CARTAS
Fome, cidadania
e dignidade
Gostei da reportagem sobre a cidadania, a exclusão social e a fome. Porém, ficaram algumas dúvidas e discordâncias. Em uma página o pesquisador trata da cidadania, da exclusão social, da falta de identidade política e social de milhares de pessoas. Na outra página, na reportagem sobre a fome, essas mesmas pessoas se mantêm em situação indigna, esperando o sopão que é preparado por entidades. Algumas até têm vergonha de ir buscar, não entendi se por orgulho ou por escrúpulo, por não ver dignidade nesse tipo de ajuda.
Pareceu-me que os voluntários de jaleco, que vão à Ceasa coletar os ingredientes da sopa, não são os beneficiados, mas sim pessoas que prestam serviço voluntário; mas isto não ficou muito claro e gostaria de um esclarecimento da entidade. É certo que, dado que se trata de analfabetos ou semi-analfabetos, a entidade deve colaborar disponibilizando o carro e o motorista para o transporte dos produtos, bem como gestionando a doação dos produtos, junto aos produtores. Mas a coleta organizada deve ser feita pelos beneficiários da sopa, incluindo-os no processo produtivo da mesma. Da mesma forma que analfabetos podem aprender a colocar um jaleco e carregar produtos, também podem aprender a descascar batatas, ralar cenoura e picar legumes e carne. Seria bom fazer um cadastramento dos beneficiários da sopa e criar uma escala de revezamento, para a produção da mesma, a limpeza das panelas e da cozinha. Assim, eles não ficariam apenas esperando a sopa, na rua. Talvez isso dê até mais trabalho para a entidade, mas é uma atitude mais cidadã. É preciso incluir essas pessoas no sistema produtivo, ainda que não remunerado.
Em um mundo no qual o emprego escasseia, é preciso incluir todos em um sistema produtivo com dignidade, ainda que como troca de serviços. Em um momento mais avançado, seria bom disponibilizar uma área para que essas pessoas passassem a plantar o próprio alimento, colhê-lo e deixar a fome para trás, em um sistema cooperativista.
MARIA EUGENIA M. C. FERREIRA, Umuarama
Não à ALCA
Quando o Brasil foi colônia de Portugal no período de 1500 até 1822, os nossos principais produtos econômicos - o pau-brasil, a cana-de-açúcar, o ouro, o tabaco, o algodão o gado...enfim tudo que tínhamos de melhor - eram levados para Portugal.
A nossa gente passava fome porque todas as atenções eram voltadas para esses produtos de exportação, dando-se pouca importância à produção de alimentos que serviam para alimentar o povo mas não davam lucros.
As coisas não vão bem e os Estados Unidos têm que abocanhar os pequenos países. Querem impor de qualquer jeito a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que nada mais é que a recolonização do Brasil. Os cidadãos brasileiros de todas as camadas sociais têm que formar um elo forte e não permitir que isto aconteça.
A ALCA é um plano estratégico dos Estados Unidos da América, que provocará profundas consequências para todos os países latino-americanos. Deus nos acuda, o Brasil não pode cair nesta armadilha dos poderosos, querendo tomar a soberania política e econômica, nossos direitos e conquistas sociais e colocando em jogo a nossa liberdade.
Vamos combater este acordo. Reunamo-nos em nossas casas, nas igrejas, nas escolas, nas associações de bairros, detalhando tudo sobre a ALCA, para que o nosso país não caia nas mãos do capitalismo norte-americano. Há inúmeras razões para se dizer não à ALCA. Procurem conhecê-las.
Todos devem dizer não no Plebiscito Nacional sobre a ALCA, na semana da pátria de 1 a 7 de setembro. Em Londrina, as urnas de votação estarão espalhadas nos bairros, paróquias, colégios e sindicatos.
Salvemos o Brasil, cumpramos este dever patriótico assinalando um não, dando um basta ao poderio dos Estados Unidos que querem sugar as riquezas produzidas pelo Brasil e podendo agravar a situação de pobreza dentro dessa nova ordem econômica.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Paulo Coelho na ABL
A Academia Brasileira de Letras provou que não segue critério algum de seleção para sua tão estimada cadeira. Se segue algum, ainda não foi identificado. Uma hora é Zélia Gattai que é eleita a uma vaga, agora o mais novo imortal é Paulo Coelho .
Paulo Coelho é um escritor popular. Muito, diga-se de passagem . Mas será que só o fato de ser um recordista em vendas faz com que de repente ele se torne um bom escritor ? Seus textos são chulos, seus diálogos são risíveis e sua gramática sofrível. O enredo de seus livros segue uma fórmula mágica que atraiu milhões de leitores, talvez a única mágica que o escritor que se auto intitula mago tenha desenvolvido e que funcionou. Não é uma surpresa que seus livros vendam tanto, principalmente num país onde muitas pessoas compram os jornais só para ler o horóscopo. Mas é uma surpresa sim vê-lo ser imortalizado pelos mesmos membros da Academia que sempre o criticaram .
É importante que a literatura seja popularizada e, principalmente, democratizada. Mas sem perder de vista os critérios básicos de qualidade, para que não seja confundido o que é bom com o que é somente popular. A ABL deveria seriamente rever seus conceitos .
MARINA NOVAES, Rolândia





