Arranha-céus
Sabe-se que será construído um arranha-céu de 32 andares na rua João Russ, esquina com a rua João Wyclif, na gleba Palhano, em Londrina. Falam que será o mais alto da cidade. Esse fato é preocupante, porque se a moda pega e todos resolvem construir megaprédios de 30, 40, 50 andares, seremos a cidade da sombra, onde poucos privilegiados terão direito a receber a luz do sol e a desfrutar da paisagem. É triste lembrar da praia de Camboriú (SC), cercada de arranha-céus que formam um ‘‘paredão’’ em torno da areia, provocando uma sombra artificial a partir das 17 horas para o desalento dos banhistas. Agora, a prefeitura daquela cidade estuda o aterro de parte do mar para aumentar a faixa de areia. Penso que é bom administrador aquele que evita a ocorrência de problemas urbanos, e não o que toma providência depois que o incêndio já começou ou terminou. Espero que em Londrina seja diferente. Seria decepcionante ver a região da gleba Palhano transformada em uma muralha em torno do lago Igapó. O prejuízo será de toda a cidade que perderá uma de suas mais belas paisagens urbanas, bem como das pessoas que apreciam o passeio e a caminhada em torno do lago. Conheço vários moradores da gleba Palhano que manifestaram intenção de ingressarem com ações judiciais a fim de embargarem obras e construções para preservarem o direito de vista à paisagem. Isso é muito ruim, pois a batalha judicial será longa e com desfecho imprevisível. Não se tem notícia de lei municipal que regulamente a altura dos edifícios. Assim, apelo aos vereadores conscientes para que abram o debate sobre o tema a fim de promovermos o bem-estar de toda a coletividade londrinense e, ainda, evita-se pendengas judiciais. Prédios sejam construídos, mas de altura razoável e de forma que não agridam o meio-ambiente urbano.
MÁRCIO AUGUSTO NASCIMENTO, Londrina
Sucessão
As atitudes promovidas pela cúpula petista são, no mínimo, uma contradição se pensarmos nos princípios ideológicos do partido. O PT sempre posicionou-se contrário à implantação do Estado mínimo, neoliberal, defendendo maior interferência Estatal para garantir um grau satisfatório de autonomia econômica. A aliança anunciada com o PL põe em cheque-mate uma das virtudes do PT mais respeitadas por todos: a coerência no discurso e o respeito aos princípios ideológicos. Vamos supor que, caso vença as eleições, o então presidente Lula não termine seu mandato. Nesta hipótese, teremos como liderança no poder executivo o PL. Isto não seria uma traição aos milhares de cidadãos que depositaram nas urnas um voto de confiança no PT e na ideologia que representa? Neste caso, acredito que seria mais prudente e ao mesmo tempo mais democrático uma discussão maior entre os caciques petistas e seus militantes. Ou será que, para o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, os fins justificam os meios?
GIOVANI DAGOSTIM, Porto Alegre

Bomba
Depois de anunciar que não poderão usar bombas atômicas contra sete países que também as têm, inclusive China e Rússia, a todos apelidando em conjunto de eixo do mal por armazenarem armas de destruição em massa, os EUA vêm de acertar, com a Rússia, que em dez anos ambos os países – e somente eles, naturalmente sob regência da claúsula ‘‘rebus sie stantibus’’ – reduzirão a um terço os respectivos arsenais nucleares. Foi bastante para que a mídia brasileira soltasse foguetes, sem ter noção de que existem artefatos nucleares suficientes para destruir o planeta Terra uma porção de vezes, de modo que, mesmo que o tratado EUA-Rússia obrigasse todos os numerosos e aguerridos membros do clube atômico, a destruição, num decênio de dois terços das ogivas ainda deixaria, intocadas, bombas suficientes para duas ou três ou quatro transformações da Terra em escombros fumegantes. Mas, pensando bem, não seria pior ainda aguentarmos mais 20 anos de ‘‘governo’’ FHC no Brasil?
ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília

Penitenciária
A Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) custodia atualmente mais de 550 condenados, indivíduos estes que praticaram algum tipo de delito e que hoje estão pagando pelo erro com o encarceramento. Manter os condenados encarcerados é uma tarefa não muito difícil, pois basta colocá-los atrás das grades e vigiá-los. Entretanto, a penitenciária possui um propósito bem mais extenso, ou seja, a reabilitação social dos condenados, tarefa esta que é executada por uma equipe de servidores do Estado, envolvendo técnicos, administrativos, apoio e segurança, totalizando mais de 200 funcionários. É notório que o Estado tem dificuldades em manter uma instituição como a PEL, contamos assim com o apoio da comunidade para efetivar com êxito o retorno dos condenados à sociedade, após o cumprimento de penas privativas de liberdade. Assim é que venho a público manifestar agradecimentos à Copel, com o desenvolvimento do programa ‘‘Luz das Letras’’, que trata de alfabetização através de microcomputadores; a Sercomtel, com o propósito de desenvolver o curso de informática, aliado ao fornecimento de equipamentos e recursos; à Universidade Estadual de Londrina, com a atuação do Festival Internacional de Teatro (Filo) no interior da penitenciária; à Receita Federal e à Polícia Federal, com a doação de equipamentos e mobiliários; à Universidade Norte Paranaense - (Unopar), com a realização de cursos; e por fim, ao Terra Roxa - Curso Asa Sigma Vestibulares, que através de seus diretores, dispôs a fornecer material completo de apostilas preparatórias para vestibulares a todos os condenados interessados em manter seus estudos.
RAIMUNDO HIROSHI KITANISHI, diretor da PEL

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