tratá-los como consumidores, que têm exigências e sabem valorizar um serviço bem prestado.
FERNANDA COLOGNESI DE SOUZA (universitária), Ibiporã
Um Brasil sem amarras
  O Brasil, por sua extensão geográfica, clima tropical, solo fértil, riqueza hidrográfica e população com uma criatividade invejada, há muito tempo poderia ser considerado um país de primeiro mundo mas, ainda não é reconhecido como tal, devido às amarras que nos prendem. Nos últimos anos, os desmandos estão ficando tão evidentes que o aumento da criminalidade tornou-se alarmante. Os governos atuais, sentindo esta atmosfera de terror, preocupam-se em construir cadeias e mais cadeias e nós, o povo, acreditamos que a solução para reverter esta situação deve ter um sentido mais coerente, eficaz e mais humano.
  Menos cadeias e mais escolas; mais frentes de trabalho; mais centros de lazer; mais turismo; mais condições aos pequenos para produzirem; mais dignidade aos pobres; e mais justiça, punindo também os ricos.
  Nossos governantes ou pretensos, sabem que a solução é esta e, se não a colocam em prática é por motivos que ignoramos. Felizmente, estamos acordando para isto e se querem conter a revolta, já estabelecida contra os políticos, é necessário que estes também acordem. As eleições estão aí e o candidato, independente do partido, que mais se aproximar dos nossos anseios, por certo será o eleito.
WELLINGTON AMARAL SAMPAIO, Londrina
Lição para refletir
  Escreveu José Saramago, em ‘‘Juízes para a Democracia’’, com absoluta precisão: ‘‘A justiça continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira cotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste’’.
  Que os políticos leiam e reflitam.
ANTONIO VALERIANO ANTUNES LOPES (economista), Londrina
Pão ou circo ?
  Se dependêssemos de representações artísticas e de atores com preparo engabelatório, com certeza seríamos um país-exemplo para as demais nações. Somos exportadores de políticos que ‘‘fazem de conta’’ que tudo vai bem. Não obstante, a situação real é bem adversa daquela que nos é apresentada na TV. Assistimos, diariamente, a uma novela gratuita, na qual é evidente o apelo emocional usado pelos protagonistas, para conquistar o eleitorado. Talvez surtisse maior efeito prometer viagens e distribuir docinhos. A sociedade é carente sim, de propostas coerentes e de representantes que se comprometam a construir um país melhor.
  Um dos fatores condicionantes a essa situação, trata-se da adoção da política ‘‘pão e circo’’, outrora implantada na Grécia. Haja vista a deficiência alimentar do povo e a identificação do mesmo com atrações trágicas e polêmicas, uma vez que, estabelecem certa relação com sua vida. Todavia, o circo fica por conta dos nossos renomados políticos, que se atacam, confrontam-se e se acusam entre si, utilizando o espaço que lhes destinado, de forma ininteligível e agressiva.
  Nota-se a clara idéia de que os políticos obtêm de seu eleitorado e mais evidente ainda, a imagem emblemática que a sociedade absorve de seus candidatos. Dessa forma, é preciso que o conceito de política se reitere e que se inicie uma interação social favorável a todos os interessados.
CRISTIANE SILVA CASCIOLA, Londrina
Tempo desigual
  Outra corda na asfixiada garganta brasileira: a democracia fingida. Melhor dizendo: democracia comprada e subornada. Se todos os cidadãos são iguais perante a lei, como é que, nas eleições (expressão máxima da democracia), o tempo concedido aos candidatos, nos rádios e TVs, é completamente diferente? Por que um Serra vale mais do que um Ciro, ou Lula, ou um Zé da Galera? Não é muito mais lógico, e democrático, por se tratar de eleições e renovação, que todos os candidatos tenham as mesmas oportunidades para mostrar ao público, o seu trabalho, as suas idéias, os seus compromissos? Eleições no Brasil cheira à podridão da fórmula 1, onde os carros mais possantes e endinheirados sempre ganharão dos pequenos, dispensando a qualidade e as habilidades do piloto, em humilhante desrespeito à competência.
RENZO SANSONI, Uberlândia (MG)

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