CARTAS
Voto
Em tempos passados existia em nosso país a figura do voto de cabresto, onde o coronel reunia seu rebanho eleitoral e assegurava a vitória do seu candidato. História de um passado não muito distante, que pode ser revista em uma versão mais moderna. É certo, ou quase certo, que não existe mais o voto de cabresto, mas a prática se renova através da sua versão atual: o voto comprado.
Nos dias de hoje é prática comum a diversos políticos arregimentar seu rebanho eleitoral com a compra do voto; é um ato antidemocrático, é a manifestação da fragilidade de nosso sistema eleitoral. Políticos mal intencionados asseguram seus cargos públicos com a farta distribuição de cestas básicas, camisas de futebol, bolas, dentaduras, cadeiras de rodas e todo o tipo de moeda de barganha.
A função do político não é o assistencialismo; no exercício de sua função o político vai trabalhar para o povo, partindo deste princípio o mesmo não deve dar nada para a povo, senão seu trabalho (e que este trabalho seja honesto).
Todavia a realidade de nossa sociedade incentiva a prática da compra da voto. Enquanto políticos conseguirem garantir sua eleição através da compra de votos e não pelo seu trabalho o círculo vicioso irá perdurar.
Ao mal político interessa manter a população em um grau de miserabilidade, pois é mais fácil se eleger com a distribuição de camisas de futebol e cestas básicas do que através do trabalho honesto e consciente. Eis que se manifesta a versão moderna do voto de cabresto; a realidade é que ainda temos os currais eleitorais, só que hoje eles não se encontram mais nas feudos dos coronéis e sim nas bolsões de miséria que proliferam em nosso país, onde um litro de leite compra um voto.
Quanto vale seu voto? Quem sabe um jogo completo de camisas de futebol do seu time do coração?
TOCHITANE MITSI, Londrina
Fronteiras
O brasileiro tem orgulho, ciúme e uma velada arrogância pelo tamanho do seu território também pudera, é um continente. Só que todo orgulho pára aí, pois não zelamos, pouco fiscalizamos e não protegemos nossas fronteiras como deveríamos. Dentro desses limites o que se vê é descaso, negligência, abandono, entreguismo por parte de quem dirige a nação e por parte também de quem vive dentro dela.
Todos querem tirar o máximo: exaurir o solo, as matas, as reservas subterrâneas, os mananciais. É uma luta diária de destruição, sem nenhuma preocupação com o amanhã, com os próprios filhos e netos; dá a impressão de que cada cidadão tem que destruir sua parte, custe o que custar.
Daí gritam, esbravejam, viram feras quando organizações internacionais se apoderam de imensas áreas de terras ou para exploração de jazidas ou simplesmente para dominar um vasto território, tudo isto com o consentimento ou conivência das autoridades ditas constituídas.
Deve sentir orgulho de seu território o povo que vive bem dentro dele: bem alimentado, bem vestido, educado, saudável, com boa moradia, respeitando suas crianças e velhos. Do contrário, é puro ufanismo barato, é deslavado discurso eleitoreiro sem duração e de nenhum proveito prático para a nação. Quem não ama, não cuida, não valoriza o que tem, não é digno deste bem; o melhor mesmo é passá-lo para outro.
Um território cercado pela fome, pela injustiça tributária e de renda, pela miséria e pelo despreparo intelectual de seus habitantes, além de inseguro e pouco produtivo, torna-se presa fácil para especuladores de toda estirpe.
É bom lembrarmo-nos de que o dinheiro não tem pátria, que a globalização só atende aos interesses de poucos, deixando a grande maioria na miséria e no abandono, favorecendo o aparecimento de organizações paralelas ao Estado que corrompem, viciam, aniquilam nossos jovens e nos deixam inseguros no seio do nosso próprio lar.
As eleições estão chegando ...é bom pensar nisso.
ESMERALDINO FRANCO, Santa Mariana
Corrupção
A população mundial conta com seis bilhões de pessoas que sobrevivem basicamente de religião, política, comércio e esporte profissional. Há constante abuso para com o homem comum: prometem bobagens; tapeiam; falsificam; acertam resultados... Tudo dentro da legalidade. Governo e demais autoridades não se manifestam, como deveriam se manifestar; são coniventes com os estelionatários! Diante de tanto abuso, gera violência... Faz-se necessário, para que tenhamos o progresso da humanidade, que leis e autoridades se completem e ajam dentro da lógica, da razão e da ética. Justiça deve ser praticada, principalmente para os economicamente poderosos. Ladrões de tostões são punidos; ladrões de milhões abusam e nada lhes acontece.
Para que tenhamos um mundo com qualidade de vida para todos, devemos colaborar! Milagres não existem. Levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício é preciso. Abaixo a insensatez; acima a sensatez.
FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão





