Educação
Lecionamos, lecionamos, lecionamos e fomos excluídos de um abono de R$ 100. Hoje somos inativos de mãos trêmulas, corpo cansado, mente embotada, olhos embaçados, mas somos mestres, não perdemos a nossa identidade nesta sociedade. Atuamos, fomos protagonistas da história educacional deste Estado, deste País.
Os frutos da Educação são resultantes de um trabalho em mutirão: pais, educadores, educandos, comunidade. Quantas vezes nos reunimos para celebrar alegrias ou tristezas... Quantas vezes rimos ou choramos juntos.
Não podem nos deixar à margem, ainda pertencemos à caravana em marcha, educando, orientando os que nos procuram para a escalada da montanha. Estamos sempre a estimular as crianças, os adolescentes, os jovens, os adultos a não fugirem da plantação, vale a pena ''ir para além do deserto'', subir à montanha.
Não é justo, Senhor, que apenas uma palavra ''assiduidade'' exerça poder absoluto na elaboração e execução de uma lei. É absurdo, a lei existe para preservar a liberdade, a justiça, a verdade, jamais para cercear direitos, excluir, estabelecer divisão.
''Política é a arte da ciência, da virtude e do bem comum'', não é exclusão, discriminação.
Nós também carregamos lamparinas que alumiaram a trilha do saber. Hoje são muitos os que pisam em terra firme: religiosos, médicos, juristas, dentistas, enfermeiros, governantes, legisladores, arquitetos, comerciantes, funcionários públicos e de empresas privadas. Por que fomos excluídos de um abono de R$ 100? Deixamos de ser mestres. Transformaram-nos em párias da sociedade.
Não é justo, Senhor.
Fui educadora, como tantos outros, enfrentei caminhos difíceis da zona rural e da zona urbana. Senti o frio doído do amanhecer e do anoitecer escuro ou enluarado. Fiz quatro concursos, entre eles, um que continha três etapas: estágio supervisionado de cem dias (sem remuneração), uma prova escrita e uma prova de títulos (experiência) para conseguir uma vaga no Estado. Agora não tenho direito, não mereço um abono de R$ 100?
Não éjusto, Senhor!
Uma coisa é certa ''Todos somos um só em Jesus Cristo' (Gl 3,28). Um fenômeno da Seleção Brasileira disse: ''Sou guerreiro ferido, jamais morto.'' Eu concluo: Fomos guerreiros, participantes da batalha educacional, hoje inativos, não mortos.
EULÁLIA MOURA DUARTE, Cruzeiro do Oeste
Lago Igapó
Em resposta à carta do leitor Mário Cardoso, publicada dia 06/07, declaro o seguinte:
''Mário, oh Mário... não se esconda atrás do armário.''
O Mário é um advogado comum, destes que certamente não defenderiam causas para o bem comum, como por exemplo as ambientais, afinal elas ''não dão dinheiro'' e ''isto é coisa para ecologistas desocupados''.
O Mário também é um político comum (ou pelo menos tentou!), daqueles antigos, que com suas velhas artimanhas, que não tendo coragem para criticar com seus próprios argumentos as obras atuais do Lago Igapó, tentou me usar para tal. ''Cutucou o cão com vara curta!''.
O Mário, como ex-assessor ''para assuntos aleatórios'', amigo pessoal, advogado do ex-secretario de Obras, e suplente de vereador pelo mesmo partido, não gostou nem um pouco das várias intervenções que fiz no sentido de barrar aquela megabarragem, que seria ''uma referência nacional de tecnologia e de beleza'' como imaginava o amigo e cliente do doutor Mário.
Obra esta que de tão ''mega'', se tornou ''um mico''.
Amigo Mário, além de tudo você está com a memória fraca. Lembra-se quando me elogiou publicamente para toda a imprensa, depois do meu depoimento na polícia sobre as obras do Lago Igapó? Você me chamou de ''sensato e tudo mais...''.
Vou te contar um segredo... me sinto hoje um homem bastante feliz e realizado nos meus objetivos da ''antiBraca-barragem'', principalmente porque depois das trapalhadas iniciais, felizmente, as obras do Igapó tomaram um outro rumo.
Assumiu a pasta um secretário inteligente, atencioso e educado (que sabe ouvir, dialogar e respeitar as várias opiniões), com isso o município ganhou muito e, principalmente, economizou mais de um milhão de reais!!!
Ganhou também um novo ponto turístico, resolveu o problema de engenharia construindo uma barragem simples, barata, mas muito bonita, feita com uma técnica que é referência mundial de ecotecnologia e ecoeficiência, além de ser pioneira em nossa região.
Com relação à dragagem do lago, realmente Mário, como ''igapólogo'' que sou (talvez o único), ela poderá ser feita de várias formas, com o lago vazio ou cheio.
A que causa o menor impacto ambiental e atende aos anseios da comunidade é realmente com o lago cheio. Já imaginou Mário, se tivermos também que esvaziar os outros quatro lagos para fazer a dragagem dos milhares de caminhões de lama e lixo que neles foram irresponsavelmente depositados, pela ausência de uma política pública adequada para este problema ?
Agora Mário, te afirmo, que creio na palavra do prefeito e do seu secretário, porém se a dragagem não acontecer, mais uma vez (como você mesmo diz) você vai ver a exposição da minha figura humana, desta vez sem as cuecas! (há há há).
JOÃO BATISTA MOREIRA SOUZA, ambientalista, diretor e fundador da ONG Patrulha das Águas

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