Cultuar a dor alheia
  Enquanto os norte-americanos (e o resto do mundo ocidental) relembram os atentados do 11 de setembro, mulçumanos morrem quase que diariamente em ondas de violência num mundo alheio ao nosso. Seguramente, em pouquíssimo tempo, perderam-se bem mais de 200 mil vidas em atentados terroristas em áreas de tensão no Oriente Médio, e em outras partes do planeta onde fundamentalistas islãs, partidários de conjunturas radicais e até cristãos julgam erroneamente a sorte de milhares de vítimas, muitas vezes civis e inocentes, muitas vezes crianças inocentes.
  Se esse dia é tão importante para a humanidade, não esqueçamos a luta diária para sobrevivência de países subdesenvolvidos. Esta realidade sim parece estar mais próxima de nós brasileiros, de nós latino-americanos, um povo que o ‘‘mundo civilizado’’ nem liga. Também pudera, nem nós mesmos nos damos conta de nossa própria dor, e nos deixamos de lado para ‘cultuar’ a dor alheia. Quantos ‘‘World Trade Center’’ são derrubados diariamente abaixo da linha do Equador?
EDNEI DE SOUZA LEAL, Curitiba
Um novo começo
  ‘‘Um dia comum de trabalho. Dia de sol. A cidade se movimentava normalmente. Apenas mais uma terça-feira. Um evento. Uma tragédia. O caos. O espanto. O choro. O medo. O mundo, na globalização de informações, assistiu perplexo uma terça-feira comum entrar para a História. Fim. Novo começo. Países ricos desenvolveram e aplicaram uma nova política econômica externa nas relações com os países pobres e com os em desenvolvimento. Houve concessões honestas de todos os lados e boa vontade entre os povos objetivando a paz mundial, esta entendida não como a ausência de conflitos mas como a presença de justiça. O capitalismo exerceu sua função no combate aos flagelos da humanidade, e, em contrapartida, deu esperança àqueles que nada tinham, a não ser o fanatismo e o sentimento de revanche contra aquilo que não entendiam. Qualquer lugar do mundo, em 11 de setembro de 2070.’’ Algum dia esta notícia será veiculada? Se o homem não enxergar o caminho que está traçando hoje, não terá por onde caminhar amanhã.
HÉLIO AUGUSTO DA SILVA NETO (universitário), Londrina
O Brasil e a Alca
  A proposta da badalada Alca (Área Livre de Comércio das Américas) significa anexar as economias latino-americanas à economia dos EUA. Isto causará um abissal prejuízo a todos setores de nossa economia: indústria, agricultura, comércio, serviços e a descaracterização de nossa própria cultura. Acontecerá um verdadeiro caos ao nosso país, caso concretizar essa desvairada adesão à Alca nas condições propostas. Tenho certeza que todos que procuraram estudar o que significa esta tal de Alca descobriram que é muito nocivo ao povo brasileiro, nas condições propostas configuram apenas benefícios unilateral ao povo americano. Se depender da vontade do povo brasileiro, não haverá inserção de nossa economia a economia americana. O Brasil não pode abrir mão de sua soberania, o povo brasileiro tem que pôr em prática suas potencialidades a nível mundial.
ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
Olho na Amazônia
  Os Estados Unidos buscam através de tratados como a criação da Alca (Área Livre de Comércio das Américas, maior liberdade para controlar e explorar através de suas empresas multinacionais a imensa potencialidade da biodiversidade natural da América do Sul principalmente da Amazônia, a fim de sustentar seu alto padrão de vida em detrimento ao meio ambiente dos países periféricos.
  Uma vez inclusos na Alca, Área de Livre Comércio das Américas, os países periféricos, como é o caso do Brasil, estarão à mercê das imposições das multinacionais americanas, que de olho na biodiversidade da Amazônia há décadas, podem questionar até judicialmente qualquer mata nacional destinada a preservar o meio ambiente que elas considerarem um obstáculo ao comércio e obtenção de seus lucros.
  Essa evasão de divisas legalizada e respaldada pela Alca, provocam falências de pequenas e médias empresas nacionais que sobrevivem da extração controlada e racional dos recursos naturais, gerando mais desemprego e miséria.
ALEXANDRE SERRANO LUPPI (desenhista industrial), Londrina
Livre comércio?
  Jusifica-se a equivocada opinião do leitor Márcio Decesar Bessani (Folha, 08/09) a respeito do plebiscito sobre a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), uma vez que o mesmo teve pouquíssima divulgação nos meios de comunicação. Vale à pena informar-se mais a respeito para se ter uma idéia da seriedade do problema. O plebiscito promovido e apoiado pela CNBB, pelo Conic (Conselho de Igrejas Cristãs), por várias associações, sindicatos, não é um plebiscito oficial, mas uma manifestação popular que se posiciona contra a implantação da Alca, pelo menos enquanto o desenvolvimento econômico dos países americanos estiver tão desigual, impossibilitando uma justa competição comercial. Quanto ao México, a questão não é tão simples assim, se for vista sob a ótica social: antes de participar do Nafta, havia 45% de pobreza e após subiu para 75%. Se é que isto pode ser chamado de ‘‘modernidade’’.
ESTELA MARIA FREDERICO FERREIRA, Londrina
Bonde da história
  O Brasil deveria sim participar da Alca se, no passado, até mesmo o recente, seus governos tivessem olhado para seus filhos e desejado sua evolução, seu crescimento em todos os aspectos. Por isso não ter acontecido, hoje vemos a triste cena de pessoas gritando palavras de ordem e esquecendo-se de que a culpa do nosso atraso e condição de colônia vem das nossas próprias culpas, de governantes que tiveram a chance de pelo menos tentar a mudança, mas que preferiram mudar seus próprios destinos em detrimento de toda uma grande nação. Infelizmente, por tais motivos e por conhecer países de primeiro mundo que investiram em seu povo, sou obrigado, com a triste certeza de mais uma vez perder o bonde da história e de ter de ficar agüentando pessoas criticando a modernidade da qual não podem fazer parte, a votar não!
ANDRÉ LUIS ARRUDA PLÁCIDO (relações públicas), Bauru-SP

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