Contradições


Dentre tantas contradições que vivemos atualmente, uma me chama a atenção: enquanto na Inglaterra, a rainha Elizabeth II comemora seus 50 anos de reinado, desfilando em carruagem de ouro, Índia e Paquistão estão na iminência de uma guerra. O curioso é que estes dois países foram colônias britânicas, e que, provavelmente, boa parte do ouro que cobre a carruagem da rainha, como cobre também os recursos para tal ostentação e opulência, é proveniente do período em que a Inglaterra (e outras potências européias) explorava boa parte do mundo, inclusive as duas nações conflitantes.
O que restou das ex-colônias é o conflito, a miséria e a instabilidade política, como se vê também na Nigéria, na Palestina e em tantos outros países ao redor do mundo. São dois momentos aparentemente distantes, mas sua origem, ou, suas causas, são praticamente as mesmas: o domínio, a exploração econômica e dos recursos naturais e o implante de um modelo político, depois da saída da metrópole, que não permite à ex-colônia se desenvolver, as tornando cativas, amarradas.
Não fosse esse grande período de domínio sobre o mundo, com certeza não teríamos tamanha ostentação de sua riqueza, que faz com que muitas pessoas alienadas, mesmo em países com sofreram com tal rapinagem, vejam tal cerimônia como ‘‘conto de fadas’’.
EDSON BELLOZO, Rolândia

A venda do Brasil

Os governantes temiam que se liberasse ao livre jogo da iniciativa privada empresas de grande capital fixo, podendo ser formado monopólio e cartéis. No entanto, hoje o Brasil está alimentando o seu próprio medo, privatizando suas maiores empresas e de maiores rentabilidade. Privatizou a Vale do Rio Doce, o Banco do Estado, parte das estradas, grande parte da Sanepar, queria privatizar a Copel e quer privatizar o Banco do Brasil. Daqui a algum tempo estará colocando na mão do capital privado os forúns, prefeituras etc, sendo que, o que ainda não foi privatizado, está sendo mal administrado, como a educação e a saúde.
Depois de tudo isso, temos que escutar dos governantes que a melhor coisa para o desenvolvimento da Nação é a privatização, porém o melhor mesmo é o Estado administrar seu próprio patrimônio de forma competente, assim como lhe foi designado
Realmente certas atividades podem ser privatizadas, pois rendem mais lucro à Nação através dos tributos do que se ela mesma a exercesse. Realmente às vezes os lucros são maiores, todavia o custo desses serviços aumentam, sem que se aumente os benefícios, quando ainda estes existem.
O que virará o poder de nossa Nação, um simples gestor de tributos? Entretanto, deveria ser um produtor de várias atividades essenciais ao desenvolvimento social, viabilizando a paz à população e a evolução econômica do País. Contudo, deixa a população no poder e nos abusos do capital privado, com um salário que não garante nem as necessidades básicas do cidadão. Com isso deixa o País de ser um organizador das relações sociais e das necessidades essenciais à sobrevivência de todos, para ser um burocrata e um gerente dos interesses de poucos, porém grandes e que o governam.
Estamos caminhando não para uma sociedade de interesse coletivo, mas de interesses privado, pois nossos governantes não governam pensando nos brasileiros e sim em seus próprios beneficios e daqueles que detém o poder econômico. Enquanto isso crianças terminam os estudos sem saber interpretar um texto, pessoas morrem em filas de hospitais e de transplante, parte de nossa produção é desperdiçada em estradas mal conservadas e nossos governantes ainda dizem que vivemos num país democrático e de direito.
MÁRCIO AUGUSTO SCHIMIDT DE ALENCAR, Londrina

Fundos

Se você fosse Presidente da República, num momento de turbulência do mercado, iria mudar as regras dos fundos de renda fixa e provocar prejuízos de R$ 1,3 bilhão aos investidores e logo em seguida mandar seu porta-voz dizer que não confia em outro investimento que não a caderneta de poupança? Será que isso não é terrorismo econômico, como disse o presidente do STJ, ministro Nelson Naves? Será que o governo federal está querendo fazer campanha pró-Serra com os nossos investimentos? Isso não é crime? Ninguém vai fazer nada a respeito?
IVO AUGUSTO DE ABREU PUGNALONI, Curitiba

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