Cartórios
Como tucano desde 1992, imaginem a indigestão que estou sentindo com a presença de uma ave de rapina disfarçada da bela ave brasileira. Os fundadores do PSDB, cansados da política da negociata que havia se transformado o ‘‘velho PMDB de guerra’’ instituíram um partido que se preocuparia com a qualidade e não quantidade. Tanto que o estatuto do PSDB proíbe filiação em bloco (artigo 7º, V), procurando sempre manter um equilíbrio social-democrata. Refiro-me ao senhor deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa Hermas Brandão, que descaradamente legisla em causa própria e que, não se definiu ainda se é um deputado cartorário ou um cartorário deputado. No primeiro caso seria um homem público que trataria sua profissão de origem como mera coincidência, legislando para o povo e não para sua categoria, o que não demonstra ao promulgar um aumento de absurdos 1.566% nas custas judiciais. O cartorário deputado argumenta que as custas dessa atividade herdada do Brasil colônia estão congeladas há cinco anos, porém desconsiderou que a maior greve do País (universidades) foi pautada sob os mesmos argumentos e não obtiveram nem 5% do percentual concedido a estes privilegiados que cobram o direito sagrado de pedir justiça. Nem o clássico Império Romano (que até admitia a escravidão), privava o cidadão romano de pedir justiça aos pretores. O candidato a governador Beto Richa, filho de um dos fundadores do PSDB, deveria dar um belo puxão de orelha nesse cartorário que por acaso é deputado.
JOSELITO TANIOS HAJJAR, Londrina
Governo
Venho acompanhando pelos veículos de comunicação reportagens que tratam sobre os julgamentos dos policiais militares envolvidos nas mortes que resultaram do confronto entre integrantes do MST e policiais em Eldorado do Carajás, no Estado do Pará; foi noticiado que o oficial que comandou a operação foi condenado em mais de 200 anos de prisão, embora a pena máxima no Brasil seja de 30 anos. Na madrugada do dia 5 de junho, às 0h50, assistia a um telejornal, que noticiou o fim de mais um julgamento onde havia sido absolvido alguns sargentos que haviam participado da operação. Porém, o que chamou a atenção foi o apresentador narrar que o presidente FHC mostrou-se preocupado com as absolvições, pois os organismos internacionais poderiam pressionar o governo brasileiro em razão do resultado. Sabemos que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são harmônicos, mas independentes nas decisões que lhes cabem. Se uma manifestação presidencial em favor ou contra uma condenação chega ao conhecimento da imprensa, imaginamos que nos bastidores a tentativa de induzir nas decisões é grande. No dia seguinte, o mesmo canal de TV veiculou a reportagem de que oito recém-nascidos morreram nesta semana vítimas de infecção hospitalar no Estado do Ceará, as quais se somam com quase outras 50, que alguns anos atrás morreram de uma só vez, e pelo mesmo motivo, também naquele Estado. Portanto, não me lembro se houve manifesto de preocupação pelo governo com o que iram pensar os organismos internacionais. Está mais que na hora de haver não só preocupação, mas também vergonha das falcatruas e do fisiologismo político; e dos milhões de reais que vai ralo abaixo. Com certeza apenas uma parte desses milhões salvaria todas aquelas crianças. Num mundo globalizado, onde todos os países estão intimamente ligados, ninguém quer que os organismos internacionais pensem negativamente contra seu país. Mas antes de governar preocupado apenas em satisfazê-los e com receio do que irão pensar, lembramos que somos aproximadamente 170 milhões de brasileiros, onde grande parte, talvez a maioria, estão insatisfeitos com tantos desmandos, corrupção, exclusão social, tratamento desumano etc... Deveriam nossos governantes ter já desprendido preocupação e vergonha, além de ações concretas e não apenas projetos eleitoreiros.
LUIZ GOMES DOS SANTOS, São Sebastião da Amoreira

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