CARTAS
ILS em Londrina
Com frequência, lemos neste jornal matérias relatando as dificuldades da ampliação da pista do aeroporto de Londrina, e, sempre, observamos as autoridades locais dizerem da dificuldade de se desapropriarem as áreas necessárias, para doá-las à União, de tal sorte que a Infraero possa proceder às obras de extensão. O mesmo se diz no que tange à instalação do ILS, pois a colocação desse equipamento pressupõe a liberação de uma área lateral à pista, nas imediações da Avenida Salgado Filho.
Cabe então, a título de alerta e de informação, salientar ao Município e às autoridades que representam os londrinenses que, conquanto seja mesmo preciso desapropriar algumas áreas, não é de imperativo que sejam doadas à União Federal. Basta, na verdade, que sejam desapropriadas e destinadas ao uso aeroportuário, podendo permanecer como propriedade do Município.
Isto, a propósito, é o que se infere do artigo 38 do Código Brasileiro de Aeronáutica, onde se lê: ''Art. 38: os aeroportos constituem universalidades, equiparadas a bens públicos federais, enquanto mantida a sua destinação específica, embora não tenha a União a propriedade de todos os imóveis em que se situam.''
Acredita-se que a manutenção, na propriedade do Município de Londrina, das extensas áreas a serem desapropriadas é mais interessante, até porque poderão reverter para a cidade se futuramente, no todo ou em parte, vierem a perder sua finalidade aeroportuária, pela reposição dos equipamentos instalados por outros de tecnologia mais avançada, pela sua remoção, desativação, pela alteração das normas que estabelecem as dimensões das áreas de segurança para pousos e decolagens, pela construção de outro aeroporto, pela alteração da finalidade da pista atual etc.
ERICSON L. SILVA (controlador de vôo e piloto), Londrina
Nova ética
Não podemos pensar no século XXI como aquele em que a humanidade, finalmente, se vê confrontada, não apenas com a possibilidade, mas com as condições capazes de permitir a construção de uma vida digna para todos. Para que isso ocorra, faz-se necessário uma opção política pela transformação produtiva com igualdade social.
As reformas econômicas demonstram uma tendência em causar impacto nas conquistas sociais, gerando desigualdades absurdas, tanto quanto entre as nações e entre as pessoas de cada nação. Países como o Brasil têm hoje uma agenda com tendência a uma evolução produtiva: a agenda estrutural destinada a promover condições que possibilitem a competitividade numa economia mundial, de forma acelerada rumo a um processo de globalização.
Não se trata de propor que magicamente o país reverta todos seus problemas sociais, tornando-se um ''paraíso'', erradicando seus indicadores sociais negativos. O que se faz necessário na atual conjuntura é que nosso país assuma, consigo mesmo, o firme compromisso ético na implantação determinante na erradicação dos problemas sociais. Além de uma nova política de transformação produtiva com igualdade social, o Brasil necessita urgentemente de uma nova ética de responsabilidade, que para ser concretizada é necessário a co-responsabilidade entre o setor governamental e o setor empresarial, áreas predominantes na vida nacional.
Somente a união solidária desses dois setores com projetos estratégicos e com a cabeça erguida, sem utopia, são capazes de gerar a igualdade social. Esses dois setores têm as rédeas do país nas mãos, e somente eles são capazes de acelerar a transição de nosso país de hoje para o país que queremos em nosso futuro.
ANTONIO CARLOS DE MELO, (bancário) Porecatu
Violência virtual
O índice de proporção da violência na sociedade é cada vez maior e assustador. Recebi um e-mail de propaganda, desses que muitas vezes nos levam a gastar sem perceber, de um produto que me chamou muita atenção. Não pensem que era um produto normal como livros, eletroeletrônicos ou anúncio de dinheiro fácil, nada disso. O produto é (pasmem!) um aparelho de choque, daqueles que os policiais usam para conter as pessoas que estão tumultuando a ''ordem nacional''. Fiquei pasmo ao ver aquele anúncio com frases assim: ''Este aparelho possui volts de descarga, com vários modelos, cabe na palma da mão, no bolso ou na bolsa tranquilamente, por apenas...''
Mais preocupados, ficariam a classe trabalhadora dos professores, em geral, se naquele momento histórico, quando estes trabalhadores foram até as ruas reivindicar seus direitos e um desses governadores do Paraná do passado tratou-os à força animal. Se isso ocorresse atualmente, não posso afirmar, mas supor, que os aparelhos de choque portáteis substituiriam aqueles cavalos. Portanto, ao tomar a idéia básica da estratégia do marketing e propaganda, onde o anúncio já está sendo feito, o próximo passo é disponibilizar o produto ao mercado de varejo e a jogada está pronta, o consumo em massa está garantido.
RAMÃO MARCOS RYCERZ (estudante), Cascavel
Miséria brasileira
Poderíamos sim fazer de nossa breve história um grande feito épico. Mas é impossível negarmos o legado de um sistema elitista. Depois de tantos anos de lutas, protestos e revoltas ainda há marcas de um passado sombrio. Ainda há rostos sofridos e estampados pelas cicatrizes do poder. Faltou-nos coragem na recusa aos acordos ingleses quando o Brasil ainda era Monarquia. Agora, que somos República Democrática já não nos é permitido exercer a real ideologia que ela propõe. Já não conseguimos caminhar com nossas próprias pernas e vivemos a mercê de um mercado ditatorial e manipulador de democracias.
Onde se escondeu a audácia de nosso povo? Há evidências, na história, de que os cidadãos brasileiros foram bastante participativos, denunciavam as mazelas da sociedade. Nos atemos a isso? À denúncias, críticas ou apelo? De que valeram os esforços para instaurar uma reforma social? É evidente que não conseguiríamos erradicar, por completo, todas as desigualdades. Não seria objetivo final, mas quem sabe um meio bem simples de atenuar as discrepâncias entre as classes sociais. Se ao menos tentássemos buscar um progresso mais contínuo e coletivo, provavelmente o desenvolvimento atingiria a todos.
Não nos arrependamos de nosso passado desafortunado! Menos ainda esqueçamo-nos dele. Nossa história não terminou pelo avesso assim. Teremos dias felizes para contar. Há muito ainda por fazer. Apenas começamos, o mundo começa agora e termina quando quisermos.
RUBYA TESSER, (estudante), Londrina





