CARTAS
Globalização
Não sou contrário à globalização, ao uso do capital ou às diversas outras forças existentes no mundo, pois aqueles já são fatos inerentes ao caminho histórico do mundo, mas me sinto indignado com a forma e os fins que essas forças têm sido usadas. Ir de imediato contra tudo ou se posicionar absolutamente contrário a algo ou alguém é um ato impensado, irracional e imaturo, no mínimo. No entanto, analisar as situações e interagir junto a elas, buscando o fim melhor para todos é atuar com inteligência e principalmente sabedoria.
Sabe-se que qualquer dominação sem oposição é inexistente. São institutos inseparáveis, assim como a vida e a morte, a felicidade e a tristeza. Um só existe em razão do outro. É preciso deixar claro: dominação e oposição não são somente expressões que simbolizam governo e/ou não-governo. É muito mais, sai das faces físicas, políticas, históricas, jurídicas, religiosas etc, e alcança nosso próprio ser, o eu de cada um.
O que é incorreto e amedrontador é quando há um desequilíbrio das forças existentes. Há grave perigo quando apenas uma vontade reina soberana, quando não há questionamentos ou respostas. Todos sabem que as mudanças no mundo acontecem aos poucos (mesmo com a evolução da informática). A história nos ensina isso. Por isso que querer e lutar para destruir no todo algo ou alguém é um ato impensado. Agir com inteligência e com futuridade é usar o que hoje existe (principalmente o poder do capital) para os fins que se busca (sociais, democráticos, etc).
Assim, não há que ser absolutamente contrário a algo existente, mas que modificar o que existe. É preciso raciocinar, ser esperto, inteligente e sábio para mudar e evoluir o que hoje está. Agir de modo diferente é optar pela ignorância, é destruir ao invés de construir, mesmo que o construído seja defeituoso e prejudicial a muitos. É preciso construir, aprimorando nossa evolução. Que todos possamos aprender sempre. A busca pelo conhecimento jamais pode cessar. Jamais.
JOSSAN BATISTUTE, Londrina
Efeito FHC
Muito se falará neste ano eleitoral que o país viverá um verdadeiro caos se o candidato oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva vencer a disputa pela presidência da República. Tenho a impressão e quase a absoluta certeza de que banqueiros e toda a espécie nefasta de agiotas internacionais, encarnados no megaespeculador George Soros, querem dizer de forma covarde: Esse negócio de eleição é bobagem. Em nome da confiança do mercado financeiro global no Brasil, temos de nomear (tramar) o continuísmo....
Para que realizar eleições presidenciais? Para que agitar o mercado internacional? Para que tantas incertezas por causa de um processo eleitoral? Ora, bolas, espalhemos o medo e a incerteza sob o virtual vencedor para salvaguardar os interesses maiores da nação, devem confabular baixinho (ainda) todos os dias o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Soros e o Armínio Fraga, o FHC e a sua trupe nos momentos de orgasmos múltiplos e autoritários. Isso tudo com o intuito altruísta de manter o status quo a qualquer preço.
FHC & Cia. carregam no sangue a essência do neoliberalismo econômico, que é cruelmente antidemocrática. Ela não sobrevive dentro de um processo dialético e não aceita o jogo estabelecido pela contradição. Advoga o pensamento único contra pluralidade de idéias e condena as organizações sociais e os partidos políticos, únicas forças capazes de alavancar um projeto de desenvolvimento para o país. Por isso a ideologia neoliberal precisa continuar quebrando a espinha dorsal dos movimentos democráticos e populares e, ao mesmo tempo, seduzir setores médios da sociedade com o canto da sereia.
Por outro lado, o risco-país e a argentinização são filhos de FHC. Não adianta esconder a paternidade. Foram gestados na era da lama, compreendida também no período mais recente da história política brasileira (1994 a 2002). E para ilustrar este exame de DNA, basta que qualquer cidadão se recorde da explosão das dívidas interna e externa neste governo fernandista; da abertura sem critério do mercado interno em detrimento dos produtos e dos empregos nacionais; dos juros altos mantidos para favorecer a ciranda especulativa; dos escândalos das privatizações, da reeleição, do Sivam, do Proer, etc., etc. Eis o cumulativo efeito FHC.
Não estranharei nenhum pouco se essa turma que ocupa pelos últimos meses o poder central, sob o comando de banqueiros e especuladores internacionais, desenrole faixas e bandeiras com os seguintes dizeres: Abaixo as eleições! Abaixo a democracia!. Pois o resto já fora feito, inclusive a invenção do efeito Lula para tentar abafar o efeito FHC. Para eles, eleição presidencial é bobagem e perda de tempo. O importante mesmo é o mercado para poucos endinheirados!
ESMAEL MORAIS, membro da direção municipal do PCdoB de Curitiba
CORREÇÃO
- Diferentemente do que foi publicado ontem na página 4 do Caderno de Economia, a pessoa que aparece na foto é o diretor presidente do Samae de Ibiporã, Jurandir Barduco.





