Anjo do Esporte
Conta uma lenda que existe um Anjo Esportivo e que esse anjo passeia entre os soldados das mais belas batalhas, a saber, aquelas que se travam nos palcos do esporte. Ele tem a missão sublime de proteger o atleta e fazer possível tudo aquilo que o curso natural da História considera impossível. A ele atribuem os maiores espetáculos, a quebra de recordes e a beleza de todos os esportes.
O Brasil em especial sempre gozou da presença do já mencionado anjo. Ao longo da História perdemos as contas de quantas vezes choramos de emoção diante da glória, mesmo que às vezes sofrida, de tantos talentos que tem desfilado pelos palcos esportivos do mundo, incontáveis são as vitórias de nossos atletas, nascidos num país considerado de terceiro mundo. Ainda me lembro da Olimpíada em que fomos considerados a delegação com maior número de atletas com cáries. Quase sempre nossos heróis surgem de famílias de baixa renda e não muito raro esses heróis são apegados a Deus.
Há algo de mágico no esporte, quando atleta cai e se levanta é um ato espontâneo, próprio do guerreiro que não se prostra diante da queda, mas se apruma e luta.
A Copa do Mundo mostrou como a este anjo é real. Lá estava ele para o grande espetáculo de um grupo de meninos, na maioria de infância pobre, fazendo outra vez o povo chorar de emoção. O anjo esteve por lá, desfilando entre eles depois de acompanhar a recuperação de Ronaldo, lá estava para aplaudir de pé não só o retorno glorioso de Ronaldo, mas também a ascensão de Kleberson, a consagração de Rivaldo, a exaltação de Cafu, enfim a coroação da família Scolari.
Duvidar que esse anjo existe? É impossível, embora alguns poucos não consigam ver por possuírem memória fraca. Vale lembrar que Brasil penta é só a continuação da nossa vitória no futebol, no atletismo, no boxe, no judô, no automobilismo, no vôlei, no tênis.
Quase sempre começamos assim desacreditados, humildes, mas com raça e alegria levantamos taças de vitória. Afinal diz a lenda que um Anjo Esportivo passeia entre nós.
CLEUZA MARIA IRINEU, atleta fundista
Tim Lopes
Os que forem sensíveis nem tentem imaginar as crueldades a que foi submetido, até morrer, o repórter que a TV Globo temerariamente infiltrara num reduto de traficantes, cujo chefe tem o sugestivo apelido de ''Maluco''. Aquilo nunca foi serviço para um único e desprotegido repórter, mas para policiais treinadíssimos e/ou bandidos da própria quadrilha, convenientemente convertidos para a deduragem quase suicida.
A propósito do doloroso episódio, creio de meu dever assinalar que muito se equivocam todos aqueles para os quais a maior vítima do homicídio crudelíssimo fora a sociedade, visto que, daquele modo lhe malferiam o direito sagrado que tem de ser verazmente informada de tudo. Pode até ser verdade, mas no domínio da idealidade, pois que, na prática, a grande mídia brasileira já vem descumprindo este dever há bastante tempo, graças à parcialidade com que se colocou a serviço de um governo anti-povo e anti-Brasil.
ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília
Padres candidatos
A ética é um dos aspectos mais comentados e refletidos no contexto político atual. Em pleno ano eleitoral, todos querem ''vender'' uma imagem de amigos da boa moral e combatentes da corrupção. Mas há uma forma de corrupção da qual é necessário que se fale e sobre a qual se desenvolva mais o senso crítico do nosso povo: o mau fenômeno dos ''padres candidatos''.
Tal fenômeno tem diversas raízes, e pode-se destacar como uma das principais a precariedade da formação sacerdotal existente já há um bom tempo na Igreja. Mas é preciso que se esclareça alguns pontos: a doutrina oficial da Igreja Católica, expressa no Código de Direito Canônico e no documento 67 da CNBB, lançado no ano passado, estabelece que: ''Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos que implicam participação no poder civil'' e ''não tenham parte ativa nos partidos políticos''.
Ora, se um indivíduo passa por cima da lei da própria Igreja à qual um dia jurou fidelidade, obediência e amor, e abandona o sacerdócio que seria seu maior compromisso pessoal de vida por razões, muitas vezes, de vaidade e busca de ''status'' social ou financeiro, que ética se há de conferir a tal pessoa que ousa almejar um cargo público?
O documento de Puebla explicita bem a razão da norma acima colocada e é orientação para a escolha de todo católico consciente nas eleições: ''Os pastores, uma vez que devem preocupar-se com a unidade, se despojarão de toda ideologia político-partidária que possa condicionar seus critérios e atitudes. Terão, assim, liberdade para evangelizar o político como Cristo, a partir de um Evangelho sem partidarismos nem ideologizações.''
MARCIA CAROLINE PORTELA AMARO, Londrina

mockup