Alunos negros e o Enem
  Tive a oportunidade de trabalhar na aplicação da prova do exame nacional do ensino médio (Enem) no último domingo, avaliação dirigida aos alunos do terceiro ano do ensino médio. Sem entrar no mérito da validade ou não do referido exame, pude constatar por uma amostragem da sala onde eu trabalhava, uma ausência quase total de alunos negros. Isso levou-me a uma reflexão e sobretudo a uma inquietante preocupação. Aonde estão os quase 50% de negros em termos de educação? Estão abandonando as escolas durante ou logo após o curso fundamental? Se estão, quais os motivos que os levam a isso?
  Sabemos que a evasão escolar, principalmente nas escolas públicas, é muito grande. Mas isso afeta a população de um modo geral e sabemos quais são os motivos. Mas a questão do aluno negro parece estar atingindo uma dimensão assustadora, principalmente num momento em que estamos lutando por ações compensatórias e resgate da nossa plena cidadania. É fundamental que o negro, enquanto aluno, resista e busque através da educação essas conquistas. E isso só acontecerá se ele se determinar a um projeto continuado do curso fundamental ao superior e a uma possível pós-graduação. Não temos outro caminho.
JOAQUIM BRAGA (professor), Londrina
Fisco estadual voraz
  O fisco Estadual do Paraná tem agido de maneira ‘leonina’’, atingindo em cheio o cidadão paranaense de baixa renda e a população de maneira geral, que supostamente ganhou em 1995 o direito de ter em sua mesa produtos mais baratos, pela redução na tributação do ICMS, sobre os produtos derivados da chamada ‘‘cesta básica’’, reduzindo-se à época de 17% para 7%.
  O benefício fiscal concedido nestes termos somente é verdadeiro e beneficia o consumidor, quando a cadeia produtiva que envolve toda a geração e industrialização do produto é da mesma forma beneficiado pela redução do imposto, caso contrário estes encargos maiores, farão parte integrante do preço final, inibindo assim supostos benefícios concedidos no preço final.
  Um exemplo claro e patente é a inclusão de 27% de ICMS, no consumo de energia elétrica e nos serviços de comunicação ao setor agroindustrial, principalmente de alimentos, cujos produtos em sua maioria fazem parte da cesta básica. Não satisfeitos com esta absurda cobrança de imposto sobre o consumo da energia elétrica, que na verdade é muito maior, pela sua sistemática de cálculo por dentro, atingindo o insuportável percentual de 36,98% de imposto sobre o consumo, o Estado tem, na sua ganância de arrecadar, exigido a inclusão do ICMS no valor da demanda contratada de energia elétrica, bem como sobre o valor do Encargo de Capacidade Emergencial o chamado ‘‘seguro apagão’’.
  Estes exemplos, nos mostram um estado democrático no momento político que lhe convém, concedendo benefícios em favor da população, e divulgando aos quatro cantos do País, para que todos saibam de suas intenções e preocupações com o lado social, porém diga-se de passagem, ‘‘camuflam’’ arbitrariedades com a finalidade de compensar benefícios, antes concedidos, num verdadeiro ‘‘toma lá, dá cᒒ, é preciso se voltar contra isto devendo as empresas buscarem os seus direitos, tão cristalinos em nossa Magna Carta.
JOSÉ PARODES, (estudante) Londrina
Políticos traidores
  A propósito da excelente matéria ‘‘Uma prova para o eleitor’’ publicada domingo na Folha de Londrina, com o placar da votação sobre a venda da Copel, afirmo publicamente que jamais votarei em nenhum dos deputados que votaram contra os interesses do povo. É uma pena que eu não tenha também o placar da votação do pedágio.
JOSÉ CARLOS TREVISAN (comerciante), Sarandi
Sugestão ao TRE
  Uma sugestão válida para que os mesários compareçam ao seu trabalho no dia da eleição, seria no mínimo uma remuneração ao seu trabalho do dia. E a provisão de recursos deveria vir de um depósito a ser criado pela Justiça Eleitoral para devido fins, fundo este que seria formado com uma espécie de inscrição dos candidatos ao cargos eletivos dos interessados, podendo ser administrado pelo próprio Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada estado. Defendo que a questão do voto deveria ser facultativo ao eleitor, isso obrigaria os candidatos a se exporem mais ao seu eleitor com suas propostas políticas de melhoria e prestação de serviços para a sociedade. Quero deixar aqui meu protesto em relação ao horário eleitoral gratuito, principalmente na televisão, são cinqüenta minutos concentrados em um horário nobre em que as famílias estão reunidas. Sugiro que algum órgão de pesquisa faça um levantamento de quem assiste este horário, isto é democracia!
YOCHIHARU OUTUKI, Itambaracá
Governo responde
  Sob o título ‘‘Caos no Paranᒒ, este jornal publicou na edição de domingo (25 de agosto) o desabafo do sr. Carlos Henrique Fiuzza, de Curitiba. O caos a que ele se refere, reflete apenas o que se passa em sua mente conturbada. Classificar de farsas as realizações de Jaime Lerner como prefeito de Curitiba e governador do Estado, e de pseudo-empresas as 600 indústrias instaladas no Paraná a partir de 1995, é sinal de que o sr. Fiuzza, ao contrário do que apregoa, não é bem informado e muito menos culto. Como todo raivoso de plantão, é cego de pai e mãe e se presta a fazer, de forma subliminar, nesta época de propaganda eleitoral, campanha em favor dos inimigos políticos do governador do Paraná.
SECRETARIA DE ESTADO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL, Curitiba
Correção
n Na edição da Folha Cidadania de ontem, na matéria ‘‘Jornal chega a mais de 600 alunos’’ (página 4 da Folha 2), foi grafada erroneamente a palavra metereologia. O correto é meteorologia.

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