CARTAS
De boas intensões o
inferno está cheio
Fiquei muito preocupado com a notícia veiculada ontem no Cidades da Folha de Londrina, que fala da ação do Projeto Sinal Verde, da Secretária da Ação Social da Prefeitura de Londrina, que ateou fogo em colchões e tapetes velhos que eram usados por pessoas para dormir e se proteger do frio, em uma casa velha e abandonada no centro da cidade.
Dentro de um cenário miserável e sem assistência, as pessoas que vivem na rua, muitas vezes têm que se virar para se proteger do frio e da violência urbana. Diante de imóveis abandonados e becos escuros e imundos vêem nesses locais sua única possibilidade de refúgio e proteção.
A justificativa do referido projeto é que se tratava de um mocó de drogas e prostituição e que já haviam feito de tudo para retirá-los do espaço em que estavam. Ora, será que uma Secretaria da Ação Social não tem críticas a respeito das condições sociais e econômicas que vivem essas pessoas, massacradas pelo desemprego, péssimas condições de vida e miserabilidade? Será que não existem outras formas de atenção à essas pessoas, em parcerias via Rede de Cidadania ou comissão de direitos humanos, ou instituições filantrópicas de ajuda aos miseráveis?
Ao ler a matéria me lembrei da ação de adolescentes brasilienses que atearam fogo no índio Pataxó Galdino, uma ação concreta e cruel de irresponsabilidade e delinqüência juvenil. Penso que a ação piromaníaca do Projeto Sinal Verde traz uma ação a ser problematizada, considerando o valor simbólico do incêndio, de que, a partir do momento que não podemos incendiar os miseráveis, ateamos fogo em suas coisas para excluí-los do mínimo espaço urbano que lhes são destinados.
Fala-se tanto em cidadania e o que mais vemos são ações anti cidadãos. Precisamos urgentemente de políticas públicas e sociais de atenção à populações miseráveis, se é que queremos uma sociedade mais humana, mais igualitária e solidária.
WILIAM PERES, Londrina
Cidadania à moda
Lago Sul?
O envolvimento do cidadão nas decisões do poder público não pode se limitar ao voto. Mas, infelizmente, é isso que tem acontecido. Vejamos: nos últimos anos, os cidadãos ganharam a chance efetiva de participar da gestão governamental de suas cidades e municípios. Passaram a ser co-responsáveis pela aplicação dos recursos financeiros e pela definição das metas de saúde, educação, trabalho, infância, assistência social etc. No entanto, desgraçadamente têm jogado no lixo essa prerrogativa.
Hoje, os conselhos de educação funcionam em apenas 1,2 mil dos quase 6 mil municípios. E, nos lugares onde foram legalmente instalados, contêm uma aberração: quem os preside é o secretário de Educação. Para piorar, os conselheiros são cunhados, sogros, amigos, eleitores e correligionários do prefeito. Nas demais áreas, as constatações são semelhantes.
Mas como mudar isso? Como propagar a idéia de que há uma democracia representativa (a eleitoral, que excita hoje o país) e uma participativa? Como mostrar que acesso digno à saúde e à educação é um direito? Como convencer os cidadãos de que qualquer um de nós tem o direito de participar, influir, fiscalizar essas ações?
Claro, tudo isso passa por uma mudança cultural. No fundo, esses conselhos apenas refletem a consciência do povo, o grau de servidão em relação ao poder local e outras variantes sociais.
RENATO FERRAZ, Brasília
Agradecimento
Os filhos, genro, noras, netos e bisnetos de Massafumi Yuge agradecem publicamente os médicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde pelo carinho e dedicação especial durante a enfermidade do paciente até o seu falecimento, no dia 6 de junho.
Em especial aos profissionais: Dr. Naja Nabut, Dra. Jane Stella, em particular o Dr. Weber Arruda Leite; a equipe médica do DR. Claudinei e seus assistentes (internação domiciliar), Posto de Saúde Alvorada, Salva-Vidas SOS, funcionários e enfermeiros da Santa Casa de Londrina.
EMILIA YUGE E FAMÍLIA, Londrina
Risco Estados Unidos
O mercado financeiro internacional está inquieto. O dólar perde confiança e o euro atingiu a paridade com a moeda americana. Fraudes nos balanços de grandes multinacionais como a Enron, a Xerox, a World.com, e a Squibb, fazem tremer a base do sistema. Aonde estão as cassandras e vivandeiras, que punham a culpa de qualquer abalo nas eleições brasileiras ? Alguém viu os editorialistas do Apocalipse, ligados à campanha do candidato do governo, que repercutiam ordens de Soros, sugerindo que os brasileiros não tinham direito a escolher livremente seu presidente se o Deus Mercado não quisesse ?
IVO AUGUSTO DE ABREU PUGNALONI, Curitiba
Não tem preço
Quem pensa que já ouviu tudo, sempre se engana, coisas que não tem preço. Ver FHC elogiando e abraçando Itamar Franco. Ver o governista José Serra, criticando o governo de preços da petrobras. Ver o Lula dizendo que vai honrar todos os compromissos (pagar as contas). Ver durante toda a semana os presidenciáveis no jornal da globo e mesmo assim preferir a Fátima Bernardes para presidente, isso não tem preço.
Roberto Teixeira, Londrina





