CARTAS
Má distribuição
Brasil, país em desenvolvimento, apresenta uma grande renda per capita. O problema é a grande desigualdade, conseqüente da má distribuição da renda entre todos. Passa-se assim a um numeroso contingente de pobres na população. Segundo o Banco Mundial, em 2000, a renda per capita brasileira foi de US$ 3,6 mil. Os habitantes brasileiros são considerados pobres, resultado de se possuir uma das piores distribuições de renda do mundo.
Mesmo assim, nestes últimos anos, o número de pobres e miseráveis está em queda. Um fator que contribuiu foi a estabilidade do Plano Real que produziu um acréscimo de renda e trouxe de volta o mercado de crédito ao consumidor. Também com o aumento do salário mínimo, a população passou a consumir mais e o comércio passou a ter maior movimentação.
O governo brasileiro, ao contrário do que muitos pensam, investe e gasta um montante alto na área social. O problema é que gasta mal. Mas há vários programas sociais eficientes no combate a pobreza, como o Bolsa - Escola, o Comunidade- Social e o Alvorada.
O que deve ocorrer agora é que o próximo governo consiga manter a estabilidade financeira e, principalmente, utilize melhor as rendas para garantir o acesso à educação de qualidade a todos, assim o brasil poderá ser um país mais igualmente melhor.
AGNES IZUMI NAGASHIMA, Londrina
Agora, a eleição
Nos próximos meses, a política ocupará o centro das informações, o enfoque principal da mídia. Embora a grande maioria dos brasileiros não dê muita atenção aos eventos políticos, isso não significa que se trate de assunto secundário, sem maior relevância. Na verdade, o futuro será discutido e projetado a partir dos programas de governo e das propostas de atuação de cada candidato.
O eleitor deverá discernir o possível e o provável, em meio a avalanche de falas evasivas, às vezes, bem articuladas, repletas de oportunismos, mas quase sempre utópicas. Não basta que se diga ser capaz de tirar o país da situação atual - que não é das piores comparada aos tempos da inflação galopante. Faz-se necessário que se explique como proceder objetivamente para se alcançar tal intento.
Seja quem for o próximo Presidente da República precisamos ter a lucidez de que não haverá milagres, de que a aliança fácil de hoje será a frustração de amanhã. As dificuldades não serão dissipadas com a mudança da sigla no poder, ao contrário, podem até se agravar, se o presidente eleito não levar consigo a competência técnica e a habilidade política para governar.
PAULO CEZAR BASILIO, Presidente da Câmara, Pinhão
Jovem e a realidade
Em carta publicada dias atrás o jovem Jefferson J. Cardoso traçou comentários sobre a ignorância de parte da juventude brasileira atual. É indubitável que há diversidade cultural, política, e econômica em toda sociedade humana contemporânea. Não há que se discutir que dentro dessa diversidade encontramos pessoas corretas e preocupadas com um futuro melhor, como também encontramos outros que seguem caminho oposto.
A vida, em todos os pontos que focarmos, apontará uma grande variedade de viventes a se complementarem. É justamente essa mescla de pessoas e seus atos que fazem o equilíbrio maravilhoso, e que propicia a continuação da espécie humana.
É dever de todos lutar pela prevalência de um dos pólos. O mocinho luta pelo lado bom e o não-mocinho pelo lado ruim. Se é que existe lado bom ou ruim, pois são complementares. Ao se portarem assim, obterão vitórias e derrotas. Se não houver luta para que um lado se fortifique, o outro dominará. O equilíbrio então se desfará e viveremos uma situação de instabilidade, sem equilíbrio.
Em nós mesmos encontramos toda a diversidade. A luta entre o bom e o mau, entre o pecado e a santidade.
Essa luta clama por responsabilidade, pela não passividade de todos, e não somente dos jovens. Nada de deixar a vida me levar como diz o samba do penta (futebol, esse maravilhoso esporte que nos brinda com fortes emoções, e reflete a permanência das primárias políticas do pão e do circo, que também é observada em filmes futurísticos como Guerra nas Estrelas). Talvez a letra do samba sirva, com moderação, nos momentos de entretenimento, somente.
Essa história de deixar o presente e o futuro sob responsabilidade de outros, quiçá do destino como dizem alguns, é ato daqueles que não querem enfrentar os desafios, e deixam o sabor das vitórias para outros. Serão sempre coadjuvantes no grande livro repetitivo de fatos da vida, mas que lentamente evolui. A propósito, destino é o pior meio de aniquilar com objetivos, desejo de superação, e motivação para mudanças - talvez seja pensamento implantado por aqueles que não as desejam.
Desta forma, não temos que nos aterrorizar com fatos observados cotidianamente. Temos sim que refletir e atuar conscientemente. Lutar pela fortificação do nosso pólo. Temos que ser líderes da nossa vitória. O equilíbrio dito acima sempre haverá, pelo menos até o momento em que o Grande Arquiteto do Universo decidir a tudo ser segundo suas vontades.
Assim como o autor do texto inspirador desses pensamentos, tenho 23 anos, portanto, um jovem na luta pela vitória do pólo bom. É mais confortável saber da mesma consciência e atitude em outros de mesma faixa etária, talvez até provenientes de belas escolas como Ordem DeMolay, Rotaract, Escoteiros, Grupo de jovens evangélicos, e muitos outros existentes, todos formando melhores cidadãos para o pólo bom. Finalizo a reflexão com a bela frase de Walt Disney ao dizer que: Você erra 100% dos chutes que não dá. Então, vamos tentar acertar. Os jovens são a realidade do hoje, e não somente a esperança do futuro.
JOSSAN BATISTUTE, Londrina





