Copa


Mais uma vez a ''nação canarinho'' segue a ordem do grande irmão para ligar a televisão e fazer render o dinheiro que pagou para a retransmissão do maior evento da Terra, que pensando bem, não passa de 22 pessoas chutando uma bola. Há uma semana, a Fifa tentou impedir o grande irmão de colocar os jogos no satélite. Rapidamente, o presidente da nação canarinho deu uma canetada evitando a grande injustiça, e fazendo com que nenhum canto deste país estivesse livre da grande hipnose nacional.
Eu entendo a prática de um esporte. É saudável até. O que me repulsa é que seja tão fácil manipular 170 milhões de pessoas. É freqüente as pessoas associarem esta hipnose coletiva com patriotismo. Enquanto eu ia para o trabalho às 8 horas da última segunda-feira, alguns patriotas histéricos andavam de carro gritando pela cidade.
Há algumas semanas, enquanto os ''párias de chuteiras'' prestavam atenção nos mínimos detalhes de como aquelas 22 pessoas iriam chutar uma bola, o Copom mantinha a taxa Selic em 18,5%. Aliás, no mês passado, próximo a outra reunião do Copom, outros patriotas saíram de casa para chutar o carro do técnico, porque ele não convocou o Romário.
No final de maio, o governo jantou um mês dos rendimentos das economias da classe média, enquanto passava na televisão os pormenores da vida de 11 pessoas que não sabem fazer nada a não ser chutar uma bola. Afinal de contas, uma reunião do Copom decide só entre ter ou não ter emprego, e isto é secundário em relação a como 22 pessoas vão chutar uma bola.
O país precisa de mais do que 90 minutos de patriotismo. Precisa de patriotismo para fazer pão, para vender seguro, para dar aula, para plantar, enfim precisa de patriotismo no átimo de tempo entre as copas, e para aquelas poucas coisas da vida que não estão relacionadas a futebol.
Eu torço contra, porque quero que o país volte a prestar atenção em si próprio, e perceba que o modo como aquelas 22 pessoas chutam uma bola não faz a menor diferença para o país.
EFRAIM RODRIGUES, Londrina

Copa (2)

Gostaria de registrar meus cumprimentos à Paiquerê AM, a única rádio do Estado do Paraná a transmitir ao vivo os jogos da Copa. Uma clara demonstração de que santo de casa faz milagre, sim. A Paiquerê mostra isso. E Londrina está de parabéns por ter uma empresa como essa, elevando a importância de nossa cidade em suas transmissões.
ALVARO ALMEIDA, Londrina

Copa (3)

Nessa Copa do Mundo de Futebol o povo brasileiro e a mídia estão percebendo que seus aclames inúteis (e ridículos) pedindo Romário, bem que poderiam ser voltados a buscar bons zagueiros para a seleção.
SERGIO FAJARDO, Mandaguari

Copa (4)

Brasil país do futebol, nada como uma copa de mundo para servir de calmante, com uma seleção que segue em frente aos trancos e barrancos e muitos comprimidos, muitos brasileiros esquecem do dólar a U$$ 2,80, o risco Brasil passando dos 1300 pontos, das 2198 pessoas de sumiram somente do estado do Rio de Janeiro nos últimos 3 anos, da violência generalizada no país. Mas enfim, para que se preocupar com essas coisas? afinal estamos em época de copa.
ROBERTO TEIXEIRA, Londrina

Eleições

Fiquei indignada em ler nos jornais a não inclusão do deputado federal Luiz Carlos Hauly no registro de candidatura para deputado federal. Ou o PSDB do Paraná perdeu o sendo do ridículo ou não gosta de bons políticos. Acompanho e voto no Hauly desde 1990 e nunca me decepcionei com a atuação deste parlamentar que sempre lutou a favor de causas nacionais. Não é à toa que é o único do Paraná a ser eleito pelo Diap como ''cabeça do Congresso'' por nove vezes. Vai ver tem gente incomodada com isso.
ANDRÉA YUI, Londrinam

Decadência

A soberania humana está a caminho da extinção. Um declínio desenfreado de valores éticos e morais se abate sobre todos. A presença de conceitos básicos e exclusivos do homem dá lugar a uma imensa podridão comportamental. Cada gesto, cada ato, são sempre motivados por interesses próprios, interesses de sobrepor-se a própria raça humana. Todos querem, a qualquer preço, estar acima de tudo. Querem atingir o inatingível.
Uma grande degradação da imagem humana está sendo causada por irracionais pensamentos, mascarados sob a forma de interpretações de bons mocinhos, fazem o papel de politicamentes perfeitos. O desejo cético de prazer próprio, de satisfação do ego, faz com que sejam escravos da loucura e do absurdo. Ninguém consegue manter-se em um nível, sequer, mediano de racionalidade, sobretudo no íntimo, apesar de já ser uma tarefa quase que impossível diferenciar o racional do irracional, afinal tudo está sem sentido. Encontraram no individual um motivo para a continuidade da vida. Na guerra psico-comportamental assassinaram o bem coletivo com a arma do egocentrismo imundo. Só resta saber se o crime compensa.
Num ilimitado fanatismo pessoal pelo sucesso, mesmo imoral, os grandes perdedores são a vida e o respeito por nós mesmos. Causa espanto a destruição da idéia da prática do bem.
É um declínio em época moderna, mas que se iniciou quando surgiu uma idéia temível e avassaladora: a competição. Mais terrível ainda quando ela deixou de ser idéia e passou a ser possível praticá-la.
Agora essa decadência atingiu seu ápice, só mais um instante e tudo que restará serão lembranças de um passado em que houve a possibilidade de mudar a trilha rumo ao abismo. Assemelhar-se aos animais selvagens, diferenciados apenas por uma aparente beleza estética, é só uma questão de tempo, inevitável.
WELLINGTON MARTINEZ RINO, Londrina

Correção

Ontem, na Folha 2, a violinista Denise Ferraz foi identificada como violonista.

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