CARTAS
Trinta de junho Festa do Papa
A igreja comemora este ano a Festa do Papa dia 30 de junho. Neste dia é celebrada a data do Sumo Pontífice, data de São Pedro, o 1º Papa da história. Também será realizada uma coleta mundial chamada Óbulo de São Pedro, que reverte sempre para obras de necessidade mundial. Por exemplo, em Bogotá, Colômbia, existe uma organização que auxilia os agricultores pobres da América Latina em diversos projetos.
Hoje, quando se fala na pessoa do Papa, logo vem a mente a saúde frágil de João Paulo II. Ele nasceu em Wadovice, Polônia, nas imediações de Cracóvia, cidade por excelência operária. Nasceu dia 18 de maio de 1920. Desde jovem foi operário, assim como seu pai. Sofreu na pele os rigores da guerra, perseguições nazistas e comunistas. Inclusive o jovem Woytilia, mais tarde João Paulo II, encenava teatros com o seu grupo de jovens, para alertar os perigos da guerra e suas atrocidades, o que lhe valeu perseguições. Ingressou no seminário ainda jovem e foi ordenado sacerdote dia 1º de novembro de 1946, foi eleito bispo dia 4 de julho de 1958 e sagrado dia 28 de setembro de 1958. Foi feito cardeal dia 26 de junho de 1967. Mais tarde foi eleito Papa dia 16 de outubro de 1978 e iniciou seu trabalho no Vaticano dia 22 de outubro de 1978.
No livro do Léxico dos Papas de Rudolf Fischer-Wolepert, existe um capítulo especial onde se trata da duração dos Pontificados desde de São Pedro. João Paulo II já é o quinto Pontificado mais longo da história da igreja. O Papa que mais tempo coordenou a igreja foi Pio IX, de 1846 a 1878, com 31 anos e oito meses. Em segundo vem Leão XIII, de 1878 a 1903, com 25 anos e três meses. Em terceiro lugar vem Pio VI, de 1775 a 1799, com 24 anos e seis meses. Dia 16 de outubro João Paulo II já será o quarto Pontificado mais longo da história da vida da Igreja Católica, com 24 anos de Papado.
Desde o início de seu trabalho apostólico de pastor universal da Igreja Católica, voltou-se para dar mais impulso à evangelização, onde pediu um novo ardor com novos métodos no trabalho.
O Papa viajou pelos quatro continentes preocupado com a acomodação e a secularização que se abateu na igreja. Por ser filho de operário na época difícil do nazismo e comunismo, em muito influi para a derrota definitiva do comunismo na queda dos muros de Berlim dia 29 de novembro de 1989.
O Papa muito se preocupa com a modernização e o neo-modernismo, a indiferença religiosa dos povos, especialmente na europa, o que fez com que se realizasse o sínodos dos continentes. Os responsáveis pela igreja em seu continente foram reunidos em Roma, onde debateram com franqueza os problemas existentes. Nunca fugiu dos problemas, como na recente crise da pedofilia, que abalou a igreja nos Estados Unidos. Sempre o Papa deixa transparecer sua preocupação quando os problemas atingem a igreja em qualquer parte da terra.
Fica sempre atual a frase que Jesus pronunciou para Pedro ao escolhê-lho como primeiro Papa: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, as portas do inferno não prevalecerão sobre ela (Mateus, 16, 18).
MONSENHOR NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER, de Salto do Lontra (PR)
Viver é especular
É até engraçado acompanhar a opinião dos economistas e políticos sobre o grande nervosismo que marcou o mercado brasileiro na semana que passou. O câmbio explodiu, os títulos da dívida externa despencaram, houve fuga de capitais, o risco-país chegou a níveis dramáticos. É claro que aqueles que têm acompanhado os melhores analistas não terão sido surpreendidos. Afinal, era de se esperar que isso acontecesse, até porque as chances de Lula ganhar no primeiro turno são cada vez maiores.
A tese de que os investidores têm um comportamento irracional, endossada pelo próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, precisa ser avaliada. Ele disse que os investidores tiveram o comportamento de boiada. Ora, todo mundo sabe que os detentores de poupança financeira correm sérios riscos no Brasil, em virtude da sua virtual incapacidade de pagar seus compromissos externos e também a sua incapacidade de conter o explosivo crescimento da dívida pública interna e externa. Isso se considerando o bom caráter do governante de plantão, que quer honrar os contratos, embora nem sempre trilhe o caminho adequado para chegar a esse objetivo. Dá para imaginar se o governante, por razões ideológicas, decidir repudiar a dívida e responsabilizar os banqueiros e investidores pelas mazelas da economia. Aí só um tolo e desinformado para manter seus capitais aqui investidos.
O fato é que o comportamento do mercado é perfeitamente racional e esperado, o que os bons analistas já haviam previsto de há muito. A dúvida era a data provável em que a fuga de capitais iria começar, se mais próximo ou menos próximo da data da eleição. Pelo jeito, ninguém está querendo esperar para ver e o processo foi antecipado. Até outubro, e provavelmente por muito tempo depois, viveremos o inferno econômico, a gradual argentinização da economia brasileira.
Então onde está o elemento irracional do processo? Quem é a causa de tudo isso? Claro, só há um culpado: o Estado, com seu gigantismo, com seu sistema político que permite toda sorte de populismo e faz de mecanismo de acesso ao poder um campeonato para saber quem é o populista mais desvairado, a prometer os maiores absurdos. O troféu é a faixa presidencial. Querer atribuir ao mercado uma qualidade que é exclusiva dos agentes estatais e do estamento político é má fé. Os defensores dessa tese são sempre os advogados do Estado grande, os economistas marxistas e keynesianos e os cientistas políticos assalariados às facções políticas de esquerda.
Alceu Garcia, no texto do qual extraí a frase em epígrafe (A revolta contra a economia), lembra-nos que o candidato provável vencedor das próximas eleições é um comunista ignorante, assessorado por uma malta de ferrabrases marxistas, entre os quais diversos economistas dotados de um histórico deprimente de desastrosas intervenções na economia, confiscos, calotes soberanos e violações de contratos. Quem haverá de discordar dele? E será que só Alceu Garcia e eu sabemos disso, e os investidores não?
A ficção é que quem especula (no sentido de fazer um movimento de má fé) contra os brasileiros são os investidores. Os fatos dizem que quem faz isso é o gigantismo estatal e os seus advogados, hoje capitaneados por Lula Lá e sua troupe. Quando leio os jornais do dia por vezes tenho náuseas por ver tanta mentira impressa, tanta má fé e também tanta ignorância no trato da informação e da verdade. O jornalismo político e econômico virou uma obra de ficção completamente desprovida de arte. Mas quem sabe, sabe. Os investidores e o mercado jamais se enganam.
NIVALDO CORDEIRO, de Londrina





