CARTAS
Videovigias
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tem divulgado pelos meios de comunicação, através de seu Diretor de trânsito (Folha de Londrina, 04/06/2001), que apesar de não existir obrigação legal (resolução do Denatran), foram instaladas placas alertando os motoristas da fiscalização eletrônica em determinados semáforos de Londrina. A obrigação não é legal, mas sim um dever constitucional cunhado no artigo 37, caput, da Constituição Federal, que determina que a administração pública obedecerá aos princípios da legalidade, moralidade e publicidade. Se realmente não há interesse na receita produzida pelas multas, mas somente o compromisso com a redução do número de vítimas do trânsito, a colocação dos avisos é extemporâneo e inarredável. A fiscalização eletrônica deve se bastar no caráter eminentemente deontológico, porquanto o que se busca com isso e o justifica não é a primariedade do não furar o sinal, mas de um objetivo muito maior, o de não matar.
ROGER RIUZI PEREIRA SUZUKI, Londrina
Classe média
A prestigiada Fundação Getúlio Vargas, ente paraestatal da área federal, considera de classe média os brasileiros, em número de 68 milhões, que ganham de R$ 134 a R$ 575 por mês, isto é, de muito menos que um salário mínimo a menos de três salários mínimos. Por onde se vê quão fantasiosas são, no Brasil de hoje, as compartimentações das classes sociais, visto que, pelo critério acima exposto, quem ganhar mais de R$ 575 mensais (cerca de US$ 230) já será rico e quem vegetar com menos de R$ 134 (cerca de US$ 54) será pobre ou miserável. Temos aí 102 milhões de brasileiros para enquadrar ou na categoria dos ricos ou na dos pobres miseráveis. Será esta uma situação capaz de justificar o discurso triunfalista do governo que aí está há quase oito anos e não dá por satisfeito?
ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília
Fundos
O governo aproveitou o feriadão e a entrada do Brasil na Copa do Mundo para tungar o povo que investe nos fundos de renda fixa. Trata-se de um confisco, pois a medida avançou e abocanhou parte do capital aplicado. Se tivesse apenas retirado uma fatia do rendimento do mês em curso poderia ser apenas um ajuste, mas o fato de ter ido além revela um confisco explícito do dinheiro do poupador.
Em ano eleitoral, onde o governo acusa a oposição da intenção de quebrar contratos se chegar ao poder, ele o fez descaradamente, e ainda quer que a população aceite o fato com resignação. Não é possível aceitar que em plena democracia tenhamos intervenção como esta, em que o governo mete a mão em nosso bolso sem que tenhamos um mínimo de reação. Afinal de contas esse confisco representa um prejuízo da ordem de 7 a 8 milhões de reais a este segmento da população brasileira, que vai desde o mais humilde aplicador até outras faixas de maior expressão. Certamente o povo brasileiro saberá dar o troco a esses desmandos, na hora de sacramentar o seu voto em outubro próximo, não votando em candidatos deste governo.
JOÃO AMBRÓSIO DE OLIVEIRA, Londrina
Copa do Mundo
Na Terra há 193 países; grandes minúsculos, ricos e pobres a maioria pobres, lamentavelmente. Apenas 32 países participam da Copa do Mundo; europeus são a maioria, seguidos dos americanos, africanos e asiáticos. Na Copa do Mundo trapaças são praticadas... O interesse econômico está acima do esportivo ou patriótico. Poucos atletas cantam seus respectivos hinos da pátria com amor, com respeito. Os brasileiros não têm educação para cantar nosso belo Hino Nacional; dão péssimo exemplo de civismo.
A mídia, principalmente a televisiva, cria e estimula a adoração a líderes esportivos; não valoriza, como deveria valorizar, as pessoas inteligentes que de fato descobrem os caminhos para o sucesso da humanidade os cientistas e os professores, por exemplo. A dispusta pela copa é egoísta, quanto mais títulos tem mais quer. Países que disputam com garra, com patriotismo merecem as melhores colocações na Copa do Mundo, ou não? Devem vencer os mercenários?
Nossos brasileiros jogam pouco e ganham muito. Basta de nhenhenhém, de tanta bajulação, de tanta mediocridade. País do futebol e do carnaval, parece que somos um bando de folgados; que estamos ricos. Parabéns aos ilustres brasileiros que descobrem, que trabalham muito e lutam por um próspero Brasil.
FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão





