CARTAS
LAGO IGAPÓ
Novas polêmicas para preencher o tédio do londrinense: a ocupação do lago Igapó, a reforma do Calçadão e depois, o que virá? De qualquer forma, são novos temas que desviam nossas preocupações sobre a insegurança, sobre os assassinatos cotidianos que já não mais nos assustam! A impunidade. Os aumentos nos preços dos serviços públicos. O crescimento da inflação e outras desgraças mais... Mas, voltemos ao lago.
Sou sócio do Iate Clube de Londrina há 30 anos quando o Clube ainda era totalmente incipiente. A sede, um barracão coberto de zinco furado. Mas o que importava era o visual do lago, era a chance de poder passear pela água num pequeno barco com a sensação de liberdade, de estar num outro mundo deixando atrás a urbe que, naqueles momentos, apenas representava o trabalho estafante da semana. Partilhar com os filhos aquele contato com a natureza, olhar o movimento das ondas no lago que agiam no cérebro como um dos melhores solventes do estresse, era sentir a vida rejuvenescer.
Desses 30 anos de vivência, por duas vezes comodoro do Iate, portanto quatro anos na administração do Clube, criei a ''escola de remo'' que mais tarde, trouxe vitórias e competições honrosas para Londrina. Só por isso já valeria manter navegável esta preciosa lâmina d'água. Vários cursos de navegação amadora foram realizados no clube pela Marinha do Brasil. Vieram à Londrina vários Capitães de Fragata para as solenidades de entrega dos certificados. Fui um dos que recebeu a habilitação como Mestre Amador, juntamente com Beto Monteiro, João C. Garcia Cid, e tantos outros arraes amadores.
O entorpecimento mental que afeta os que se excedem na defesa do meio ambiente ofusca até mesmo a lógica mais primária. Dizer que as embarcações que navegam pelo lago e na minha memória de 30 anos nunca superaram a média de cinco embarcações por semana poluem a água de óleo é, se não puro exagero, pelo menos, falta do menor senso de proporção. Se essa premissa fosse verdade, o asfalto da avenida Higienópolis seria um ''rio'' de óleo. O rio Sena, em Paris, seria um manancial de petróleo. Vamos ser menos radicais. A beleza do lago não é somente a da natureza, mas, também, a da vibração, do prazer de viver, da energia que envolve tanto aos que o desfrutam como daqueles que o presenciam, completando a grande festa da alegria que, no lago, envolve a todos nos finais de semana. Sem o borborigmo das embarcações, para as quais ele foi construído pelo saudoso prefeito Fernandes Sobrinho, seria um tédio insuportável.
PEDRO MORETTO, Londrina
Os jovens, e sua ignorância
A ignorância dos jovens brasileiros é indiscutível, não querendo generalizar e claro. Mas há algum tempo venho notando que os jovens usam a política como válvula de escape para propagar suas atitudes inóspitas e sempre ter a desculpa de que o governo não faz nada usando o sistema como figura principal, e usando também até palavras como paz nos seus discursos irônicos. Que o governo tem muita culpa, isso é indiscutível, mas agir com ignorância é sem dúvida a pior forma de agir, para se falar alguma coisa sobre um sistema, você tem que saber sobre ele, e se informar, não é simplesmente sair quebrando tudo e dizer que a culpa é do governo.
Citando exemplos, tenho aqui próximo a minha casa vários jovens e adolescentes que picham muros com a seguinte frase: dane-se o sistema; hip hop movimento pela paz, e tudo o que eles fazem é ao contrário, utilizam palavras lindas como a paz, mas que não é praticada por eles e utilizam o sistema porque está na moda dizer que o sistema é o culpado, e se perguntarem a qualquer um deles quem é o presidente da República ou pior, o vice presidente, ninguém, nenhum deles saberia dizer. Então fica a dúvida de como os jovens vão construir um futuro se tudo que eles fazem é agir contra esse futuro. Eu também sou jovem, tenho 23 anos, e como muitos outros me preocupo com a vida e futuro de meu País.
JEFFERSON JOSÉ CARDOSO, Londrina
A descida ao inferno
Impuseram-se, nos Estados Unidos, conceitos econômicos baseados no princípio de que os americanos, da mesma forma que em termos de organização política, nasceram para salvar o mundo, enriquecerem e elevarem moralmente a si mesmos e a humanidade. É a história do destino manifesto. Mas, após o choque da ação criminosa de Nixon, em Watergate, os EUA viram-se forçados a apertar as cravelhas da moralidade, aprovando lei contra práticas corruptas internacionais para enquadrar empresas americanas que pagassem propinas no exterior.
Essa lei gerou problemas. Os empresários americanos alegaram ter ficado menos competitivos no comércio com os cucarachas. Ao que se sabe, porém, em muitos casos, ante relevantes interesses do País, tal regra é habilmente contornada. Agora, ocorre uma ''explosão mundial da corrupção'', que, segundo o livro 'A Corrupção e a Economia Global' (Ed. UnB), organizado por Kimberley Ann Elliott, teria sido causada pela globalização neoliberal. Para os autores, tudo não passaria de fenômeno passageiro. Logo, dizem os próprios mecanismos globalizadores vencem a corrupção e ficamos no melhor dos mundos. Se ainda houver mundo.
Será? Este repórter duvida. E atreve-se a dizer: se o filósofo moderno do livre mercado, Karl Popper, não tivesse morrido há oito anos e visse agora tal explosão, haveria de considerar a ganância humana e reconheceria que o comércio não é só questão de sociedade aberta e de liberdade, mas de regras justas e decentes, em proveito dos povos, que jamais deixassem de proteger os mais pobres.
Nos EUA, bancos e multinacionais são pilhados em fraudes generalizadas, contra acionistas modestos, o que, na correta visão de Samuel Pinheiro Guimarães, ''derrubam mais um mito do discurso neoliberal: o da eficiência e do progresso''.
Em 1999, antes que essa corrupção explodisse, os EUA entre 99 países listados pela ''transparência internacional'' em ordem decrescente de honestidade estavam em 18º lugar, seis à frente da Botswana. O Brasil, de tantas denúncias não apuradas em oito anos, estava na 48 posição, com Malawi, Marrocos e Zimbabwe.
Mas, se infundadas as suspeitas sobre o Sivam e, no caso, nada pior suceder, mesmo parados na lista, ficamos mais próximos dos EUA, que vêm descendo.
Quem diria! Fosse ainda passageiro desse País que desce, o humor de Groucho Marx não resistiria: ''Já é o Brasil?! O inferno está perto!'' E é fato. Doente, o País volta à medicina do FMI. Palavras de Armínio Fraga, presidente do Banco Central.
RUBEM AZEVEDO LIMA, é jornalista em Brasília





