CARTAS
Lago Igapó
Parabéns pela reportagem sobre o Lago Igapó 2, com belíssimas fotos (Folha 2, edição de domingo, dia 21). É oportuno lembrar os versos de Carlos Drummond de Andrade, no poema ''A Câmara Viajante'':
''O que pode a câmara fotográfica?
Não pode nada.
Conta só o que viu...
A imagem que ela captou e distribui,
obriga a sentir,
A, criticamente, julgar,
A querer bem ou a protestar,
A desejar mudança...''
WALTER NEY, Londrina
Jurídico
A reportagem ''Dialeto'' jurídico dificulta a democratização da justiça, publicado no dia 21 de julho de 2002, pág. 10, expressa marcadamente o grande valor da linguagem, advento que manifesta a cultura de um povo e a identidade de um país, uma vez que permite a representação mental da realidade por meio de emoções, apelos, referências, e tantas outras maneiras. Fundamentando, principalmente, a comunicação dos indivíduos, instrumento básico para se viver em sociedade. Sendo o maior saber, pois se não for por meio dela não é possível apossar-se de nenhum outro.
E, se por um lado é de extrema importância existir pessoas interessadas em tornar a linguagem mais acessível, e mudar a mesma para corresponder a realidade atual, de forma a facilitar o acesso à informação e ao entendimento do mundo jurídico a todos que não tem um alto grau de escolaridade ou conhecimento técnico, como foi proposto em tal reportagem, por outro, cabe a quem não dispõe desse saber, não continuar na comodidade, esperando ocorrer mudanças que atendam às suas necessidades, mas sim devem empregar um maior esforço em dominar e aumentar seu esclarecimento sobre a linguagem em seus diversos estilos.
Uma vez que, dominá-la da melhor forma, permite-nos promover mudanças em benefício da humanidade, averiguar se o estilo usado é pertinente ou não à presente situação ou circunstância, ampliar a participação na sociedade cada vez mais, assim como, possibilita ao indivíduo tornar-se um ser critico capaz de estabelecer juízos de valor, tomar decisões por si mesmo, conhecendo seus direitos e deveres, exercendo dessa forma a própria cidadania.
DANIELLY CRISTINA DE CASTRO, Londrina
Rei Ronaldo
A primeira Copa do Mundo de Futebol do século XXI teve inúmeros signos, figuras e personagens. Na era da comunicação, da mídia instantânea, eis que de repente, na véspera de um importante jogo de semifinal, vimos o nosso selecionado envolto numa série de problemas. Ronaldinho, o gaúcho, estava automaticamente suspenso pela expulsão sofrida frente à Inglaterra, vários nomes eram cogitados para substituí-lo, mas o que mais preocupava era a possível lesão do ''fenômeno'', joga ou não joga, como num prenuncio de que esta ausência poderia ser catastrófica.
Quando os olhos do mundo voltavam-se para Ronaldo Nazário, se jogaria ou não, na véspera do jogo, ele surge, surpreendendo a todos, com seu novo visual, uma ''franjinha'' uma das mais feias que já se viu.
Veio a grande final e novamente aqueles presságios horrendos, do tipo, será que a história vai se repetir? Uma alusão aos acontecimentos de Paris, na Copa da França de 1998 vinha a mente e me interrogava: Como será que o Ronaldo estará psicologicamente? Estará ele amadurecido e irá superar seu trauma?
A resposta... bem, comemoramos até hoje, o Pentacampeonato, e com dois gols dele, feitos pela perna direita, como se fosse um cetro iluminado. Definitivamente nascia o novo Rei do Futebol Mundial.
Após toda essa análise, passados vários dias da Copa, vi uma revista de circulação nacional, com a foto do ''fenômeno'' na capa, enrolado na bandeira nacional e ''caiu a ficha'', surgiu a minha tese, talvez a mais sensata, verdadeira e correta para a ocasião. Aquela suposta ''franjinha'' é na verdade a coroa do rei, foi um aviso mesmo antes da final, que a partir daquele momento o futebol tinha seu novo deus, (com todo respeito ao Pelé) mas é isso mesmo, um garoto, humilde, prodígio, que passou pelo que passou, desacreditado, desenganado e taxado pela maioria como um ''bichado'' para o futebol. Não poderia ser mais perfeito, o topete, uma marca na cabeça de quem merece, no seu estilo, com humildade, irreverência e objetividade, como o seu futebol. É a coroa, simbolizada pelo topete de cabelos negros do ''fenômeno'', como se Deus o tivesse avisado e dito: ''filho, corra para a felicidade, junte-se ao teu povo e demonstre aos que acreditam e fazem, que todos podemos ser vencedores, nem que seja por um só minuto''... e o guerreiro ferido, atendeu e provou que não estava morto, veio para substituir o outro Rei, aquele que imaginávamos jamais deixaria de reinar, mas que se perdeu pelas palavras e seu pessimismo...Valeu Rei Ronaldo, pela lição, pela bravura, pela alegria contagiante e principalmente, por você acreditar...
Até 2006... Danke Schön!
LAIR JOSÉ BERSCH, Marechal Cândido Rondon





