CARTAS
Brahms em Londrina
Na última quarta-feira Londrina teve a oportunidade de escutar uma das maiores obras do repertório sinfônico: a Primeira Sinfonia de Johannes Brahms. Foram necessárias cerca de duas décadas de trabalho para que esse grande e meticuloso compositor completasse sua primeira sinfonia, certamente um importante documento artístico da cultura ocidental. Infelizmente, devido à absoluta falta de divulgação, eu não soube com antecedência, não me programei e acabei não indo.
É incrível, mas nenhum jornal publicou sobre a realização do concerto. Nenhuma nota. Nenhum comentário. Era de se esperar pelo menos uma entrevista com o regente da OSUEL. Sim, pois essa obra-prima, de grande envergadura e plena de dificuldade técnica e interpretativa, foi apresentada numa cidade do interior de um país considerado periférico. E mais, com entrada franca! Trata-se de uma proeza que inexplicavelmente não mereceu a mínima atenção.
Parabéns aos músicos da OSUEL pela dignidade, ousadia e muitas horas diárias de trabalho. Que fique registrada nossa nota de insatisfação para com a imprensa e autoridades políticas que continuamente têm tratado de forma canhestra e insensível os bens da cultura.
ROBISON PORELI MOURA BUENO (estudante), Londrina
N.R.: o material de divulgação do concerto da OSUEL não foi enviado à Folha.
Campanha na UEL
Respeitamos os sentimentos - inclusive suas saudades -, da jornalista Mara Sallai, externados em carta aos dois jornais diários de Londrina e publicadas ontem, abordando a campanha eleitoral no Campus da UEL. Devemos, no entanto, esclarecer que as regras para a campanha eleitoral no Campus da Universidade Estadual de Londrina e regulamentadas por ato executivo da reitora Lygia Pupatto, são as mesmas adotadas nas últimas eleições, desde a redemocratização do País.
A regulamentação nos parece correta, pois devido ao grande número de candidatos a deputado estadual e federal, a campanha no Campus sem normatização seria prejudicial às atividades acadêmicas.
É necessário dizer que a missivista extrapola nas suas críticas e argumentos. A sua falta de discernimento e comparações estapafúrdias só fazem fragilizar sua crítica. Hoje temos inúmeros canais de debate político, opções de divulgação de programas, liberdades que não haviam no passado. A missivista mostra, com seu destempero, que não tem nada a ensinar ou acrescentar ao debate democrático.
Não há proibição de campanha no Campus. E podemos avançar. Na segunda-feira, a reitora assinará mudança no artigo 1º do Ato Executivo 071/02 - permitindo a panfletagem no Campus. Também serão definidas, a exemplo dos já agendados debates com os candidatos ao Governo do Estado, datas para três debates, um para candidatos à Assembléia Legislativa, outro para candidatos à Câmara Federal e outro para candidatos ao Senado, para que estes também possam falar à comunidade universitária.
MARCOS CESAR GOUVEA, Assessoria de Relações Universitárias da UEL
''Memória do eleitor''
Muito agradecido à Folha de Londrina pela matéria publicada no último domingo. Este veículo de comunicação prestou verdadeiro serviço de utilidade pública. A matéria ''Memória do Eleitor será testada na eleição'' trouxe a votação de deputados estaduais em temas de relevante interesse para o povo do Paraná como o pedágio, a privatização da Copel e venda do Banestado. Está guardada e será repassada a familiares e amigos para que refresquem suas memórias no dia 6 de outubro, e relembrem em quem não votar. Algo muito fácil, pois salvo raríssimas exceções, a grande maioria não merece se reeleger.
FÁBIO CHAGAS THEOPHILO (advogado), Londrina
Falta de higiene
Existe o péssimo hábito de molhar os dedos na saliva para folhear revista e livros, principalmente nos consultórios médicos e dentários. Certa ocasião perguntei a uma médica sanitarista se esse gesto não seria transmissor da tuberculose, herpes, gripes, etc. Adultos de todas as classes têm esse costume, talvez inconscientemente, e até crianças que sem lavar as mãos levam-nas à boca, esfregam os olhos e as próprias mães não se dão conta desses malefícios. Outra coisa que há muito tempo alertei foi sobre os copos nos postos de saúde: um único copo de plástico para água, sem ter aonde lavá-lo, para dar de beber a crianças e bebês, sem ao menos ser filtrada. Onde está a vigilância sanitária, e os que deveriam zelar pela saúde do povo?
Por que não se fixam dizeres nesses locais elucidando os menos avisados, principalmente as mães que levem um copo de casa. Não dêem a chupeta suja do chão. Por que não se ensina também nas escolas que a falta de higiene, é a porta de entrada para a maioria das doenças transmissíveis, maior ainda, o dispêndio para saná-las. Vacina-se para proteger de um mal e deixa-se que se contaminem de outros. Tudo quanto se faça para o bem do próximo, fazemô-lo a nós mesmos. Somos todos parte dessa imensa engrenagem que é a vida.
IRENE CRUZ CORRÊA, Londrina
Correção
- A Folha2 publicou recentemente duas reportagens sobre o gravurista pernambucano J. Borges, apadrinhado pelo escritor Ariano Suassuna. Nas duas matérias assinadas pelo repórter Francelino França, o escritor foi nominado como pernambucano. A informação correta é que Ariano Suassuna é paraibano. Ele nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, em 16 de junho de 1927. O alerta foi feito pelo leitor José Durval Fernandes.
- O quadro das palavras de cruzadas, publicado ontem na Folha2, estava incorreto.





